Segunda-feira, Maio 05, 2008

Enfim, o outono




E com ele, chega a vontade de ler um bom livro. Há época melhor para se atracar com um bom romance policial, enquanto o frio e/ou a chuva rolam lá fora?



Pois as editoras sabem disso e nesse outono estão caprichando. A Ojetiva principalmente, pois botou no mercado vários títulos top de linha. Vou citar dois para quem quer ficar antenado com o que de melhor está se escrevendo na literatura policial no exterior.



Echo Park, de Michael Connelly, foi lançado em 2006 carregado de elogios da imprensa internacional. Aliás, Connelly é o escritor policial mais cultuado nos EUA no momento.


A história gira em torno do drama de consciência do agente veterano Harry Bosch, que cometeu um vacilo no passado e deixou de prender um homem que tudo leva a crer ser o responsável pelo desaparecimento de uma jovem e por vários assassinatos brutais. Torturado pelo remorso, Boshc sente a obrigação moral de colocar o psicopata atrás das grades e aí é que o bicho pega.

Eleito pelo Los Angeles Times o melhor romance policial de 2006, Echo Park é suspense psicológico da melhor qualidade, além de ser moderno e não errar na dose da ação. Recomendadíssimo.


Morte em Dark Harbor conta a história do agente Stone Barrington, que é o protagonistas das histórias de Stuart Woods. Neste caso, o herói do escritor se vê obrigado a investigar um familiar: seu primo Richard mata a mulher e a filha. Por que um dedicado pai-de-família de classe média faria tal atrocidade? E o romance prova que investigar um crime em família pode ser muito mais dramático e perigoso.



Agora, se você quiser ler um autor nacional de ótima qualidade, leia Doutor Valdini, um conto policial deste metido à besta que vos escreve e que acabou de ser publicado aqui.

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Sábado, Abril 05, 2008

A rua tem vida

Quando não estou circulando de bike, estou de carro, metrô, táxi ou ônibus. Outro dia, choveu no Rio. Não dava para usar a bike e decidi ir até o Largo do Machado, há uns dois quilômetros de onde moro, caminhando. E fiquei bobo com certas mudanças que haviam ocorrido no meu bairro e eu nem havia me dado conta. Aproveitei também para botar em prática um hábito que costumava ter no passado e que foi assassinado à queima-roupa pela falta de tempo: caminhar e observar a vida nas ruas.

Pois o título deste post foi tirado de uma frase do A Alma Encantadora das Ruas, do jornalista e escritor Paulo Barreto, mais conhecido como João do Rio. Já falei sobre esse livro - lançado no início do século passado - aqui, mas é que a Companhia das Letras o está relançando numa edição de bolso e o site Domínio Público, o disponibilizou para download.

O livro é sobre as ruas do Rio, mas poderia ser sobre as de Bancoc, Tóquio, Moscou, Buenos Aires, Roma, Miami ou Nova Iorque. Em todas as cidades há ruas que merecem ser observadas. Como escreveu o magnífico João, há ruas gentis, há ruas trágicas, há ruas pacatas, há ruas depravadas, há ruas imorais. No seu bairro mesmo deve haver alguma rua carente, carecendo de sua atenção.

A correria desses nossos dias transformaram as ruas apenas em lougradouros públicos pelos quais passamos com pressa. Vou tentar dedicar algumas horas por semana para fazer como o bom e eterno Paulo Barreto e flanar por aí. Com uma vantagem: o pobre João do Rio não tinha uma máquina digital para registrar tudo.

Quer baixar o A Alma...?, mergulhe aqui.

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Segunda-feira, Março 17, 2008

Miséria Humana



"Enquanto a ambulância corria pela noite, a minha mente era ocupada pelas lembranças da Rainha Nava e de como era gostoso fazer amor com as cigarras.

Ao meu lado, deitada sobre a maca, estava Norma Rodrigues, ofegante e abatida. A ambulância corria para salvá-la. Eles tinham pouco tempo para fazer o que não consegui nos últimos trinta anos.
Havia também uma enfermeira. Mulata, gorda e de uma calma arrepiante. Uma calma que devia ter-lhe custado muito caro. Ela parecia ser uma mulher trágica. E isso não tinha nada a ver com a sua profissão. Apesar da pouca idade, as situações de drama e desespero deviam ter vindo como ondas em sua vida.
Norma transpirava um suor frio. Parecia um refrigerante tirado do refrigerador. Com o meu lenço, enxuguei a sua testa. Muito lenta, ela virou-se para mim. Os olhos semi-abertos. Até onde iria o seu sofrimento? Onde começaria o seu exagero? Era a sua maneira de dividir a dor comigo. Uma divisão injusta. Eu sempre ficava com a maior parte."



