domingo, julho 29, 2012

Dossiê Chapada das Mesas



Morro do Chapéu, ícone da região, apesar de não ficar dentro do Parque.
Criado por um decreto do governo federal em dezembro de 2005, o Parque Nacional da Chapada das Mesas até recentemente só era conhecido pelos ecoturistas mais aventureiros.
Mas nos últimos três ou quatro anos, o lugar tem sido cada vez mais procurado por aqueles que querem uma nova opção às já famosas Chapadas Diamantina, dos Veadeirosdos Guimarães.
E em junho, precisei ir a São Luis para resolver um problema prticular e acabei embarcando nessa.
Fui sozinho e vou contar como foi. Não me considero um ecoturista, sou um turista comum, por isso, o que valeu para mim, pode valer para um grande número de viajantes. Vou passar algumas informações úteis, dicas, cuidados e também relatos de possíveis "esticadas", ou seja, destinos que dá para incluir no seu roteiro para a Chapada.
Vamos por tópicos:
Onde fiquei em Carolina
Já que você decidiu ir, por que não experimentar...
Lençóis Maranhenses?

Rio Tocantins visto da Serra da Torre da Lua.

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sábado, julho 28, 2012

O dia em que amei Carolina

Peguei um voo direto até São Luis. Mas foi por motivo particular. Não é a maneira mais prática para se chegar na Chapada.
Deixe-me explicar, o Parque Nacional da Chapada das Mesas é uma área de 160.046 hectares espremidos entre o Maranhão e Tocantins. Os municípios mais próximos são Carolina, Estreito, Riachão e Imperatriz. Este último é o único que dispõe de aeroporto com voos comerciais.
Mas é o que fica mais distante das principais atrações do Parque.
Na verdade, Carolina e Riachão são as cidades mais próximas do que deve ser visto. Dos dois, Carolina é a que tem melhor estrutura turística.
Resumindo: se você mora em outro estado e deseje ir chegar de avião, precisará ir até Imperatriz e depois, se deslocar para Carolina, há mais de duzentos quilômetros de distância.
Esta estratégia talvez tenha afastado muitos turistas da Chapada das Mesas, já que as suas concorrentes tem acesso mais fácil e mais estrutura.
Então, recapitulando: o mais prático seria pegar um voo até Imperatriz. Gol e TAM dispõem de voos para Imperatriz. Mas não são diretos, pois, na verdade, esses voos saem de Brasília.
De Imperatriz para Carolina há ônibus (Viações Transbrasiliana, Viação Açailândia ou LopesTur). Há também serviços de vans que ligam as duas cidades, mas não fica muito barato. Como eu já havia combinado um preço para que o pessoal da pousada onde fiquei em Carolina me pegasse em Imperatriz, não sei muito bem como funciona.
Também dá para ir de ônibus e até trem de São Luis para Carolina. Mas demora uma eternidade e acho que não vale a pena.
Para os corajosos que quiserem ir de ônibus do Rio ou São Paulo para Carolina, a Itapemirim tem ônibus direto para Estreito, cidade bem próxima.
Fiquei hospedado na Pousada dos Candeeiros e pedi para que eles me pegassem em Imperatriz.
Não sai barato, mas eu não estava a fim de ficar a mercê de ônibus. O trajeto entre as duas cidades é um pouco longo e a estrada tem altos e baixos, em termos de conservação.
Cheguei em Carolina por antes do anoitecer. Mas antes, paramos em algum ponto da rodovia para visitar a Pedra Furada para tirar fotos. E o que vi foi uma sequência muito bela de montanhas e formações rochosas de cor meio avermelhada, espalhadas em uma região muito verde, onde o Rio Tocantins serpenteia, por entre uma vegetação que mistura caatinga e cerrado. Nunca havia visto tal paisagem e achei demais.
Esta foi a minha primeira impressão que tive da região antes de chegar a Carolina.
A doce melancolia é o charme de Carolina.
Carolina também acabou sendo uma agradável surpresa.
Pessoas urbanas como eu costumam ter no imaginário aquela noção de uma pacata cidade do interior, onde todo mundo se conhece, as pessoas são carinhosas, recebem bem os forasteiros e a vida corre calma. Carolina representa tudo isso. É uma cidade deliciosa. Os que vem de metrópole, inicialmente vão se chocar com o rítimo lento do lugar. Mas quando a carga de estresse trazido começar a evaporar, a gente começa a se encantar com aquela "vidinha".
Quando decidi conhecer a Chapada, pensei que a cidade seria apenas meu ponto de apoio. Mas agora sei que Carolina também faz parte da aventura e passar alguns dias por lá foi uma das melhores coisas da viagem.
Pena que a cidade guarda uma história triste.

Prédio junto ao porto de Carolina. Resquícios de sua fase áurea.
Há cidades que decaíram devido a tragédias, desgraças climáticas ou problemas econômicos. Carolina decaiu por causa de uma canetada.
Quando, no início da década de 1960, o presidente Juscelino kubitschek assinou o decreto autorizando a criação da rodovia Belém - Brasília, passando a 100 km de Carolina, acabou determinando sua sentença de morte. Até então, o principal meio de transporte da região era o fluvial e por ficar à beira do Rio Tocantins, a cidade era o principal polo econômico-financeiro do sul maranhense, influenciando até mesmo regiões do Pará, Piauí e o norte de Goiás (hoje, Tocantins). A cidade contava até com um movimentado aeroporto, que hoje está às moscas.
Com a canetada de JK, o crescimento econômico se afastou para Imperatriz. Houve um esvaziamento na população da cidade, que hoje está em 23 mil habitantes e Carolina voltou a ser apenas mais uma cidade no interior de um dos estados mais pobres do Brasil.





Balsa atravessa o Rio Tocantins de Carolina (MA) para Filadelfia (TO).

Acho que demorou para perceber que a riqueza da cidade estava em seu potencial hidrográfico, que tornam as terras férteis. E a criação do Parque Nacional da Chapada das Mesas fez a ficha da população cair para as possibilidades turísticas da região.
Meninos curtem um tchibum nas águas limpas do Tocantins,ao entardecer.
 
