domingo, janeiro 08, 2017

Da Praia em Paraty à Serra do Piloto Via Serra da Bocaina

Paraty dispensa comentários. Uma cidade histórica à beira mar, com pousadas encantadoras, restaurantes aconchegantes, lojinhas charmosas e recantos de sonho. Além do mais, há os arredores de Paraty, com trilhas, cachoeiras e vilarejos interessantes. Isso sem falar, é claro, das praias. Não as urbanas, nas quais o banho não é aconselhável. Estou falando as que ficam em ilhas ou em locais distantes um passeio de barco do centro. As de Trindade, Vermelha, Sono, Ponta Negra, Paraty-Mirim, Martim de Sá, Antigos, Antiguinhos e por aí vai. São muitas e todas maravilhosas.

Considero o trecho de litoral onde Paraty está situada, junto com as praias de Arraial do Cabo, os mais lindos da costa fluminense. Pegar uma praia na região de Paraty vale muito a pena.

Então, você curte Paraty e depois volta para a sua cidade, é isso? Pode ser. Mas experimente fazer diferente. Pegue a rodovia Br-459 (RJ-165 e SP-171), que começa bem em frente à saída da cidade e suba a serra até Cunha. De preferência, faça isso depois de pegar uma praia mesmo, ainda com areia nos pés e sal grudado no corpo. Procure um restaurante dentro da cidade ou nos arredores (são muitos) que sirvam uma comida regional, preparada em forno à lenha.

Depois do almoço, faça a digestão circulando pelo centrinho histórico da cidade, que é minúsculo e dá para ser apreciado em menos de uma hora. Então,  será o momento de procurar uma pousada. Existe algumas nos arredores da cidade. Escolha entre uma delas, não fique dentro da cidade para não estragar o clima.

O clima ao qual me refiro é o esplendor de uma área rural linda e ainda muito conservada. Só a diferença de temperatura já vai seduzir você. Afinal, Cunha é uma estância climática, ora bolas!
Como ia dizendo, Cunha tem pousadas maravilhosas no seu entorno, algumas com vistão para o mar de colinas que se perdem no horizonte. Escolha uma e curta a experiência de estar num ambiente rural após pegar um praião. Cunha, pelo que sei, não tem hotel-fazenda, mas as pousadas nas proximidades não irão decepcioná-lo.

Após o check-in na pousada, nem tome banho, corra para o incrível Lavandário de Cunha, não muito distante. Ali, você vai curtir o, se não for o melhor, mas o mais original por de sol da sua vida. Sim, você ainda não tirou o sal do corpo. Mas é justamente para lembrar que você há algumas horas estava na praia e agora está no meio de uma plantação de lavandas cheirosas, em um cenário que pretende nos remeter às plantações de lavanda na região da Provence, no leste da França. Consegue? Nem tanto, mas não seja chato. Quando que na Provence você estaria com areias nos pés e sal no corpo e assistindo o sol se por por trás de lavandas cheirosas? Puta experiência!

Na verdade, a experiência não se resume apenas a isso. Sim, enquanto o sol não se põe (no verão ele demora a fazer o seu trabalho. Nesta época o local costuma ficar aberto até às19h. Consulte os horários no site), você pode fazer comprinhas na lojinha que existe no local e vende produtos extraídos das lavandas cultivadas ali. Mas reserve um tempo para relaxar. Curta o silêncio, o vento fresco acariciando o seu corpo ainda salgado e o maravilhoso odor das lavandas, é claro!!! Sua alma irá lhe agradecer. E me agradecer também, for sure!😉😉😉😉😉

Assistir o sol se por no meio de um lavandario é o pós-praia mais original que consigo imaginar.


Anoiteceu e você, então volta para a pousada. Sim, toma aquele banho, põe uma roupa um pouco mais pesada e sai novamente para comer algo e tomar um vinhozinho nos restaurantes ou bistrôs da região. Depois, volta para se jogar na cama e descansar BASTANTE.
Isso por que no dia seguinte você irá levantar cedo para encarar uma trilha de quase uma hora e conferir o vistão da Pedra da Macela, outra cereja do bolo de Cunha.

A Pedra da Macela é um pico com mais de 1.800 metros não muito distante de Cunha, apesar de ficar no Estado do Rio de Janeiro. Seu carro não vai poder ir até lá em cima. Ficará junto a uma porteira - aliás, o caminho até lá será um dos mais lindos que você já viu (penúltima foto), por onde você passará e seguirá uma trilha que você levará entre quarenta a cinquenta minutos para vencer. Mas a recompensa será à contento.