Trecho inicial do meu conto A Solidão da Rainha Nava, do Crimes e Perversões.

Foram todas as quatro edições vendidas. Como, à princípio, não haverá mais edições, se alguém ainda estiver a fim, entre em contato. Dependendo do número de interessados, haverá edição extra.

Quero agradecer de coração a todos os que compraram. Muito obrigado pela força.

Agradeço também aos que não compraram e que tiveram que aturar o merchandising aqui, nos últimos meses.

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Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

As cavernas obscuras do nosso ser


"Ah, olha só a vadia! E encolhe, e solta, e mexe, e sacode e rebola. E eu, a serpente, vou saindo do cesto, maravilhada e à mercê dos seus encantos. Como o velho leão de circo que faz o seu número para ganhar a suculenta carne no final.
E o meu número é arrastar-me até este lugar sujo e mal freqüentado, para deixar-me ser enfeitiçado por ela. Deus sabe como tenho resistido todos esses anos. Não posso, não devo, dizia eu — um homem bem sucedido e chefe de uma família adorável —, enquanto o demônio (um sujeito simpático e de boa conversa) me fazia deixar o meu confortável escritório e, nesta noite de chuva, vir até a um lugar sórdido como este, na parte suja e feia da cidade, onde, só ou em bando, vive-se em apartamentos apertados ou em vagas. Um lugar de gente ansiosa e disponível, onde o calor humano é mais barato.
Olho em volta e vejo que não sou o único. O que não me serve de consolo, pois me considero especial, levando em conta de onde venho e que o grande herói da minha vida foi o xerife Anderson..."


Trecho inicial do meu conto Dança do Ventre, do meu livro Crimes e Perversões, que você pode adquirir, mergulhando aqui: juliocorrea19@gmail.com


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Sábado, Fevereiro 09, 2008

E o Síndico virou livro



Nos anos 70, o Tim morava em Copacabana e freqüentemente era abordado por guardas de trânsito das redondezas, pois além de dirigir sempre sem carteira, seu carro constantemente tinha um farol quebrado, pisca-alerta com defeito ou outra infração qualquer. E o velho Tim sempre soltava uma cervejinha para os PMs, que o passaram a chamar de "cartão de crédito".

Um dia, o "Síndico" iria fazer uma reuniãozinha para amigos, após um longo dia de gravação.

Quando chegou na porta do seu prédio, ele se deu conta que os bancos já haviam fechado e ele estava sem um tostão.

Sem pensar muito, ele procurou os guardinhas das dedondezas para que lhe dessem algum dinheiro.

E em pouco tempo conseguiu o bastante para, pelo menos, para algumas cervejinhas. Acho que foi a primeira vez que policiais garantiram a cervejinha de alguém.

O livro Vale Tudo, a biografia do Tim, lançado no final do ano passado pelo jornalista, crítico musical e também amigo do Síndico, Nelson Mota é um livro típico para o verão, com histórias deliciosas de um ícone da nossa música, muito conhecido pela sua simpatia e comportamento polêmico, mas que também sofreu muito. Principalmente por amor. Ninguém escreve um clássico como Azul da cor do mar sem motivo.

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Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

É Verão e estou na praia...


Ilustração tirada da crítica do New York Times.

"...O dia de outubro quando ele viu pela primeira vez os seios dela nus precedeu em muito o dia em que pôde tocá-los - 19 de dezembro. Ele os beijou em fevereiro, embora não os mamilos, os quais roçou com os lábios uma vez, em maio. Ela se permitia avançar sobre o corpo dele ainda com maior cautela. Moviemntos súbitos ou segestões radicais da parte dele podiam arruinar meses de trabalho."