Para a sorte de Carolina, as águas do Tocantins ainda são despoluídas, assim como todos os seus afluentes na região.Infelizmente, a cidade sofreu recentemente outro golpe. A construção de uma usina hildrelétrica anos atrás, aumentou abruptamente o nível do rio e todas as praias fluviais da região desapareceram, inclusive pequenas ilhas. A relação quase afetiva que a população tinha com o Tocantins foi alterado de uma hora para outra e com a pesca prejudicada, muitas famílias tiveram redução em sua renda.

Pelo menos, restou a belezado por do sol, um dos mais lindos que já assisti.
Carolina é uma cidade sem atrações turísticas e isso é ótimo!
Deixe-me explicar: essa ausência de ter o que visitar na cidade faz com que o visitante possa desfrutar da arte de apenas flanar pelas ruas, como se fosse um local. Sem pressa e sem estresse.
Retificando: Carolina tem um único ponto turístico. A sua própria vida rotineira. Por isso, reserve pelo menos a metade de um dia (se possível, à tarde) para se jogar no ócio interiorano. Mas não se esqueça de munir-se de uma garrafa d´água, pois faz um calor enorme na região e, dependendo da época do ano, a umidade está quase sempre baixa.
Eu fiz isso no meu penúltimo dia na cidade, quando já estava um bagaço de cansado, depois de dias inteiros passados fora nos passeios. Então, aquele foi o dia em que conheci e amei Carolina.
Caminhe sem pressa, entre nas lojinhas (compras? só lembrancinhas), sente-se no banco da praça Joaquim Leal. No local, há lugares para bebericar e fazer uma boquinha (mas não dá para almoçar ou jantar). Sente por ali e apenas assista a vida correr. Quem sabe, se você não aproveita para...

Guaraná Jesus e sua co-irmã.
...conhecer essa verdadeira instituição maranhense. Alguns anos atrás a Coca-cola comprou o Jesus, mas manteve o compromisso de comercializá-lo apenas no estado. Por isso, não perca a chance de saborear esse soft drink róseo e de gosto indefinido (algo como um xarope gasoso). Recentemente, a Coca lançou a versão Jesus Zero, que enfureceu os católicos maranhenses. E ela foi obrigada a adicionar a palavra "caloria". Não percebi tanta diferença assim na versão Zero. Seja como for, não deixe de provar Jesus. No primeiro gole, você vai pensar em jogar o resto da lata fora. Mas, uma força tão inexplicável quanto a fé, irá fazer você querer mais e mais.

Não deixe de entrar na Igreja de São Pedro de Alcântara, na avenida Getúlio Vargas. E uma dica: atravesse a rua, em seu lado esquerdo e vá até à administração da igreja, peça para ir até a torre dos sinos. Alguém irá acompanhar você para abrir a porta de acesso. Lá de cima tem-se uma bela vista da cidade e seus arredores.
Avistar o por de sol lá de cima deve ser inesquecível. Mas se não der, vá até o porto mesmo, que também é muito bonito. Aliás, lindo mesmo. E aquela região tem uma luminosidade diferente, desde o primeiro momento em que cheguei já percebi que era um ótimo lugar para se bater fotos.
E aí bate a fominha e a pergunta: onde acabar com ela?
Provavelmente, tirando o café da manhã,  você só vai comer em Carolina à noite, porque o resto do dia deve ser gasto nos passeios. E o Espaço Goumet (Praça José Alcides De Carvalho) é o local mais bacana que encontrei. Preços bons, atendimento atencioso. Só experimentei pizzas e achei muito gostosas. Mas o local tem outras op~ções. Recomendo o sorvete de manjericão. Tem mesas na parte externa que são uma delícia para bater papo e curtir mais a cidade. Aceita-se cartões.
Na pracinha em frente ao Gourmet há bares com comidinhas. A Tio Pepe Pizzaria me pareceu a mais convidativa. Cheguei a comer uma pizza neles. Mas achei a do Gormet mais saborosa.
Quando ir a Carolina? Olha, pelo que descobri a melhor época vai de junho a setembro. Depois disso, as chuvas retornam e a Chapada perde o seu brilho. Mas considere que julho é mês de férias. Então, as tarifas sobem e pode haver certa muvuca. Como as praias do Tocantins foram exterminadas, o povo só tem agora os rios, as cachoeiras e os poços para se refrescar do forte calor da região.
Procure fazer seus passeios durante a semana. Acho que nos finais de semana, alguns lugares podem estar cheios.
Conforme eu esperava, peguei dias muito bonitos, nenhuma chuva e temperaturas suportáveis.
Li não sei aonde que junho e julho as temperaturas são mais amenas. E parece que é verdade, pois o calor não estava nada insuportável. À noite, refresca bem e pela manhã cedo rola até um friozinho.
Quer saber? Acho mesmo que junho é o mês ideal. Tarifas mais baixas, sem muvuca e pouca chance de chuva. Se você quiser combinar com São Luis, melhor ainda, pois a cidade estará fervendo com os festejos juninos. E nos Lençóis, as lagoas já devem estar cheias.
O que levar? Roupas leves e simples - a cidade não pede muita grife e ostentação. Chapéus (obrigatórios
Em resumo, conhecer Carolina não é turismo e, sim, uma experiência. Embora seu objetivo maior seja a Chapada, não deixe essa cidadezinha muito simpática lhe passar despercebida.
Para saber mais sobre a cidade, informações úteis e curiosidades, Merguhe aqui. E aqui, mais fotos.
E este mapinha pode lhe ser útil.
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Chapado pela Chapada