Tudo bem que a vista para o mar de Angra dos Reis e Paraty e mais as ilhas espalhadas nesse mar, fará você prender a respiração. Mas, dê atenção também para o outro lado, o lado rural da paisagem que também é lindo.

Vale a pena gastar algumas horas lá em cima, não só clicando uma tonelada de fotos, mas também o silêncio e a atmosfera positiva desse lugar incrível! Aproveite para dar um tchauzinho para Paraty, lá em baixo, onde você ontem pegou aquela praia.
Cunha não é só o lavandário e a Pedra da Macela. Há trilhas e algumas boas cachoeiras na região. Mas se você aceitar fazer esse roteiro proposto até o final, eu deixaria o banho de cachoeira para mais adiante. Portanto, eu teria feito o check-out na pousada antes de subir para a Macela.
Agora, diga bye para Cunha e siga a SP 171 até a Dutra. Siga em direção ao Rio, mas na altura de Cachoeira Paulista, pegue outra SP, a 068, conhecida também por Rodovia dos Tropeiros. Em questão de um pouco mais de uma hora, você irá passar por três cidades gracinhas, Silveiras, Areias e São José do Barreiro. Se quiser descansar e almoçar, escolha essa última.
A Rodovia dos Tropeiros é linda e oferece o mesmo clima rural bem cuidado que você encontrou em Cunha.




Há também trilhas e cachoeiras em São José, a mais bonita é a de Santo Izidro. Se quiser pernoitar aqui, opções não faltam.
Caso opte por seguir viagem, a Rodovia  dos Tropeiros irá sair e voltar para o estado de São Paulo duas vezes até passar por outro destino rural interessante, Arapeí. Mas não perca muito tempo com ela e siga em frente. Dentro de pouco menos de uma hora você estará na sua próxima parada: Bananal.
Com melhor estrutura do que as outras cidades citadas aqui - com a exceção de Paraty, é claro! - Bananal tem opções interessantes de hoteis-fazenda e também algumas pousadas aconchegantes. Quando pesquisei, o site da prefeitura estava fora do ar. Mas encontrei este site aqui, que pode dar uma idéia do lugar.

Bananal tem história, tem charme e um centrinho que é uma gracinha. Achei uma cidade mais agradável para se ficar. Se ainda não o fez, procure um lugar para almoçar e aproveite para conhecer o Centro da cidade. Se tiver tempo, visite um dos hotéis-fazenda da região.

Se eu fosse você, me hospedaria em um deles. Mas se preferir  ficar dentro da cidade, há algumas opções. Eu, por exemplo, fiquei na Pousada Amiga (foto da sala acima). Muito tranquila e agradável, Bananal seduz você. Se você preferir, fique uma noite na área urbana da cidade e depois, faça um upgrade e vá para um hotel-fazenda.

Saía à noite e experimente o Habeas Corpus (adorei o nome), um simpático restaurante bem no centro da cidade.


Procure dormir cedo para curtir uma cachoeira no dia seguinte. Lembre-se que todas elas exigem trilhas. São várias opções de cachoeiras no trecho São José do Barreiro/Arapeí e Bananal. Mas a cereja do bolo é a Bracuí. Mas não vou mentir. Você deve ter certa experiência com trilhas e razoável preparo físico. Se o seu carro não for um 4x4, você terá que deixá-lo em um estacionamento há 1,5 km da Pousada Rio Mimoso. Deverá andar até lá e pagar a taxa (10 reais em janeiro de 2017). A trilha é um pouco longa e bastante úmida, leia-se muita lama e água para atravessar. A água é fria e o banho é prejudicado pela forte corrente que impulsiona para uma enorme queda. E é justamente essa queda que é o grande must do local, devido a linda vista que proporciona para Angra dos Reis.

Caso você não pretenda fazer trilha alguma, apenas subir a Serra da Bocaina já é um passeio lindo. Certamente é a parte mais linda de toda área rural, desde Cunha.

A estrada é boa durante a maior parte do percurso e faz você dar um mergulho em um ambiente rural que é lindo e preservado.


Não deixe de almoçar no Chez Bruna, o restaurante do camping com o mesmo nome, bem no alto da Serra da Bocaina. Um lugar super agradável, onde você pode comer no jardim. Lá em cima, o sol é mais brando e raramente  faz calor. A comida é gostosíssima e o sistema é self service. Vale muito á pena.
Depois do almoço, volte para a pousada para descansar ou pegue a estrada de novo.