O trecho acima é o mais belo que li a respeito da época da inocência, antes da revolução sexual dos anos 60, quando um jovem casal tinha que lutar contra seus desejos, pois a virgindade era ainda contava pontos.
É verão estou Na Praia, o best seller do britânico Ian McEwan, lançado aqui pela Companhia das Letras no ano passado com grande estardalhaço. Cheguei até a fazer um post a respeito. Meu interesse por esse inglês, prestes a completar sessenta anos, cresceu após assitir à Desejo e Reparação, o filme de Joe Wright, que virou o filme da estação pra mim, sério candidato ao Oscar, e que foi baseado na obra de McEwan (Atonement, eleita pela revista Time, como o melhor romance de 2002).
A história de Na Praia poderia ser resumida em uma linha: "Dois adolescentes virgens irão ter a sua primeira relação na noite de núpcias, numa praia inglesa, Chesil Beach, no verão de 1962. Tudo corria bem até que um fato inesperado vem mudar a vida dos dois para sempre. Falando assim, pode parecer que daria um bom conto e não um romance. E para falar a verdade essa foi a impressão que tive no início. Mas McEwan é desses escritores que nos supreendem e o perfil psicológico é descrito com uma grandeza capaz de de emocionar e incomodar pretensos escritores invejosos como eu. Mais do que um clássico sobre a perda da inocência, Na Praia é sobre as brincadeiras - muitas vezes de mau gosto - que o destino faz com a gente.
Em Desejo e Reparação, McEwan chega às raias de um Nelson Rodrigues, descendo aos subterrâneos mais sombrios da alma humana. O filme poderia ser um pouco menor e pode ser confuso, devido ao tratamento quase fantástico dado a algumas cenas. Mas ficaria feliz ao vê-lo ganhar a tatueta.
Aliás, como foi a sua primeira vez, querido leitor? A minha foi...psicodélica. E-mais para julio-correa19@gmail.com.

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Sábado, Janeiro 19, 2008

Vai curtir uma balada hoje? Cuidado! Você pode encontrá-los...

"A noite era de chuva e fui navegando com dificuldade por entre a tormenta, jogado de uma onda a outra, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. Para mim, as noites de crise sempre tiveram o gosto de cruzar um oceano em fúria.
De repente, um casal abraçado sob o guarda-chuva. E uma enorme vaga quase me afoga.
Parei na porta do Edredom e entrei.
O Edredom é um bar. Na verdade, este não é o seu nome. Mas o chamam assim porque é onde os carentes e solitários se refugiam da frieza do mundo.
Lá dentro, em meio a uma penumbra enfumaçada, homens e mulheres estavam espalhados pelo salão. Apesar do mau tempo, não eram poucos. Na verdade, nem mesmo o dilúvio do juízo final conseguiria afastá-los dali. Gente desesperada a procura de alguém.
Mas sabiam fingir. Uns fingiam estar ali apenas fazendo hora, esperando a chuva passar. Outros, para um drinque após o trabalho. E havia aqueles que fingiam estar apenas procurando amigos para um bate-papo. Mas era tudo mentira. Tudo não passava de uma estratégia aprendida em muitas noites iguais àquela. A vida lhes havia ensinado que, nesse mundo injusto, para se conseguir um copo d’água é preciso esconder a sede.
Encostei-me no balcão e pedi o meu drinque. Puro. Sem gelo.
Aí, notei a mulher. Vulgar, magra e com um olhar suplicante. Dessas que entregam logo o jogo. Dessas que não sabem fingir. Era o meu tipo. Sorria para mim. Mas tentei ignorá-la. Não iria facilitar as coisas para ela. Embora estivesse tão carente que seria capaz de pular em cima da primeira que me piscasse o olho.
Um garçom mal humorado serviu o meu whisky. Fiquei olhando para a TV, suspensa por um rack preso no teto. Estava na hora do jornal da noite.
O garçom voltou quando eu estava na metade do meu drinque. Colocou um pequeno papel na minha frente e disse:
“Aquela mulher lhe mandou isto.”

Não me virei para saber quem era. Eu sabia que havia sido ela. A suplicante."

Há alguma chance dessa noite acabar bem?

Só lendo o resto do meu conto Testosterona, do Crimes e Perversões, o meu livro de contos, já na quarta edição e que pode ser pedido pelo juliocorrea19@gmail.com

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Sábado, Janeiro 05, 2008

O Caso Elizabeth Lewd


"Bem, tudo começou no momento em que Ana Maria Lewd entrou em meu consultório. Estava acompanhada de Elizabeth, sua única filha. A garota tinha um ar tímido, mas notei que ela olhou para o meu pau quando fui cumprimentá-las.
Você sabe, sou um especialista em casos de problemas sexuais. E Ana Maria era a minha cliente mais rica. Por isso, cobrava-lhe um pouco mais caro do que os outros pacientes e tentei ser educado, fingindo não notar o comportamento constrangedor da jovem.
No dia anterior, Ana havia me procurado para falar desse estranho hábito da filha.
“É difícil para mim, conversar a respeito”, havia dito.
“Mas só poderei ajudá-la se souber o que está acontecendo”, falei.
Eu já estava acostumado com a dificuldade dos pais em revelar os problemas dos seus filhos. Porém, mais tarde, teria que admitir que o caso de Elizabeth era mesmo delicado..."
Quem será, na verdade, o analista e o analisado nesta história do conto, que tem o mesmo título deste post? Histórias passadas em consultórios psicológicos sempre foram instigantes para mim. Essa tem um igrediente...picante. Por isso entrou no Crimes e Perversões, o meu livro de contos policiais. E picantes. E que pode ser adquirido pelo juliocorrea19@gmail.com