A empresa Torre da Lua pertencia ao genro do dono da pousada onde fiquei hospedado em Carolina, a Pousada dos Candeeiros. Logicamente, quando perguntei sobre os passeios, eles a me indicaram. A Torre da Lua, por sinal fica do outro lado da avenida, em frente a pousada.
Neste ponto, vale a pena um comentário. O Parque da Chapada das Mesas ainda não é muito conhecido e o número de visitantes, apesar de estar aumentando, perde feio para outros pontos mais turísticamente explorados, como os Lençóis Maranhenses, por exemplo, ou até mesmo as outras Chapadas. Talves isso explique o despreparo e certos pontos negativos que ocorreram durante os passeios.
Eu havia ido sozinho e, como em qualquer lugar turístico, você tem que pagar o preço total do passeio, caso não haja ninguém disposto a dividir com você. Eu já sabia disso. E vou logo avisando, os passeios cobrados pela Torre da Lua não são nada baratos.
Por isso, no dia seguinte, quando o guia me chamou no escritório da agência e disse que havia um casal, que por sinal estava num quarto vizinho ao meu na pousada, querendo querendo conhecer a Serra da Torre da Lua, aceitei.
Um aviso: caso você decidir pagar no cartão e queira dividir, pergunte se haverá juros. No meu caso, decidi dividir em duas vezes. Com a atual inflação, não é comum se cobrar juros sobre duas parcelas.Por isso, nem perguntei e o guia concordou sem dizer nada. No embalo do passeio, realmente não conferi na hora da autorização. E...eles me cobraram com juros. Cuidado!
Racharíamos o passeio. Ele só não me avisou que iríamos no carro do casal.
A fila de caminhões esperando para embarcar na balsa que os levará a Filadélfia.
O passeio para a Torre da Lua (que deu origem ao nome da agência) fica no município de Filadélfia, que fica do outro lado do rio Tocantins, em frente a Carolina. O acesso à Serra fica dentro da propriedade do dono da Pousada dos Candeeiros, logo só a Torre da Lua faz este passeio. O guia me explicaria depois (do passeio) que o trajeto entre Carolina e o acesso à Serra é feito normalmente de barco. Mas o casal havia decidido ir em sua 4 x 4 para baratear ainda mais o custo.
Só que o guia se esqueceu de informar que, além de a viagem ser muito mais demorada, teríamos que pagar a balsa até Filadelfia. E que o preço é caro. Apenas uma empresa explora a navegação entre as duas cidades e tira muito proveito disso.
A travessia na balsa foi o primeiro ponto negativo do meu relacionamento com a Torre da Lua. A espera pela balsa é longa e a própria balsa é muito lenta. Quando chegamos do outro lado, percebemos que o que "poupamos" no custo, perderíamos no tempo. Um pouco mais de profissionalismo do guia teria evitado tal aborrecimento.
Bem, de qualquer maneira, o passeio valeu a pena.
Fomos de carro até onde era possível, cortando uma vegetação densa, metade caatinga; metade cerrado. Nuna havia tido essa experiência. É algo bem rústico e aventureiro. Bem on the road. É a minha cara. Mas se não é a sua, nem perca tempo em ir para a Chapada. Se o seu negócio é andar de van refrigerada, fuja.
Quando não deu para a 4x4 prosseguir, começou a caminhada na trilha. Não é nada de matar, mas pode "matar" quem não está acostumado. Não me lembro quanto tempo passamos subindo. Não foi pouco e envolve subida. Por sorte, há duas paradas para descanso e se molhar a cabeça em pequenas quedas d´água deliciosas.
Se quiser fazer o passeio, leve tantos litros d´água quando for possível e frutas.
Acho que crianças de qualquer idade não devem fazer. Adolescentes, só os com disposição para esse tipo de atividade.
Paramos ainda na casa da família que cuida da propriedade e foi uma delícia passar alguns momentos tendo contato com aquela vida tão simples. Um fascínio para urbanos como eu.
Mas a tal família não estava em casa e seguimos nossa caminhada até o alto da Serra.

E o visual lá de cima é de uma beleza impar. Tipo assim Arizona ou Novo México em versão cabocla.  As Chapadas brasileiras têm cada uma sua particularidade. E a das Mesas é essa sequência de formações rochosas em forma de montes, ora cobertos por uma vegetação típica da região; ora deixando a mostra rochas de coloração bem avermelhada.
Pirei. Ou piramos. Foi realmente difícil nos tirar lá de cima.
Mas infelizmente tivemos que voltar.
Aí, aconteceu outro vacilo do guia. Ele simplesmente não avisou para a família que vivia na propriedade e não pudemos almoçar lá, como estava previsto.
Resultado: chegamos em Carolina verdes, no início da noite.
Moral da história: se você for fazer passeios com a Torre da Lua, procure deixar as coisas bem claras, quanto a preço, despesas extras e locais para almoço.
Minha opinião sobre este passeio: vale muito a pena. Mas não é para qualquer um. Faço trilhas com frequência, então não "morri". Mas considere que é um trecho de leve a moderado e considere também o calor do local. Não levaria crianças. Adolescentes e idosos, só os com boa forma física.
Além do visual, o legal foi o contato com a natureza e o estilo de vida dessa região única onde o cerrado encontra a caatinga. É um passeio que tem que ser experimentado, vivido.
Recomendo para...: amantes de trilhas e aventura.
Estilo: on e off road.
Em uma frase: passeio diferente que, apesar dos problemas, valeu muito ter feito. Recomendo.
Espero que a Torre da Lua seja um pouquinho mais profissional.
Mais Chapada:
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Cachoeira de Santa Bárbara, Poço Azul e Encanto Azull

A enigmática Cachoeira de Santa Bárbara, em Riachão.

Finalmente conheci a minha primeira celebridade da Chapada. Mas para isso, tive que ir a Riachão, a 130 km de Carolina. A viagem é um pouco longa para um passeio. A estrada estava passando por conservação, o que aumentou a demora.
Aqui vai um comentário: todos os passeios que vendem para você em Carolina (cachoeiras, trilhas, poços) são realizados dentro de alguma propriedade particular que cobra uma entrada. Geralmente não é muito. A  Torre da Lua não incluiu a taxa no preço do passeio. Por isso, se você decidir fazer o passeio com eles e o guia "se esquecer" de mencionar esses extras, pergunte, barganhe, combine tudo antes.
Bem, chegando na fazenda onde ficam as atrações do dia, deixamos o carro no restaurante, onde é bom você deixar reservado o almoço. O atendimento é péssimo e os preços salgados pelo o que é ofrecido. Não há muitas opções.
Reservado o almoço, seguimos por uma pequena trilha que nos leva até a primeira atração: a Cachoeira de santa Bárbara. É uma enorme queda d´água, que despenca de uma altura de cerca de 75 metros (parece mais) e cai num poço de águas profundas e, por isso, de tom verde-escuro. A queda é mais forte do que parece e provoca um vento que deixa as águas turbulentas. O barulho do choque da queda d´água é enorme, talvez por que tudo acontece dentro de um poço profundo.
De repente, me dei conta de que estávamos entre o cerrado e a caatinga e fiquei admirado por encontrar uma queda como aquela.
Um lugar realmente bonito, mas um tanto enigmático (leia-se: sinistro). Os banhos são permetidos. Mas não havia ninguém nadando. Intuitivamente, algo me disse para não entrar. Como o guia também não se animou, partimos para a próxima atração.
Mas antes, cabe um aviso importante: cuidado com a sua câmera ao fotografar essas cachoeiras. O vento úmido provocado por elas pode estragar o seu equipamento. O ideal é uma máquina à prova d´água ou com aquelas caixas estanques.

