sábado, julho 28, 2012

São Luis?

Dois "caipiras" distribuindo folhetos sobre as festas juninas no aeroporto de São Luis.
Quem leu aqui, sabe que precisei dar uma passada em São Luis antes de partir para a Chapada.
Era a terceira vez que chegava a esta cidade, que apesar de não ser a capital mais interessante do nordeste, merece sem dúvidas ser visitada.
A primeira vez, em 2004, fui para conhecer os Lençóis.
A segunda foi em junho do ano passado, para cruzar o Delta do Parnaíba até Fortaleza.
Dessa vez, pude curtir a cidade com mais intensidade.
O Restaurante clássico de São Luis e seus pasteizinhos com geléia.

Assim que resolvi tudo, corri para o Maracangalha. Devorei um delicioso cordeiro acompanhado pelos tradicionais pasteis com geléia de pimenta. Sabor inesquecível.
O Maraca é muito badalado entre os turistas. Não é baratinho, mas merece ser conhecido. Ambiente simples e atendimento gentil. Aceitam cartões.
Seu grande rival é o Cabana do Sol. Como o Maracangalha, também fica no bairro Farol de São Marcos (Rua Joao Damasceno, 24 A). É maior, enche muito mais e o ambiente é um tanto mais sofisticado. Os preços são altos, mas a quantidade da comida é um abusurdo, um escândalo. Dá para três pessoas tranquilamente.
Gosto mais do primeiro. Mas quem quiser conferir, mergulhe aqui
Kite-surf na Praia de São Marcos com a maré ainda baixa.
Depois de forrar o estômago, fui dar um giro na praia. Nesse ponto, vale um comentário sobre as praias de São Luis e a razão de eu ter me hospedado no Centro Histórico.
A orla de São Luis é muito simpática e a melhor praia, na minha opinião, é a do Calhau. Há boa estrutura de hoteis, bares, quiosques e restaurantes. A noite ali é animada.
Assim como acontece em toda orla norte da região nordeste, mais próxima da Linha do Equador, as praias do Maranhão tem uma variação enorme de maré. Não pense que você vai colocar sua cadeirinha de praia e ficar das 8h até o último raio de sol, confortavelmente no mesmo lugar. Quando a maré recua, você anda quilômetros até a água chegar a uma altura razoável para um banho; quando ela volta, devora quase toda faixa de areia.
Além do mais, acho que ficando na orla, você vai ver prédios bonitos, um calçadão, quiosques e uma praia. Coisas que você vê no Rio, em Fortaleza, em Recife, em Maceió...enfim, um cenário comum. Além do mais, em boa parte do ano (dezembro a junho), São Luis tem um clima meio instável para se pegar uma praia. Então, se São Pedro estiver de mau humor, só vai restar a você caminhar no calçadão ou encarar a piscina do hotel.
Palácio dos Leões, sede do governo maranhense.
Com toda decadência e abandono, o Centro Histórico de São Luis continua único. É a parte mais autêntica e original da cidade. Na minha opinião, ficando ali, você mergulha mais fundo no que a cidade tem de mais interessante.
Se você pretende ir a Alcântara por conta própria, sem contratar nenhum passeio - o que acho a melhor opção -, você terá que ficar mesmo no Centro, pois, dependendo da maré, o barco sai muito cedo.
A oferta de pousadas no Centro é grande. A mais badalada é a Portas da Amazônia.
Gosto muito do Grand Hotel São Luis. Fica num lugar trânquilo e seguro (próximo a sede do governo maranhense). A localização no Centro Histórico é importante, pois na época de festas, quase todo Centro fica barulhento até o início da madrugada.
O Grand Hotel São Luis parece uma ilha de silêncio e paz, mas a poucos metros do que São Luis tem de melhor. A Portas da Amazônia fica bem no centro da muvuca e deve ser problemático para dormir.
La Pizzeria, deliciosa novidade na noite do Centro Histórico.