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Sexta-feira, Dezembro 14, 2007

29 centímetros


"Vinte horas. Sábado. Restaurante na Lagoa. Ainda chovia quando Marcela chegou.
MARCELA: - Boa noite.
EU: - Boa noite. Tudo bem?
Marcela era uma quarentona, classe média. Como a maioria. Bem vestida, cabelos louros e lisos. Tinha um sorriso sincero. Diferente dos outros.
MARCELA: - Você chegou há muito tempo?
EU: - Uns dez minutos.
Marcela, já sentada, me examinava com um sorriso curioso.
MARCELA: - Você é muito bonito. Se fosse mais jovem eu acharia que...
EU:- Que sou um miché?
MARCELA: - Isso.
Já dava para perceber que teria trabalho com ela. Só não imaginava o quanto. Sorri meio de lado e depois a encarei. Não nos olhos, mas...em algum ponto entre os olhos. Aprendi isso com a Clara, minha cliente psicóloga.
EU: - Mas eu não sou um prostituto.
MARCELA: - Tá certo. Posso perguntar o que você é, então?"

O que será que ele é, então?

Sei que as pessoas que freqüentam este blog não tem a mente suja e não estão pensando besteira. Mas quem quiser saber como a noite desses dois acabou, só lendo este conto - que tem o o título deste post como título - do meu livro Crimes e Perversões, cuja a terceira edição já está para sair. Garanta o seu pelo juliocorrea19@gmail.com.

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Domingo, Novembro 25, 2007

A Verdadeira História de Suzete Kitchnette

Foto by Bezitted


“Era uma vez uma garota humilde do subúrbio. Bonita e muito ambiciosa. Sonhava em ser uma atriz do teatro e do cinema. E preferiu o caminho mais fácil. Os homens têm necessidades e ela aprendeu a satisfazê-las. Então, a moça humilde do subúrbio acabou se transformando na maior vagabunda que esta cidade já conheceu. Ganhou muito dinheiro com isso. Mas, como nas novelas mexicanas, não encontrou a felicidade. É isso que você quer escrever? Um drama mexicano?”

Este é o trecho inicial do conto que tem o título deste post. Para saber quem foi mesmo Suzete, só lendo o meu livro de contos Crimes e Perversões, que de drama mexicano não tem nada. A segunda edição já está rolando e pode ser pedida pelo juliocorrea19@gmail.com.

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Sexta-feira, Novembro 09, 2007

Enquanto isso no submundo...



Foto by Ali K.




Na escuridão da rua Luiz de Camões, encontramos o Beléu. Conversava com uma mulher. A mulher se afastou assim que nos viu.
“O que que manda, sargento?”
“Jéssica. Ela esteve com você?”
“Não me lembro.”
Fiquei em silêncio, olhando nos cornos do vagabundo a minha frente. Beléu já me conhecia muito bem pra ficar de sacanagem. “Bate o congo.”
“Ela veio, sim.”
“Quando?”
“Hoje.”
“Atrás de quê?”
“Que fundamento é esse, brother?”
“Atrás de quê?”
“De grana!”
“E aí?”
A mulher que estava com o Beléu conversava alto, na esquina com a Imperatriz Leopoldina. Conversava com outra puta. Falava alto para chamar a atenção do Beléu. Não era uma mulher de perder tempo.
“Ela estava correndo atrás de grana.”, prosseguiu Beléu, “Só que eu estava zerado.”
“Sei.”
“Fui pedir a um camarada meu do movimento, lá na Providência.”
“E aí?”
Esperei. Beléu olhou para as putas primeiro.
“O camarada da firma me arrumou algum.”
Esperei. Outras duas putas chegaram pela Imperatriz Leopoldina. Juntaram-se às outras duas. Passaram a conversar ruidosamente. A mulher que estava conversando com Beléu começou a falar mais alto que as outras. Falava e olhava para ele.
“É só isso, mano. Acho que ela foi arrumar a parada em outro ponto.”
“Que parada?”
“Oi?”
“Que parada ela foi arrumar?”
“A grana, mano!”
“E aí?”
“Só isso, mano.”
As putas foram para trás de um carro. Duas delas se agacharam e as outras fizeram paredinha para que as primeiras mijassem na calçada.
“E aí? Quanto ela queria?”
“Muito.”
“Muito quanto?”
“Oi?”
“Quanto ela queria?”
“Era muito. Não consegui arrumar.”
“E aí?”
“Hum?”
“Ela queria grana e tu arrumou o quê?”
“Fumo.”
“Pra quê?”
“Pra passar.”
As putas se revezaram. As duas que faziam paredinha, a mulher que esperava por Beléu e a outra, agora, se agacharam para mijar também. As outras duas, faziam paredinha para elas, ajeitando os shortes.
“Tu acha que a Jéssica tá passando fumo?”, perguntei.
“Oi?”
“Jéssica tá passando fumo?”
“Não.”
“Jéssica não está passando fumo?”
“Não. Ela só estava precisando de grana.”
Um homem bêbado entrou no beco no momento em que Beléu ia dizer mais alguma coisa. Ele esperou o homem passar. Mas não disse o que iria dizer.
“Que ansiedade é essa, mano?”
O homem bêbado brincou com as putas. E elas debocharam dele. Ali, bêbados, viciados e qualquer um que não tenha controle sobre si mesmo não merece respeito. Todas riram do bêbado. Menos a que esperava por Beléu.
“Tudo bem. Vamos embora.”, falei.
O cabo Rodrigues deu a partida. Beléu se abaixou e falou na janela:
“Aí, vou te dar uma idéia: quando quiser falar comigo, mande recado pelo Branco, na moral, valeu, sangue? Se não tu vai embaçar minha parada.”
“Pau no teu cu!! Não aceito letra de vagabundo. Vá se fuder!”, falei.
“Tudo bem, doutor. Vá com Deus!”
A RP começou a andar. Ainda vi a puta que esperava pelo Beléu olhar para nós com ar preocupado. Porque uma puta pode até sustentar um vagabundo. Mas não um vagabundo que está devendo. Porque um vagabundo que está devendo, vai precisar de mais. E ela pode não ter para dar.