Andando mais um pouquinho, chegamos a um local chamado Poço Azul. Ou seria Verde? Alguém poderia, por favor, descrever a cor deste poço cercado por pequenas quedinhas d´água, onde peixinhos coloridos nadam junto com você? O guia me explicou que a razão para aquela tonalidade da água era alguma coisa envolvendo arenito com rochas vulcânicas. Mas eu não estava muito interessado. Só queria mergulhar ali, como se disso dependesse a minha sobrevivência.
 Vamos dizer que a cor da água é azul-piscina. Mas não é uma piscina. È um poço, um lago ou seja lá o que for. Mas é um dos locais mais incríveis que já vi.
Conforme o guia havia me dito, a água ali é muito mais gostosa. Mas se você não sabe nadar, é melhor ficar próximo às pedras, pois a profundidade passa dos 5 metros.
O grande barato ali é deixar que as pequenas quedas d´água massageiem sua nuca durante loooooongos minutos. Seu corpo irá lhe ser grato.
Não sei quanto tempo ficamos ali, só sei que foi difícil sair. Só o Poço Azul já teria valido a pena a ida até a Chapada. Mas muitas emoções ainda me aguardavam.
Um detalhe: o guia me forneceu máscara de mergulho, mas não snorkel. Não é tão necessário assim, mas quebra um galho. Vale a pena levar o kit completo.
Nadando em estado de graça no Poço Azul.
Enfim, almoçamos. A comida até que estava gostosa. Senti falta de uma redinha para uma cochilada. O guia me falou que na alta temporada o lugar enche. Então, por que não oferecer mais conforto?

Encanto Azul. Tipo assim, Xanadu.
Quando pensei que nada mais fosse me surpreender, seguimos mais uma trilhazinha e acabamos chegando num lugar chamado Encanto Azul. Era um novo poço com água de um azul surpreendente, rodeado por rochas de diversas cores...
Onde está aquela cigana que um dia me disse que eu encontraria no sertao um lugar com ares de Xanadu e me banharia nele sozinho? Ela deve trazer o ser amado via download!
O Encanto Azul foi um dos pontos altos da Chapada. Àguas muito tranquilas e, assim como o Poço Azul, com várias pequenas quedas d´água para você se energizar. Lindo! Os dois locais existem graças ao Rio Cocal, que abastece essas duas jóias.
Só senti falta de mais sol, pois os raios solares são barrados pelas rochas e a vegetação. Chega uma hora que a água começa a ficar fria. O guia me disse que por volta de setembro o sol penetra mais no local e a água fica mais agradável.

Seja como for, as horas que passei ali dificilmente serão esquecidas.
Vá para o próximo post, Complexo Turístico da Pedra Caída.
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Cachoeiras do Prata e São Romão


Cachoeira do Prata, abundância de água no sertão do Maranhão.
O Rio Farinha é um afluente do Tocantins e em determinado ponto ele causa  duas enormes quedas d´águas. Mas para vê-las você tem que se afastar 40 km de Carolina.
E foi mais uma viagem cheio de aventura, numa 4x4, por estradas de terra, passando por dentro de diversas propriedades.
Primeiro, chegamos na Cachoeira do Prata, que me surpreendeu pelo volume. Milhões de litros de água sendo despejados de rochas de formatos estranhos. Nenhuma cachoira na região da Chapada é igual a outra. Todas tem o seu...digamos, estilo.
O guia logo me avisou que ali não era o melhor lugar para tomar banho e concordei com ele. Foi bom ter conhecido a do Prata, mas não rolou aquela química.

Fomos, então, para a Cachoeira de São Simão, ali perto. Mas tem que ir de 4x4.
E se eu havia me espantado com o volume da primeira...essa era uma miniatura de Iguaçu, em pleno sertão.
Só isso já justificaria uma visita. Mas São Romão tem um segredo.
Todaas as cachoeiras que havia conhecido antes, eram para ser apreciadas de frente.
Mas São Romão é para ser curtida por trás.

Isso mesmo, senhoras e senhores. Por uma passagem ao lado da queda, você consegue dar a volta por trás desta cascata gigantesca.
Se você não gosta de emoções fortes, nem tente. O vapor d´água lançado por ela é assustador (turva a visão e lhe empurra contra as pedras) e o barulho lembra um monstro querendo lhe devorar. O guia me disse que nos meses de chuva, essa façanha fica proibitiva devido ao volume d´água muito mais forte.
Nem pense ir com crianças. E nem ouse levar uma máquina fotográfica que não seja á prova d´água ou que não tenha caixa estanque.
Vá subindo com calma, agarrando-se nas pedras.
Momento faça o que eu escrevo, não faça o que eu fiz: vá descalso e não de havaianas. Escorrega pacas!
Nem todos conseguem ir até o final, pois a primeira reação é voltar.
Mas essa sensação de perigo dura apenas uns dois minutos e quando você chega lá trás, não quer mais sair. Foi uma das maiores experiências que já tive em viagens. Deixar um dos jatos da cachoeira espancar sua nuca, eliminando os restos de estresse que, porventura, ainda existam, não tem preço. 
Acho que é meio isso, existem viagens e experiências. Ir a Chapada das Mesas não é só conhecer um lugar bonito ou comprovar o que você pode ver pelas fotos. É ter experiências, vivenciar coisas.