No Centro Histórico à noite, há muitos bares, mas poucos restaurantes. O Antigamente é o bar mais famoso da região. Mas não o recomendo. O atendimento é péssimo, os preços são injustos e a comida deixa a desejar. Além do mais, a máquina do cartão costuma estar com defeito.
Se o seu desejo é petiscar, sentado numa mesa ao ar livre, enquanto toma algo, sugiro o  estabelecimento ao lado, o Le Papagaio Amarelo. Achei  a comida bem melhor, os preços mais justos e o atendimento infinitamente mais atencioso. Sugiro como aperitivo, a porção de pastéis que já vem com a tradicional geléia de pimenta. Não é tão saborosa quanto a do Maracangalha, mas acabam sendo uma delícia ao ar livre, tomando umas e curtindo a boa música que sempre rola na porta do Antigamente, ao lado. Para mais detalhes, mergulhe aqui.
Mas se você quiser um lugar mais aconchegante, com boas comidinhas italianas e preços muito bons, a La Pizzeria, que funciona ao lado da Poudada Portas da Amazônia, na Rua do Giz, 29. Só abre à noite. O atendimento é eficiente e atencioso. O ambiente é tão gostoso quanto a comida. Mais detalhes, aqui.
Se der, sente-se junto à porta para se deliciar também com as figuras típicas da noite no Centro Histórico de São Luis.
Na época dos festejos juninos (que, na verdade também são julinos, pois rolam até o início de julho) o Centro Histórico ferve. Em diversos pontos, principalmente nas praças Nauro Machado e Valdelino Cecio e na rua Portugal, nos arredores da Secretaria de Estado do Turismo.
Embora esteja longe de ter a grandiosidade das festas em outras regiões do nordeste, como Caruaru (PE) ou Sergipe, por exemplo, os festejos juninos maranhenses têm o seu charme. São muuuuito mais modestos e, por isso mesmo, mais autênticos.
São Luis tem dois grandes arraiás promovidos pela prefeitura. O que acontece na Praça Maria Aragão, próximo ao Centro, é o mais poular e mais concorrido. Mas também o mais simples.
Prefira o que rola nas margens da Lagoa da Jansen. É mais bonito e com melhor estrutura. Parece que todas as classes sociais se encontram lá. Testei e aprovei. Na noite em que fui, a governadora estava presente. Não sei se foi por causa disso, mas havia uma certa organização e muita segurança. Não se preocupe com o táxi para a volta. Havia vários deles a postos. A apresentação dos grupos era bonita e os intervalos entre um e outro não era grande.
O arraiá começa por volta das 19h. Chegue um pouco mais cedo para ver se consegue mesa. Há muitas barraquinhas vendendo comidas típicas. Os preços são amigos. Sugiro um prato do arroz de cuxá.
Este site aqui costuma divulgar a programação dos dois arraiás.
Um outro arraiá muito disputado é o do São Luis Shopping, mas achei que fosse um truque para atrair clientes e não me interessei em obter mais informações.
As Dunas na Praia de Carimã, em Rapoza.
Como falei antes, não sou muito fã das praias de São Luis. Acho que o visitante deveria gastar seus dias por lá, fazendo quatro coisas indispensáveis: conhecer bem o Centro Histórico, conhecer Alcântara, Curtir Rapoza e passar por São José do Ribamar. Esses dois últimos, municípios da Ilha de São Luis.