Trecho do meu conto Ronda, que retrata o patrulhamento de dois policiais militares numa noite chuvosa e tensa no Rio.




Quer saber como termina isso. Peça o livro Crimes e Perversões pelo email: juiocorrea19@gmail.com. E atenção! É versão papel, não é PDF.









Os personagens do texto acima são fictícios, mas a cena das putas foi baseada em uma que assisti nessa esquina da rua Luiz de Camões, atrás da Praça Tiradentes, onde fica o Centro Cultural Hélio Oiticica. Durante o dia é apenas mais uma rua da parte velha do Rio. Mas à noite, é mais conhecida como "rua das putas", antiga e decadente área de prostituição da cidade.






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Sexta-feira, Outubro 26, 2007

O amor é lindo


O sujeito me sorri um sorriso de mentira. É um sorriso de boneco. Desses sorrisos que se abrem e se fecham, automáticos, como os guarda-chuvas.
“Fez boa viagem?”, pergunta.
Um helicóptero me trouxe do alto de um prédio, no Centro, até esta mansão, no Recreio dos Bandeirantes. Não pára de chover e a visibilidade era pouca. Mas o medo é algo supérfluo na minha vida.
O nome do cara é Doutor Zarelli. É um político. O Gentefina me arrumou esta parada. Não gosto de político. Aceitei vir porque vai rolar uma boa grana. Preciso pagar as minhas dívidas. Ganho a vida matando gente, mas sou bom pagador. Tenho um nome a zelar. Por outro lado, já passei dos sessenta e está difícil arrumar bico.
“Positivo. Correu tudo bem, doutor.”, respondi.
O sorriso automático ainda está lá. É um cara baixinho, uns sessenta anos, meio gordo. Usa um terno bonito e fuma um charuto. Usa também uma peruca.
O sorriso se fecha de repente.
“Você tem mesmo experiência nisto?”, me pergunta.
Está me testando. Sabe que sou do ramo, mas precisa testar a minha autoconfiança.
“Claro, doutor.”
“O Gentefina falou que tu é chapa quente. Mas quero que você mesmo diga o que sabe fazer.”
Ele solta um baforada de charuto na minha cara. Nem pisco. A raiva me congela por dentro. Está mesmo me testando. Quer saber se tenho o controle das minhas emoções. Ele fica me examinando. Como se eu estivesse em exposição.
“No meu ramo, a gente não anda com um currículo debaixo do braço, doutor.”

Qual será o ramo deste sujeito?
Que tipo de negócio ele teria com alguém chamado Zarelli?
Quem é o Gentefina?
Não morra de curiosidade
Este foi o trecho inicial do conto que tem o título deste post, do meu livro Crimes e Perversões, cuja segunda edição pode ser adquirida pelo juliocorrea19@gmail.com.

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Quarta-feira, Outubro 17, 2007

Doutor Valdini



Foto by Hey Mr. Glen




"Domingo, duas e meia da tarde. Engarrafamento na Visconde de Pirajá. Ipanema saindo para almoçar. Hora estranha para encontrar o Doutor Valdini.