Andorinha enfrentando as águas pesadas da Cachoeira de São Romão.
Você sai da traseira da São Romão tão energizado que se sente um guri(a) de 15 anos.
Toda essa água vem do Rio Farinha, que depois segue o seu curso e ao longo do seu trajeto, existem pequenas prainhas. Uma delas pode ser acessada por uma pequena trilha a partir do restaurante, onde deixamos a 4x4. As águas são limpíssimas, calmas e rasas. Tomar banho de rio ali foi outra experiência.
O almoço foi bem melhor do que lá em Riachão. A propriedade onde ficam as cachoeiras contam com chalés, para quem perder a hora e não quiser encarar a estrada à noite.
E depois, foi só voltar para Carolina no final de uma tarde belíssima. Krak, que dia!
Você pensa que minha experiência na Chapada acabou? Ha-ha-ha.
Vá para o próximo post, Complexo Turístico Pedra Caída.
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Complexo Turístico da Pedra Caída e suas mulheres

O Complexo Turístico da Pedra Caída é um enorme parque, envolvendo várias cachoeiras, piscinas (convencional e natural), bares, quadras de esportes, etc. É bem acessível. Fica na estrada que liga Carolina a Imperatriz, entre a primeira e Estreito.
Quem estiver de carro, pode optar por ir sem guia. Mas chegando lá, será obrigado a contratar um guia do parque. Deu pra entender? Não dá para visitar as cachoeiras sem um guia. Eu recomendo ir através de uma agência porque as visitas às cachoeiras com os guias do parque, pelo que eu soube, são muito rápidas e acontecem somente em dois horários por dia (9h da manhã e 14h). Quando você vai com o seu guia, você visita assim que chegar e fica o tempo que quiser.
Aí vai um outro comentário: você paga por cada cachoeira que for visitar. Esse mês o valor estava em R$ 15. Como são muitas, não acho sensato tentar conhecer todas. Fica caro e vai rolar estresse. Por outro lado, nem todas são interessantes, pelo que percebi.
Mais uma vez, a Torre da Lua não quis incluir o valor das entradas no preço do passeio. Se você quiser fazer com eles, insista, barganhe, chore. Vai que você tenha mais sorte!
Vou relatar apenas as cachoeiras que eu fiz. Vamos lá!
A Pedra Furada foi recomendada pelo guia. E achei diferente de todas as cachoeiras que eu havia visto até então. Se fosse uma mulher, seria bem elegante e minimalista, com um vestidinho preto e sapatos da Gucci. Nada espalhafatosa e barulhentas como as outras. Não, a Pedra Furada tem classe. Joga seu jato d´água de forma cool, num poço profundo e com água escura, mas limpíssima. A vegetação tropical a sua volta são os únicos acessórios permitidos em seu visual clean. Como uma mulher que se cuida, ela não deixa o sol entrar em seu poço, com isso, as águas são um tanto frias, tadinha. Mas dá para tomar um banho gostoso.

A Cachoeira da Caverna é mais, digamos assim, ordinária. Não que seja desinteressante, tipo bagaceira ou piriguete. Nada disso. Mas é que, de todas, é a única em que a principal atração não é a cachoeira em si, mas o caminho para se chegar até ela, uma caverna cheia de morcegos. Parece ser, à princípio, a maior furada, mas essa aventura acaba criando o grande diferencial positivo desta queda d´água. A caverna toda em arenito é mesmo muito interessante. A luminosidade cria nas paredes rochosas desenhos e formas coloridas de extrema beleza. Além disso, o lago onde a água desaba com força, tem águas mais quentes e mais agradáveis para um banho.
Recomendo.

A Cachoeira do Capelão é muuuuito bonita. Assim como a da Pedra Furada, é minimalista. Não tem a elegância da primeira, mas tem muita imponência, tem personalidade. Para mim, de todas, é a melhor para se tomar banho. Mas o poço é fundo e se você não sabe nadar, fique no raso. A água verde-escuro é mais quentinha também, Uma delícia! A beleza desta Cachoeira está na fina queda de águas muito brancas pelo paredão de arenito negro. Seria a pole pole position, não fosse...

E enfim, depois de passar por uma pequena cachoeira chamada Cachoeira da Lua, chegamos à Gisele Bündchen do Parque da Pedra Caída: uma cachoeira chamada Santuário. E novamente, uma surpresa. Eu já havia visto fotos dela na internet, mas até hoje meu maxilar está doendo de tanto que fiquei de boca aberta.
Trata-se de uma queda muito forte que desaba num poço de águas meio azuladas. Chega-se a ela por um extenso corredor formado por cavernas, por onde corre uma espécie de riacho, cercado por muitas pedras. Não é um acesso muito fácil. Mas sacrifício será recompensado.
Durante um trecho do dia, o sol consegue prenetrar no buraco por onde a cascata desaba, e produz imagens meio psicodélicas nos paredões. Timothy Leary(grande defensor do LSD nos anos 60) e Jerry Garcia(líder da banda Grateful Dead e ídem) deveriam ter passado por ali. O efeito é espetacular. Em junho, quando estive lá, o sol entrava por volta do meio dia e ficava até por volta das duas. Procure ver com o guia a que horas o "show" irá começar na época que você for. É impressionante.
Apesar de toda a beleza, não é muito boa para nadar. A queda é forte e provoca um vento com respinto d´água violento, já que é de todas a mais fechada. Nem pense em levar sua máquina se ela não for à prova d´água. O poço é profundo e o vento deixa as águas agitadas. Há até uma certa correnteza. Reparei também que - não me pergunte por quê - mas a corrente suga você lentamente  na direção da queda, o que pode ser um desastre. Eu não levaria crianças para ali.
Sem dúvidas o local mais bonito do Complexo da Pedra Caída.

E foi assim, com chave de ouro, que fechei a minha saga na Chapada das Mesas, pois, naquele mesmo dia, sob um entardecer cinematográfico, eu embarcaria para Imperatriz para pegar meu voo de volta a São Luis.
Parti, mas a Chapada ainda está na minha mente, na galeria dos locais mais interessantes que conheci.
O que deixei de fazer? Não fui ao Morro do Chapéu, símbolo da região. Ele não fica muito distante de Carolina e seus 378 metros são acessíveis por uma trilha que, segundo descobri, é um pouco pesada para quem não está acostumado. O casal que foi comigo para a Serra da Torre da Lua me disse que gostou mais da vista da Torre. O guia confirmou (mas ele é um dos donos da propriedade onde fica a Torre, por isso é suspeito). Fiquei com a impressão de que o Morro do Chapéu é mais bonito visto assim de longe. Aliás, ele é visto de quase todo o parque e é o cartão-postal da região.
No município de Itapecuru (cerca de 33 km de Carolina) existem cachoeiras quase nas margens da rodovia BR-3203 que caem num grande lago, onde existe uma prainha. Nos dias calorentos, o povo da região corre todo para lá. Deve ser legal.
Não tive tempo para fazer tudo, mas certamente fiz o essencial e espero ter ajudado você a decidir por conhecer ou a  planejar sua viagem para este lugar para lá de interessante.
Abraço!