Siga pela SP 068(Tropeiros) e em poucos minutos, você estará no Estado do Rio de Janeiro. Logo depois de passar por Getulândia, você chega em Rio Claro. Cruze a cidade e entre na RJ 149 em direção a Mangaratiba. Mais ou menos no meio da estrada está o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos.
Na verdade, São João Marcos era a cidade com cerca de 20 mil habitantes que existia no local e que foi abandonada para a construção da Represa de Ribeirão Lages (que ainda existe). Dentro do Parque estão as ruínas da cidade.



É um visita emocionante, como se fosse a visita a uma cidade-cemitério. O local é bem sinalizado e pequenos painéis vão contando e mostrando através de fotos de época, a história da cidade desaparecida.


O silêncio  e o ambiente rural ao redor é agradável e reconfortante. Dá vontade de ficar ali o reto da tarde.

Nas margens da represa, banquinhos convidam você a sentar e curtir a atmosfera rural.



Atmosfera rural, aliás, que estará mais próxima do que em outro trecho percorrido desde Cunha.

Vale à pena seguir mais um pouco até a Serra do Piloto, um pouco mais adiante na RJ 149. Na descida para Mangaratiba, existem alguns mirantes construídos na época do império.
Enfim, adorei fazer esse roteiro que me proporcionou a experiência de explorar uma região não muito divulgada, mas muito bonita. E essa dobradinha praia x ambiente rural foi bem legal. É uma forma de voltar da Costa Verde com estilo.
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quarta-feira, agosto 05, 2015

Crônica de uma viagem redonda

Cheguei em São Luis na madrugada do dia 4 de junho de 2015. Era a minha quarta viagem à capital maranhense desde 2004.
A cada vez que volto a São Luis, encontro a cidade mais degradada e abandonada. Mas não sei por que, vejo um charme irresistível naquele conjunto de prédios decrépitos e decadentes. Prédios que já foram lindos um dia, mas que pelos motivos que todos nós conhecemos, estão largados à própria sorte.
Como nas outras vezes, me hospedei bem no Centro Histórico e decidi conhecer alguns pontos que eu não havia conseguido nas últimas vezes, que foram bem corridas.  O primeiro lugar foi a Fonte do Ribeirão, construída em 1796, e que ficava bem próximo ao hotel onde fiquei.
Como falei, o centro histórico de São Luis está bastante degradado, mas ainda merece ser visitado. O único ponto histórico que não sofreu com o descaso é o Teatro Arthur Azevedo (1817), que fica bem perto da Fonte.
A Igreja de São João chama a atenção pela sua imponência, apesar do mar de degradação a sua volta.

Apesar do estado do centro histórico, ainda acho que se hospedar ali é a melhor opção, porque o que a cidade tem de mais interessante está tudo a alguns passos. Só não recomendo passar um domingo lá, pois tudo fecha e o clima é deprimente. Nessa viagem, me organizei para ficar sempre até sábado. Sextas feiras costumam ser os dias mais animados. Nunca entendi por quê. Nos sábados, o movimento cai muito.
O Museu Artístico e Histórico do Maranhão também foi outro lugar interessante que vergonhosamente ainda não conhecia. Além de um jardim muito bonito, como mostra essa foto, ali o turista encontra peças de arte pertencentes à elite da cidade no século passado e você pode ter uma ideia da riqueza que havia por lá.
 Fiquei muito surpreso com a Igreja de Santo Antônio, na Praça Antônio Lobo. Apesar do estado meio lamentável da fachada, a Igreja é de uma arquitetura belíssima. O seu interior também é bem interessante.
 
 Mas a cereja do bolo no local, ao meu ver, é a pracinha em frente, que é uma graça de tão acolhedora. Dá vontade de sentar e não levantar mais. Longe do tumulto do Centrão, o local merece ser visitado sem pressa. Nessa mesma praça está essa escola que funciona em um prédio com arquitetura espanhola que achei o máximo!
Quem for em junho - aliás, para mim, o melhor mês para se visitar o Maranhão - pode conferir a animada festa junina que rola em frente à igreja.
Os festejos juninos em São Luis não têm a riqueza e o prestígio de Caruaru (PE) ou Campina Grande (PB), mas nos conquistam pela animação, pela singeleza e a criatividade.
Tanto em Caruaru (PE) quanto em Campina Grande (PB) você vai ter um espetáculo padrão Marquês de Sapucaí. Em São Luis, o bumba-meu-boi vai cumprimentar você. Sentiu a diferença? Vale a pena conferir.
 Outra surpresa foi a Igreja de N. S. dos Remédios, em frente à Praça Maria Aragão. Não tem a riqueza de uma famosa igreja histórica de Minas, mas os seus balcões de madeira e o seu chão azulejado me conquistaram. Os altares também são simples, mas de uma beleza clean que eu não esperava em uma igreja de 1749.
Vale a pena dar uma olhada. No lado de fora, a Praça Gonçalves Dias tem uma vista legal da baía.
A noite  em São Luis é um capítulo à parte.
Aí está mais um motivo para se ficar hospedado no centro histórico. Quem fica nas praias provavelmente terá preguiça de ir à noite para o Centro e acabará perdendo a oportunidade de se conhecer o que São Luis tem de melhor.
Em termos físicos, o centro histórico pode até estar decrépto, mas sua alma está cheia de vida. Nota-se, principalmente da parte dos jovens que frequentam o local, um desejo muito grande de mudança e buscar a salvação através da sua cultura. Isso traz vida e frescor a uma área que tinha tudo para ser uma das mais interessantes do país, mas que parece estar morrendo.
Tem sempre algo acontecendo. Algo interessante, novo e diferente.
Além do reggae que já é uma tradição, os modernos parecem ter descoberto o centro histórico, como a banda Coletivo Gororoba, expoente da nova música maranhense, que apareceu dando um show de graça próximo ao Beco de Catarina Mina.
Curtir o tambor de crioula já é de lei.