Mas o Doutor Valdini me esperava em frente ao Hotel Vermont. Era baixo, pálido e tinha um bigodinho ridículo. Mais de Cinqüenta. Menos que sessenta. Quando o vi, do outro lado da rua, minha primeira vontade foi a de dar meia volta. Só não o fiz porque os olhos mortos do Doutor Valdini me laçaram. Tive a desconfortável impressão de que ele sabia que era eu, me aproximando de bermudão e sandálias. Valdini vestia um blusão do tipo havaiano, que quase me fez sentir na obrigação de esbofeteá-lo. Não sou agressivo, mas qualquer um ao ver um cinqüentão com aquele bigodinho e aquele blusão turístico, sentiria a compulsão de...


“Doutor Valdini?”, perguntei sorrindo. Há 25 anos sou profissionalmente falso.“Doutor Azevedo, acertei?”"




Será que ele acertou? Continue lendo este meu conto policial que foi publicado recentemente aqui .




A primeira edição já se foi. Obrigado a todos que compraram. Uma outra está saindo do forno. Garanta o seu. Entre em contato pelo juliocorrea19@gmail.com.

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Domingo, Outubro 07, 2007

A solidão da velha senhora - e de todos nós

Foto by Love Like Blue



"A mulher apareceu, caminhando lenta, apoiada em uma bengala e no porteiro. Sorria um sorriso artificial. Era bem idosa. Usava bijuterias baratas. Usava também uma espécie de túnica oriental, exótica, amarelada pelo tempo, e chinelinhos dourados com enfeites de pelúcia nas pontas. Coisas antigas, decadência e velharias.
“Demorei muito, meu querido?”, ela perguntou.
“Não”, mentiu o homem. “Você foi pontual, como sempre. Vamos?”
Atravessaram as pistas da avenida com dificuldade. Como sempre fazia, o homem segurava a mão da mulher, erguendo-a no alto, como se fosse um cavalheiro ajudando uma dama a descer do carro ou um príncipe tirando a bela princesa para dançar a valsa. Bondade, gentilezas; coisas antigas, velharias. Preocupado, o homem fazia sinal para que os carros parassem. A mulher não via a tensão no homem. E pensava que os carros paravam por causa dela."



Trecho do meu conto Caridade, do meu próximo best seller Crimes & Perversões.
Dessa vez é o formato papel. Quem estiver interessado mande bala para juliocorrea19@gmail.com
As férias acabaram e este blog voltará a ser sério. Nos próximos posts mais detalhes e mais trechos.

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Segunda-feira, Agosto 06, 2007

Esses escritores policiais e suas descrições maravilhosas...



"Aquela loira era agradável como um lábio cortado. Sua manicure fazia os seus dedos parecerem cubos de gelo."



Raymond Thornton Chandler, criador do Philip Marlowe, um dos detetive mais famoso da literatura. Ninguém soube melhor descrever uma loura.

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Quinta-feira, Agosto 02, 2007

Crimes com grife

Numa manhã como outra qualquer, uma mãe, que levava o seu filho ao colégio, tem o trajeto interrompido por marginais que a obrigam a sair do carro. O menino não consegue se livrar do cinto de segurança e é arrastado por vários quilômetros pelos bandidos em fuga.


É uma história absurdamente violenta, mas daria literatura?


Não, pela gratuidade e futilidade com que o crime foi praticado.

Mas já houve uma época os crimes ocorridos aqui tinham mais elegância e é disto que trata a minha nova aquisição literária deste inverno.

Essa coletânea, organizada por George Moura e Flávio Araújo e lançada pela Globo, tenta desvendar crimes praticados com inteligência e astúcia e que foram encobertos por corrupção policial, impunidade e leis brandas, igredientes deste país injusto. São crimes interessantes e misteriosos, muitos ainda não resolvidos e que intrigam a opinião pública até hoje. Crimes que dão literatura.

Crimes com grife. Yes, nós também temos psicopatas!

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Quinta-feira, Junho 21, 2007

Vamos a la Plaia?



Ian McEwan é um escritor inglês pelo qual sempre tive curiosidade de ler. Fui adiando, adiando, até ler um trecho do seu livro A Praia, que parece ser o lançamento do mês, tal o buchicho que a web literária está fazendo. O trecho está na coluna do Sérgio Rodrigues, no No Mínimo, que trata Sir McEwan como "um monstro". Como ainda não fui apresentado a este senhor, encaro com reserva tal elogio, mas estou a um passo de concordar, após ler o trecho abaixo. Antes de você lê-lo, é bom que saiba que a história se passa em 1962, quando explodia a chamada Revolução Sexual dos Anos 60 e é sobre os problemas que dois jovens inexperientes estão tendo na cama na sua noite de núpcia.