Quer voltar para o início? Mergulhe aqui.




São Luis?

Dois "caipiras" distribuindo folhetos sobre as festas juninas no aeroporto de São Luis.
Quem leu aqui, sabe que precisei dar uma passada em São Luis antes de partir para a Chapada.
Era a terceira vez que chegava a esta cidade, que apesar de não ser a capital mais interessante do nordeste, merece sem dúvidas ser visitada.
A primeira vez, em 2004, fui para conhecer os Lençóis.
A segunda foi em junho do ano passado, para cruzar o Delta do Parnaíba até Fortaleza.
Dessa vez, pude curtir a cidade com mais intensidade.
O Restaurante clássico de São Luis e seus pasteizinhos com geléia.

Assim que resolvi tudo, corri para o Maracangalha. Devorei um delicioso cordeiro acompanhado pelos tradicionais pasteis com geléia de pimenta. Sabor inesquecível.
O Maraca é muito badalado entre os turistas. Não é baratinho, mas merece ser conhecido. Ambiente simples e atendimento gentil. Aceitam cartões.
Seu grande rival é o Cabana do Sol. Como o Maracangalha, também fica no bairro Farol de São Marcos (Rua Joao Damasceno, 24 A). É maior, enche muito mais e o ambiente é um tanto mais sofisticado. Os preços são altos, mas a quantidade da comida é um abusurdo, um escândalo. Dá para três pessoas tranquilamente.
Gosto mais do primeiro. Mas quem quiser conferir, mergulhe aqui
Kite-surf na Praia de São Marcos com a maré ainda baixa.
Depois de forrar o estômago, fui dar um giro na praia. Nesse ponto, vale um comentário sobre as praias de São Luis e a razão de eu ter me hospedado no Centro Histórico.
A orla de São Luis é muito simpática e a melhor praia, na minha opinião, é a do Calhau. Há boa estrutura de hoteis, bares, quiosques e restaurantes. A noite ali é animada.
Assim como acontece em toda orla norte da região nordeste, mais próxima da Linha do Equador, as praias do Maranhão tem uma variação enorme de maré. Não pense que você vai colocar sua cadeirinha de praia e ficar das 8h até o último raio de sol, confortavelmente no mesmo lugar. Quando a maré recua, você anda quilômetros até a água chegar a uma altura razoável para um banho; quando ela volta, devora quase toda faixa de areia.
Além do mais, acho que ficando na orla, você vai ver prédios bonitos, um calçadão, quiosques e uma praia. Coisas que você vê no Rio, em Fortaleza, em Recife, em Maceió...enfim, um cenário comum. Além do mais, em boa parte do ano (dezembro a junho), São Luis tem um clima meio instável para se pegar uma praia. Então, se São Pedro estiver de mau humor, só vai restar a você caminhar no calçadão ou encarar a piscina do hotel.
Palácio dos Leões, sede do governo maranhense.
Com toda decadência e abandono, o Centro Histórico de São Luis continua único. É a parte mais autêntica e original da cidade. Na minha opinião, ficando ali, você mergulha mais fundo no que a cidade tem de mais interessante.
Se você pretende ir a Alcântara por conta própria, sem contratar nenhum passeio - o que acho a melhor opção -, você terá que ficar mesmo no Centro, pois, dependendo da maré, o barco sai muito cedo.
A oferta de pousadas no Centro é grande. A mais badalada é a Portas da Amazônia.
Gosto muito do Grand Hotel São Luis. Fica num lugar trânquilo e seguro (próximo a sede do governo maranhense). A localização no Centro Histórico é importante, pois na época de festas, quase todo Centro fica barulhento até o início da madrugada.
O Grand Hotel São Luis parece uma ilha de silêncio e paz, mas a poucos metros do que São Luis tem de melhor. A Portas da Amazônia fica bem no centro da muvuca e deve ser problemático para dormir.
La Pizzeria, deliciosa novidade na noite do Centro Histórico.