Bem, sobre o Centro Histórico, darei algumas dicas ainda neste post. Mas Alcântara merece um post à parte.
Quanto os outros dois, você pode conhecê-los num único dia. Há empresas que promovem passeios tipo três em um. Mas como 3 em 1? É que nos arredores de Rapoza há manguezais, rios e pequenas ilhas que estão incluidos no pacote. Mas tudo no estilo pá-pum! É o ideal para quem não tem muito tempo a perder, antes de ir para os Lençóis ou as Chapadas.
O problema é que tudo é muito rápido demais e se resume no seguinte: passeio de barco por um rio cheio de manguezais, pausa para mergulho na Ilha de Curupu, chegada em Rapoza, pega-se o barco para o outro lado o rio, onde ficam "as fronhas" (uma sequência de dunas brancas com algumas lagoinhas em volta, que servem de prévia para o que o visitante vai encontrar nos Lençóis. Entenderam?)
Achei a praia de Rapoza (a 28 km do centro de São Luis) muito agradável. Lembra um pouco Galinhos, no Rio Grande do Norte. Se o tempo estiver bom, vale a pena gastar um dia ali. Mas no passeio "comprado", eles vão ficar muito pouco tempo. A desculpa é a maré. Não sei se procede.
Depois, eles vão levar você para o chamado "corredor das rendeiras" na rua principal. Achei o lugar deprimente. É uma sequência de palafitas, onde se vende produtos de gosto meio duvidoso. Além do cheiro de lama, sente-se o cheiro de armadilha para turistas.
Aí, vem o almoço, e eles levam você para um enorme restaurante, repleto de turistas. Atendimento muito esforçado, mas sofrível.
Depois, eles vão levar você para São José do Ribamar (32 km da capital). Município que não tem muito a oferecer. Uma ou duas horas já são suficientes para se conhecer tudo (visita a Igreja de São José, a imponente estátua do santo (foto) e a réplica da gruta de Lourdes, construída em 1957.
As praias não me pareceram muito convidativas.
No final da tarde, volta-se para São Luis.
Qual a vantagem do passeio comprado? Visita-se as duas cidades em apenas um dia. Além do mais, visita-se nos horário certos, pois as empresas têm informações sobre o movimento das marés e, por isso, sabem qual período ideal para se atravessar o rio. Sem essa informação, você corre o risco de chegar tarde demais ou ficar plantado no cais.
O que eu faria?
Primeiro, contatar a Janio Tour, R. do Coqueiro, 1904, Raposa, 8827-6201 / 9613-8092, janiotour@hotmail.com  ou a  Fox Tour, R. do Coqueiro, 104, Raposa, 3329-1332 / 1071 / 9602-4377 / 8445-3320, para saber da maré.
Então, alugaria um carro em São Luis e - se possível - conheceria primeiro São José do Ribamar e ficaria o resto do dia em Rapoza.
Eu deixaria para almoçar em São Luis, no fim da tarde. Mas se a fome falar mais alto, aí está um listinha de lugares para assassiná-la:
* Rest. Capote, Av. Principal, 3, Vila Bom Viver, 3229-1512 / 1630
* Rest. Fazendinha, R. da Prata, 100, Inhaúma, 3229-1540
* Rest. Natureza, Av. Principal, 180, Inhaúma, 3229-1728 / 9971-6517
* Rest. Palhoça, R. do Coqueiro, 57, Garrancho, 3229-1501
Também é possível ir de ônibus, porém tenha em mente que é infinitamente mais demorado e não sei se dá para fazer as duas cidades no mesmo dia, sem haver correria e estresse. Em todo o caso, está aí o serviço para quem quiser se arriscar:

Transporte São Luis/São José do Ribamar:
* ônibus saem de perto da Ponte José Sarney e vans do centro histórico, no mercado central, 1h20min de viagem. Na cidade, pegar outra van para a Praia de Panaquatira, 20min de viagem. Dizem que as vans andam muito cheias.

* Transporte São Luis/Rapoza: ônibus de linha da Viação Litoral partem a cada 30min do Mercado Central, 1h40min de viagem.
Não sei nada sobre a ligação de ônibus entre Rapoza e São José do Ribamar e vice-versa.

Casarão no Centro Histórico. Um jeito de Cuba.
~
E tem o Centro Histórico de São Luis, que volto a dizer: é o que a cidade tem de melhor.
Tá certo que esta área da cidade já teve melhores dias. Há muitos prédios caindo aos pedaços, muita sujeira e, em alguns pontos, sensação de insegurança. Quando visitei a capital maranhense pela primeira vez, em 2004, havia mais conservação.
Por outro lado, vejo alguma luz no fim do túnel. Há vários casarões sendo recuperados e algumas ruas encontram-se sendo revitalizadas. Além do mais, não sei se por causa das festas, mas nas outras vezes em que lá estive não vi tanto policiamento como agora.
Muitos visitantes optam por fazer o chamado citytour. Em algumas cidades, como em Recife, por exemplo, acho interessante esse tipo de passeio, mas em São Luis, acredito que seja desnecessário. Eles vão lhe mostrar as praias e apenas 5% do que você deveria conhecer do Centro Histórico.
E há muita coisa para se conhecer. Talvez não seja possível conhecer tudo numa manhã ou numa tarde. Reserve um dia inteiro e aproveite para fazer um happy hour por ali mesmo.
Tombado desde 1997 pela UNESCO como patrimônio da humanidade, o Centro Histórico de São Luis tem cerca de 5 mil imóveis construídos entre os séculos XVII e XIX.
Por onde começar? Passando no Centro de Informações Turísticas, na rua Portugal, 165. Quando você ver o número imenso de informações contidas ali sobre lugares a serem visitados, irá entender por que aconselho ficar hospedado no Centro.
 Dentre os locais imperdíveis, posso inumerar:
* O surpreendente Museu de Artes Visuais, na Rua Portugal;
* Teatro Arthur Azevedo (1817), R. do Sol, 180, 3218-9900, bar, loja. Visitas guiadas: ter-sex das 15h-17h;
* O Centro de Criatividade  Odylo Costa Filho, na Rua da Alfândega. Aberto diariamente, entre 8h e 19h;
* Morada das Artes, R. do Trapiche. Artistas residem, expõem e vendem obras;
* Muito interessante também é o Centro de Cultura Popular, na rua do Giz. Gostei da exposição permanente sobre o Bumba-meu-boi. Não deixe de tirar altas fotos da varandinha no terceiro andar. Abre de segunda a sexta, de 9h às 18h;
Convento do Carmo, ao lado da Igr N Sra do Carmo. Museu
3218-9922, ter-dom das 9-18h. Tela Tauromaquia, de Pablo Picasso, manuscrito original do livro O Mulato, mham@ma.gov.br;

* Não deixe de visitar também o Palácio dos Leões (1766), sede do governo estadual, Av. Dom Pedro II, 3232-9789, visitas às seg, qua, sex 14-17h, do antigo forte, hoje, só existem mesmo dois baluartes, São Cosme e Damião, de estilo neoclássico e possui rico acervo de gravuras e obras de arte. Só os jardins internos já valem a visita;
* E termine o passeio assistindo o por do sol ali mesmo ao lado do Palácio dos Leões ou visitando, na avenida Beira Mar, o mirante da Pedra da Memória, obelisco construído para homenagear a maioridade de Dom Pedro II.
Quando ir a São Luis? Bem, Junho para mim é o mês perfeito, porque você pega os festejos juninos e ainda escapa da muvuca das férias de julho. As lagoas nos Lençóis ainda estão cheias e, para quem quiser ir à Chapada das Mesas, vai pegar tempo firme e temperaturas mais amenas.

Mais informações sobre a capital maranhense, você pode pegar no excelente site da Noemi, que, assim como eu, tmbém fez uma viagem maravilhosa de 25 dias entre o Maranhão e Piauí, no ano passado.




Outros links interessantes:
Maranhão, uma grande descoberta
Visite São Luis Patrimônio cultural da humanidade
Prefeitura de São Luis
Portal da Cultura do Maranhão

Contatos úteis:
* Delegacia Especial de Turismo, R. da Estrela, 427, Praia Grande, São Luis, 3214-8682
* Secretaria Municipal de Turismo, R. da Palma, 53, Centro, 3212-6219/6215/6212
* Secretaria Estadual de Turismo, R. Portugal, 165, Centro, 3231-0822 / 4045, seg-dom das 8-20h.

















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