Vamos lá:

"Quando se beijaram, ela sentiu imediatamente a língua dele, retesada e robusta, avançar entre seus dentes, como um rufião abrindo caminho à força até um quarto. Entrando nela. A sua própria língua se dobrou e retraiu numa aversão automática, dando ainda mais espaço à de Edward. Ele sabia muito bem que ela não gostava desse tipo de beijo, e nunca fora tão impositivo. Com os lábios firmemente pregados nos dela, devassou-lhe o fundo carnudo da boca, e em seguida fez um movimento circular por trás dos dentes da arcada inferior até o vazio onde três anos antes um dente de siso crescera torto, para acabar removido sob anestesia geral. Era nessa cavidade que a língua dela normalmente se perdia, quando ela própria estava perdida em pensamentos. Por associação, tinha mais a ver com uma idéia do que com uma localização, era mais um lugar privado e imaginário do que um vão na gengiva, e a ela parecia estranho que outra língua também pudesse ter a permissão de chegar até lá. Era a ponta aguçada e dura desse músculo alienígena, vivo e palpitante, que a repugnava. A mão esquerda dele estava espalmada acima das omoplatas dela, logo abaixo do pescoço, alavancando a cabeça dela contra a dele. A claustrofobia e a falta de ar se igualavam quando ela decidiu que não suportaria ofendê-lo. Ora ele estava sob a língua dela, empurrando-a para cima, contra o céu da boca, ora sobre a língua, empurrando-a para baixo, e depois deslizando com suavidade pelos lados e em círculo, como se achasse que podia dar-lhe um nó simples. Queria enredar a língua dela em algum tipo de atividade própria, induzi-la a um abominável dueto mudo, mas ela só conseguia se encolher e se concentrar em não reagir, não ter engulhos e não entrar em pânico. Se vomitasse na boca dele – e esse era um pensamento desvairado –, o casamento estaria terminado num instante, e ela teria de voltar para casa e explicar aos pais. Entendia perfeitamente que esse negócio de línguas, essa penetração, era uma representação em escala menor, um ritual do que ainda estava por vir, como um tableau vivant, o prólogo de uma velha peça que anuncia tudo o que acontecerá em seguida.
Enquanto esperava que esse momento particular passasse, com as mãos apoiadas por convenção nos quadris de Edward, Florence se deu conta de que havia topado com um lugar-comum, bastante evidente em retrospecto, tão primitivo e antigo quando danegeld ou droit de seigneur, e cuja definição era quase tão elementar: ao decidir casar-se, foi exatamente isso que ela aceitou. Tinha concordado que era certo fazer isso, e que isso fosse feito com ela. Quando ela e Edward e seus pais seguiram em fila para a lúgubre sacristia depois da cerimônia, para assinar o registro, foi nisso que puseram seus nomes, e todo o resto – a suposta maturidade, os confeitos e o bolo – era só uma distração educada. Se não gostasse, a responsabilidade era só dela, uma vez que todas as suas escolhas ao longo do ano anterior convergiram para isso, a culpa era toda sua, e agora ela realmente achava que ia vomitar."


Então? Vai para o trono, digo, para a estante ou não vai?

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Quarta-feira, Junho 20, 2007

100 Crimes que compensaram


Sou averso a esta inflação de listas que têm sido publicadas na web nos últimos tempos. Mas essa lista eu não podia deixar de divulgar.
Que sou amante da literatura policial todos sabem. Uma vez alguém me disse que quem gosta muito de ler sobre crimes tem uma certa porcentagem de mente criminosa. Nunca parei para pensar em qual seria esta minha percentagem e também isso é algo que só discuto com o meu analista.
Mas a verdade é que sou apaixonado por qualquer tipo de livro policial e encontrei a lista dos cem melhores, elaborada pela prestigidíssima Crime Writers Association (of Great Britain). Tá certo que a lista é muito antiga (1990), deixando de fora muita gente boa, como o americano Dennis Lehane, o meu preferido da nova geração. Mas levando-se em conta quem elaborou a tal lista, vale a pena dar uma olhada.


Como sempre há injustiças, como o décimo lugar do clássico O Falcão Maltês, por exemplo. Mas, no geral, gostei das escolhas. A maioria são clássicos da literatura policial de todos os tempos. Se o crime é uma arte, alguns são verdadeiras Monalisas. Meu analista não pode saber que irei dizer isso, mas são crimes sofisticados, bem elaborados, inteligentes, charmosos e até bonitos. Pelo menos bonitos de ser lidos.