No Centro Histórico à noite, há muitos bares, mas poucos restaurantes. O Antigamente é o bar mais famoso da região. Mas não o recomendo. O atendimento é péssimo, os preços são injustos e a comida deixa a desejar. Além do mais, a máquina do cartão costuma estar com defeito.
Se o seu desejo é petiscar, sentado numa mesa ao ar livre, enquanto toma algo, sugiro o  estabelecimento ao lado, o Le Papagaio Amarelo. Achei  a comida bem melhor, os preços mais justos e o atendimento infinitamente mais atencioso. Sugiro como aperitivo, a porção de pastéis que já vem com a tradicional geléia de pimenta. Não é tão saborosa quanto a do Maracangalha, mas acabam sendo uma delícia ao ar livre, tomando umas e curtindo a boa música que sempre rola na porta do Antigamente, ao lado. Para mais detalhes, mergulhe aqui.
Mas se você quiser um lugar mais aconchegante, com boas comidinhas italianas e preços muito bons, a La Pizzeria, que funciona ao lado da Poudada Portas da Amazônia, na Rua do Giz, 29. Só abre à noite. O atendimento é eficiente e atencioso. O ambiente é tão gostoso quanto a comida. Mais detalhes, aqui.
Se der, sente-se junto à porta para se deliciar também com as figuras típicas da noite no Centro Histórico de São Luis.
Na época dos festejos juninos (que, na verdade também são julinos, pois rolam até o início de julho) o Centro Histórico ferve. Em diversos pontos, principalmente nas praças Nauro Machado e Valdelino Cecio e na rua Portugal, nos arredores da Secretaria de Estado do Turismo.
Embora esteja longe de ter a grandiosidade das festas em outras regiões do nordeste, como Caruaru (PE) ou Sergipe, por exemplo, os festejos juninos maranhenses têm o seu charme. São muuuuito mais modestos e, por isso mesmo, mais autênticos.
São Luis tem dois grandes arraiás promovidos pela prefeitura. O que acontece na Praça Maria Aragão, próximo ao Centro, é o mais poular e mais concorrido. Mas também o mais simples.
Prefira o que rola nas margens da Lagoa da Jansen. É mais bonito e com melhor estrutura. Parece que todas as classes sociais se encontram lá. Testei e aprovei. Na noite em que fui, a governadora estava presente. Não sei se foi por causa disso, mas havia uma certa organização e muita segurança. Não se preocupe com o táxi para a volta. Havia vários deles a postos. A apresentação dos grupos era bonita e os intervalos entre um e outro não era grande.
O arraiá começa por volta das 19h. Chegue um pouco mais cedo para ver se consegue mesa. Há muitas barraquinhas vendendo comidas típicas. Os preços são amigos. Sugiro um prato do arroz de cuxá.
Este site aqui costuma divulgar a programação dos dois arraiás.
Um outro arraiá muito disputado é o do São Luis Shopping, mas achei que fosse um truque para atrair clientes e não me interessei em obter mais informações.
As Dunas na Praia de Carimã, em Rapoza.
Como falei antes, não sou muito fã das praias de São Luis. Acho que o visitante deveria gastar seus dias por lá, fazendo quatro coisas indispensáveis: conhecer bem o Centro Histórico, conhecer Alcântara, Curtir Rapoza e passar por São José do Ribamar. Esses dois últimos, municípios da Ilha de São Luis.
Bem, sobre o Centro Histórico, darei algumas dicas ainda neste post. Mas Alcântara merece um post à parte.
Quanto os outros dois, você pode conhecê-los num único dia. Há empresas que promovem passeios tipo três em um. Mas como 3 em 1? É que nos arredores de Rapoza há manguezais, rios e pequenas ilhas que estão incluidos no pacote. Mas tudo no estilo pá-pum! É o ideal para quem não tem muito tempo a perder, antes de ir para os Lençóis ou as Chapadas.
O problema é que tudo é muito rápido demais e se resume no seguinte: passeio de barco por um rio cheio de manguezais, pausa para mergulho na Ilha de Curupu, chegada em Rapoza, pega-se o barco para o outro lado o rio, onde ficam "as fronhas" (uma sequência de dunas brancas com algumas lagoinhas em volta, que servem de prévia para o que o visitante vai encontrar nos Lençóis. Entenderam?)
Achei a praia de Rapoza (a 28 km do centro de São Luis) muito agradável. Lembra um pouco Galinhos, no Rio Grande do Norte. Se o tempo estiver bom, vale a pena gastar um dia ali. Mas no passeio "comprado", eles vão ficar muito pouco tempo. A desculpa é a maré. Não sei se procede.
Depois, eles vão levar você para o chamado "corredor das rendeiras" na rua principal. Achei o lugar deprimente. É uma sequência de palafitas, onde se vende produtos de gosto meio duvidoso. Além do cheiro de lama, sente-se o cheiro de armadilha para turistas.
Aí, vem o almoço, e eles levam você para um enorme restaurante, repleto de turistas. Atendimento muito esforçado, mas sofrível.
Depois, eles vão levar você para São José do Ribamar (32 km da capital). Município que não tem muito a oferecer. Uma ou duas horas já são suficientes para se conhecer tudo (visita a Igreja de São José, a imponente estátua do santo (foto) e a réplica da gruta de Lourdes, construída em 1957.
As praias não me pareceram muito convidativas.
No final da tarde, volta-se para São Luis.
Qual a vantagem do passeio comprado? Visita-se as duas cidades em apenas um dia. Além do mais, visita-se nos horário certos, pois as empresas têm informações sobre o movimento das marés e, por isso, sabem qual período ideal para se atravessar o rio. Sem essa informação, você corre o risco de chegar tarde demais ou ficar plantado no cais.
O que eu faria?
Primeiro, contatar a Janio Tour, R. do Coqueiro, 1904, Raposa, 8827-6201 / 9613-8092, janiotour@hotmail.com  ou a  Fox Tour, R. do Coqueiro, 104, Raposa, 3329-1332 / 1071 / 9602-4377 / 8445-3320, para saber da maré.
Então, alugaria um carro em São Luis e - se possível - conheceria primeiro São José do Ribamar e ficaria o resto do dia em Rapoza.
Eu deixaria para almoçar em São Luis, no fim da tarde. Mas se a fome falar mais alto, aí está um listinha de lugares para assassiná-la:
* Rest. Capote, Av. Principal, 3, Vila Bom Viver, 3229-1512 / 1630
* Rest. Fazendinha, R. da Prata, 100, Inhaúma, 3229-1540
* Rest. Natureza, Av. Principal, 180, Inhaúma, 3229-1728 / 9971-6517
* Rest. Palhoça, R. do Coqueiro, 57, Garrancho, 3229-1501
Também é possível ir de ônibus, porém tenha em mente que é infinitamente mais demorado e não sei se dá para fazer as duas cidades no mesmo dia, sem haver correria e estresse. Em todo o caso, está aí o serviço para quem quiser se arriscar:

Transporte São Luis/São José do Ribamar:
* ônibus saem de perto da Ponte José Sarney e vans do centro histórico, no mercado central, 1h20min de viagem. Na cidade, pegar outra van para a Praia de Panaquatira, 20min de viagem. Dizem que as vans andam muito cheias.

* Transporte São Luis/Rapoza: ônibus de linha da Viação Litoral partem a cada 30min do Mercado Central, 1h40min de viagem.
Não sei nada sobre a ligação de ônibus entre Rapoza e São José do Ribamar e vice-versa.

