domingo, agosto 26, 2012

Ilhas




Confesso que sou pessimista em relação ao Brasil. Quando vejo tanta má distribuição de renda, tanta injustiça social, tão poucos investimentos em educação, tanta corrupção e tanto mau uso do dinheiro público, diminui a minha fé na crença de que o país vá um dia entrar no seleto grupo dos países desenvolvidos.
Mas isso não impede que tentemos. E alguns lugares mostram o caminho. São como ilhas, onde as informações são prestadas de forma eficiente, os serviços funcionam quase que perfeitamente e entramos em contato com funcionários bem preparados.


Há dois finais de semana atrás, precisei ir á capital paulista e visitei uma dessas ilhas: a Pinacoteca do Estado   de São Paulo, no centro da cidade.

Na viagem à Espanha, em junho último, notei, ao comprar ingresso para os museus, percebi que os cidadãos espanhóis que estivessem desempregados devido à crise econômica, bastava apresentar o comprovante de recebimento do seguro-desemprego, e teriam entrada livre. Ou seja, o governo e a parte da população que estava empregada estariam pagando o ingresso para que eles pudessem adquirir cultura.
Isso se chama valorização da cultura, valorização da educação. Não é porque o cidadão está desempregado que não de deve deixar de se enriquecer culturalmente.
Por isso a Espanha é um país de primeiro mundo. Não só porque tem mais dinheiro do que o Brasil. Mas porque, mesmo nos momentos de crise, sabe valorizar o que deve ser valorizado.

Por isso, para começar, achei ótima a localização da Pinacoteca, bem ao lado da principal estação de trem da cidade. Para permitir que o trabalhador suburbano tenha acesso a essa ilha cheia de exposições interessantes, esculturas e quadros belíssimos, salas bem refrigeradas, atendimento cordial, serviços eficientes, sanitários limpos, café aconchegante e instalações confortáveis.
Os ingressos não são caros, mas se isso não for o bastante para atrair o trabalhador, a entrada é livre aos sábados.
Ao lado, fica o Jardim da Luz. Quando morei em São Paulo, nos anos 80, o local estava meio abandonado. Mas foi reformado recentemente e hoje é um local acolhedor, que recebe esculturas que harmoniosamente interferem no ambiente, como uma extensão da Pinacoteca.

O espaço da Pinacoteca é tão bem utilizado, que permite ainda a realização de shows, espetáculos e performances.
E como se não bastasse, ao lado da Estação da Luz, em frente, fica o Museu da Língua Portuguesa, onde exposições permanentes e exibições de vídeos contam  como foi o surgimento do nosso idioma e a sua importância na construção da nossa identidade. As diversas formas de utilização da língua que falamos, desde os camelôs, os repentistas nordestinos, os rapers até os intelectuais, são mostrados em fotos e vídeos. Isso sem falar nos belíssimos textos de poetas, escritores, cronistas e jornalistas famosos, lidos por gente como Chico Buarque, Fernanda Montenegro e Marília Pera.
É de lavar a alma.
Por isso tudo, parabéns à Pinacoteca, parabéns ao Museu da Língua Portuguesa e parabéns a São Paulo. São ilhas como vocês que me fazem ter orgulho de ser brasileiro e quase me convencem que esse será um grande país um dia.
Mais informações:
Pinacoteca
Museu da Língua Portuguesa

E atenção, este blog ficará um tempo fora do ar por motivo de viagem. Em breve, mais informações e muitas, muitas, muitas fotos. Abraço a todos!




2 Comments:

Blogger Lúcia Bezerra de Paiva said...

"Invadí" o espaço, entrei nas "Ilhas" e não fui atingida por Bala Perdida,mesmo sem a presença do dono do espaço. Vi tudo tranquilamente, deste e de outras postagens.

Gostei e hei de voltar, Júlio César, para apreciar as fotos de sua viagem.

Um abraço!

quarta-feira, setembro 26, 2012 7:06:00 PM  
Blogger Ana Coeli Ribeiro said...

PARABBÉNS A VOCÊ MEU AMIGO POR TER CONSTRUIDO SUA PRÓPRIA ILHA CULTURAL AQUI NESTE RICO ESPAÇO QUE É UMA EXTENSÃO DE VOCÊ
lUZ
ANA

segunda-feira, outubro 01, 2012 7:16:00 PM  

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