Qual a arte que pode haver em se arrastar uma criança pelas ruas como se fosse um Judas?

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Sexta-feira, Junho 15, 2007

Frases que a gente ouve ou lê por aí - IV



"A verdadeira dor, dança mambo. "


O maravilhoso Nelsão, por sinal o homenageado na próxima Flip, que começa dia 4 de julho.

Essa frase eu pesquei no maravilhoso texto A Arte de Perder, do jornalista Paulo Roberto Pires, do No Mínimo.

O texto fala de um dos problemas mais devastadores na vida de um ser humano: a perda do ente quereido (mãe, pai, marido, namorado, amigo, filho). Só quem passou por essa situação, concorda com Nelson Rodrigues quando ele diz que "A viúva de seu mítico subúrbio, não só não sofre calada como trepa no caixão e, sacudindo os ombros como uma dançarina de Perez Prado, grita de horror sobre o falecido."

Mas também tem Elizabeth Bishop, que diz que a superar a perda é uma arte.

Tenha você passado ou não pela experiência de uma perda, vale a pena dar uma conferida.
E quero agradecer a Vivien pela tomatada.

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Quarta-feira, Junho 13, 2007

Frio, chocolate quente e livros

Essas três coisas do título combinam muito bem. As editoras sabem disso e estão caprichando neste outono.


Uma cantora se recuperando do alcoolismo e lutando para sair do ostracismo, recebe um telefonema do crítico musical Ricardo Cravo Albin, que poderia lhe render uma proposta de trabalho. A cantora estava no Rio e volta para Maricá, onde residia, ao lado justamente da casa de Ricardo. Mas no meio do caminho havia uma ponte. A Ponte Rio-Niterói, onde ela se acidentou e ali morreu, aos 41 anos. Era o ensolarado sábado de 22 de janeiro de 1977.


Trágico? Pois é, a vida de Maysa tem um quê de dramático e tinha que acabar em livro. E tem tudo para se tornar a biografia do ano. Já que aquela foi proibida, a Editora Globo não perdeu tempo ao receber o SIM do diretor global Jayme Monjardim (Páginas da Vida), filho de Maysa. O livro parece ser interessante a começar pelo título : Maysa: só numa multidão de amores. Não poderia haver outro melhor, já que a vida da paulistana, nascida a 6 de junho de 1936, foi uma sucessão de amores infelizes e muita, muita, mas muita solidão mesmo! Não foi por acaso que o seu maior sucesso chamava-se Meu mundo caiu, que lhe garantiu o rótulo de cantora da fossa. Nos anos 60 foi apelida de "Janis Joplin brasileira", devido a sua tendência auto-destrutiva.


O jornalista Lira Neto revela Maysa de forma honesta, sem escândalos e sensacionalismo. Principalmente a vida misteriosa que a cantora teve nos anos em que viveu na Europa. Eram os anos 60 e talvez tenha sido o período mais conturbado na vida da cantora, que chegou a dormir em bancos de praça, tomou todas e precisou ser internada em clínica de desintoxicação, além de tentar o suicídio.
E resta a saudade desta cantora fantástica, corajosa, talentosa e muito à frente do seu tempo. Só nos resta ouvir suas interpretações inesquecíveis, que fizeram o exigente New York Times sugerir, no último natal, o cd Canção do Amor Mais Triste, como presente. Até o jornal americano percebeu a importância que Maysa teve em nossa música. Numa época em que as cantoras (Elis, Gal, Bethânia, Marília Medalha) soltavam a voz de forma cada vez mais emocional e cercadas de guitarras e percurssão pesada, ela foi o link entre as cantoras românticas do passado (Ângela Maria, Dalva, Elizeth) com o som da época e provou que cantar o que se vive e sente nunca sai de moda.


Pena que o público nem sempre lhe deu a devida atenção. E morreu só como sempre foi.


O que você deve estar ouvindo é uma gravação rara: Maysa nos anos 60, interpretando um clássico da música francesa, Cent mille chansons.



E quinta-feira, 14 tem...


OS AUTORES EM CENA

convidam você para a leitura dramatizada da peça


PISTA FALSA
DE
JOMAR MAGALHÃES

DIREÇÃO DE
ALEXANDRE BORDALLO


Com os atores:

Alexandre Bordallo
Janaína Noël
Marco Santos



ESPAÇO CAFÉ CULTURAL
DIA 14 DE JUNHO ÁS 21:30
RUA SÃO CLEMENTE, 409
ENTRADA FRANCA
ESTACIONAMENTO EM FRENTE

Não será permitida a entrada depois de começado o espetáculo

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