Casarão no Centro Histórico. Um jeito de Cuba.
~
E tem o Centro Histórico de São Luis, que volto a dizer: é o que a cidade tem de melhor.
Tá certo que esta área da cidade já teve melhores dias. Há muitos prédios caindo aos pedaços, muita sujeira e, em alguns pontos, sensação de insegurança. Quando visitei a capital maranhense pela primeira vez, em 2004, havia mais conservação.
Por outro lado, vejo alguma luz no fim do túnel. Há vários casarões sendo recuperados e algumas ruas encontram-se sendo revitalizadas. Além do mais, não sei se por causa das festas, mas nas outras vezes em que lá estive não vi tanto policiamento como agora.
Muitos visitantes optam por fazer o chamado citytour. Em algumas cidades, como em Recife, por exemplo, acho interessante esse tipo de passeio, mas em São Luis, acredito que seja desnecessário. Eles vão lhe mostrar as praias e apenas 5% do que você deveria conhecer do Centro Histórico.
E há muita coisa para se conhecer. Talvez não seja possível conhecer tudo numa manhã ou numa tarde. Reserve um dia inteiro e aproveite para fazer um happy hour por ali mesmo.
Tombado desde 1997 pela UNESCO como patrimônio da humanidade, o Centro Histórico de São Luis tem cerca de 5 mil imóveis construídos entre os séculos XVII e XIX.
Por onde começar? Passando no Centro de Informações Turísticas, na rua Portugal, 165. Quando você ver o número imenso de informações contidas ali sobre lugares a serem visitados, irá entender por que aconselho ficar hospedado no Centro.
 Dentre os locais imperdíveis, posso inumerar:
* O surpreendente Museu de Artes Visuais, na Rua Portugal;
* Teatro Arthur Azevedo (1817), R. do Sol, 180, 3218-9900, bar, loja. Visitas guiadas: ter-sex das 15h-17h;
* O Centro de Criatividade  Odylo Costa Filho, na Rua da Alfândega. Aberto diariamente, entre 8h e 19h;
* Morada das Artes, R. do Trapiche. Artistas residem, expõem e vendem obras;
* Muito interessante também é o Centro de Cultura Popular, na rua do Giz. Gostei da exposição permanente sobre o Bumba-meu-boi. Não deixe de tirar altas fotos da varandinha no terceiro andar. Abre de segunda a sexta, de 9h às 18h;
Convento do Carmo, ao lado da Igr N Sra do Carmo. Museu
3218-9922, ter-dom das 9-18h. Tela Tauromaquia, de Pablo Picasso, manuscrito original do livro O Mulato, mham@ma.gov.br;

* Não deixe de visitar também o Palácio dos Leões (1766), sede do governo estadual, Av. Dom Pedro II, 3232-9789, visitas às seg, qua, sex 14-17h, do antigo forte, hoje, só existem mesmo dois baluartes, São Cosme e Damião, de estilo neoclássico e possui rico acervo de gravuras e obras de arte. Só os jardins internos já valem a visita;
* E termine o passeio assistindo o por do sol ali mesmo ao lado do Palácio dos Leões ou visitando, na avenida Beira Mar, o mirante da Pedra da Memória, obelisco construído para homenagear a maioridade de Dom Pedro II.
Quando ir a São Luis? Bem, Junho para mim é o mês perfeito, porque você pega os festejos juninos e ainda escapa da muvuca das férias de julho. As lagoas nos Lençóis ainda estão cheias e, para quem quiser ir à Chapada das Mesas, vai pegar tempo firme e temperaturas mais amenas.

Mais informações sobre a capital maranhense, você pode pegar no excelente site da Noemi, que, assim como eu, tmbém fez uma viagem maravilhosa de 25 dias entre o Maranhão e Piauí, no ano passado.




Outros links interessantes:
Maranhão, uma grande descoberta
Visite São Luis Patrimônio cultural da humanidade
Prefeitura de São Luis
Portal da Cultura do Maranhão

Contatos úteis:
* Delegacia Especial de Turismo, R. da Estrela, 427, Praia Grande, São Luis, 3214-8682
* Secretaria Municipal de Turismo, R. da Palma, 53, Centro, 3212-6219/6215/6212
* Secretaria Estadual de Turismo, R. Portugal, 165, Centro, 3231-0822 / 4045, seg-dom das 8-20h.

















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Alcântara

Alcântara fica a uma hora de barco de São Luis e é onde os ludovicenses (quem nasce na capital marnhense) vão passear.
Pega-se o barco no Cais Praia Grande.
O horário da saída das barcas depende da maré. Caso não haja maré pela manhã, eles põem você num ônibus para pegar um barco na Ponta D´Areia.
Você pode deixar para comprar o bilhete de volta lá em Alcântara, não caia na pressão que fazem para você garantir a volta. Mesmo na alta temporada não precisa se estressar.
Mas aí vale um comentário: considere pernoitar em Alcântara, deixando as malas no hotel ou pousada, em São Luis. É que Alcântar merece ser curtida sem preocupação com a volta. Além do mais, você chegará na cidade na hora do sol rachando e será capaz de vender a alma por um banho.
Quem sabe não encontra no cais um barqueiro disposto a levar você até a Ilha do Juramento, em frente, onde os guarás (aquele pássaro vermelho) vão passar a noite?
Dica de pousada em Alcântara? A Patrícia do Turomaquia ficou na Pousada dos Guarás e gostou. Isso foi em 2009. Aliás, cole no site dela e no da Nanci, que visitou São Luis/Lençóis Maranhenses em 2011. Há um show de informações lá.
Já no cais, em Alcântara, sempre há uns guias oferecendo seus serviços. É interessante contratar um, pois a cidade é histórica e há muito o que saber.Caso você não queira, compre um mapa da cidade em alguma loja nas cercanias do cais do Jacaré.
Praça da Matriz, onde ficam as ruínas da Igreja de São Matias, cartão-postal da cidade.

Assim como Carolina, Alcântara também teve o seu apogeu e desabou, quando o ciclo da cana de açucar acabou. As várias ruínas espalhadas pela cidade lembram esse tempo distante.
Há muito o que andar em Alcântara e suas ruas de pedras são um charme.
E aí bateu a fome. O que fazer? Não me lembro onde comi. A Patrícia e a Nanci comeram no restaurante da Dona Josefa, no Centro. Há muitas opções para se comer na cidade, mas nada sofisticado. Seja aonde for que você decidir almoçar, procure experimentar o doce de espécie, a nossa versão do pastel de Belém, que os portugueses trouxeram. Gostei mais do que o original português.
Em Alcântara também tem festejos junios. Ouvi dizer que são bem animados. Mas um motivo para um pernoite. Pense bem.
Caso não seja possível, procure voltar no último barco para pegar o pôr do sol
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