Mas como eu já disse, se você for em junho vai pegar os festejos juninos na cidade que estão passando por um update, com grupos novos mesclando a música tradicional com elementos do pop, do rock e do tecnobrega. Além disso, coreografias espertíssimas e trajes muito criativos. 
Particularmente, fiquei impressionado com o nível técnico desses novos grupos. É para dançar a noite toda!
A última vez que estive em São Luis havia sido em junho de 2012 e achei os festejos muito melhores esse ano.
Por isso, quem puder, deveria investir em uma viagem a São Luis em junho.
Bem, no quesito lugar para comer, o centro histórico mudou pouco, apesar de alguns poucos points novos. O La Pizzaria (foto), continua imbatível à noite. Durante o dia, o Senac comanda o show.
E o centro é perigoso? Sim, é. Não dá para dar bobeira, apesar do policiamento visível. Fiquei hospedado no velho e bom Grand Hotel São Luis, que está há poucos metros do Palácio dos Leões, a sede do governo maranhense. Com isso, a segurança no entorno é garantida.
Achei o Grand Hotel mais caído do que a última vez, mas ainda é uma ótima opção para se ficar no centro histórico. Sua localização é excelente, perto de tudo, mas longe do barulho e tumulto. E os prédios no seu entorno são muito bonitos. Principalmente à noite.
Então, vamos falar de Alcântara? Como estava com um tempinho sobrando, decidi atravessar a baía para ir ver como estava a cidade histórica que já havia conhecido em 2011.
Para a minha decepção, achei a cidade mais mal tratada do que em 2011. Não pude ficar - o que recomendo muito. Uma noite é suficiente. Mas caso você não possa, não chore por causa disso.
Assim como São Luis, o deteriorado centro histórico de Alcântara ainda tem o charme de lugares que simplesmente pararam no tempo.
O empobrecimento da população também contribui para a degradação dos pontos turísticos.
Desta vez, paguei R$ 20 para um barqueiro me levar até a Ilha do Livramento, em frente, à Alcântara, só para dar um mergulho.
 Se você for durante a semana, irá encontrar a ilha bem deserta e legal para relaxar. De lá se tem uma vista da área litorânea de São Luis.
É uma boa oportunidade para se ter uma visão da vida do povo que vive às margens da Baía de São Marcos.
No dia seguinte, fui para Santo Amaro, fazendo o mesmo trelelê de van + 4x4 a partir de Sangue. Era a segunda vez que fui para aquela cidade perdida na entrada do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Eu pretendia conhecer a última parte do parque que faltava, Santo Amaro-Travosa, onde o parque realmente começa (ele termina, no mar, em Atins, no outro lado).
Dessa vez, fiquei na Pousada Água Doce e achei mais simpática do que a outra em que fiquei na última vez ali.
Local muito simples e atendimento apenas esforçado. Ideal para poucas noites. Se você está indo para Santo Amaro pela primeira vez, recomendo 4 ou 5 noites. Duas noites é pouco!
A localização da Água Doce é legal, porque fica atrás do Rio Grande e tem um visual muito lindo, que encanta quem vem das metrópoles.
 Eu digo que Santo Amaro vale umas cinco noites de hospedagem porque a própria cidade já é uma atração turística à parte. Vale a pena dedicar uma manhã ou uma tarde caminhando em suas ruas ou nas beiradas de rio para espiar a vida daquele povo. Eu acho relaxante. A cidade em si não tem nenhuma atração, mas é o seu cotidiano que vale a pena ser espiado.
Infelizmente a tão prometida estrada ligando a MA-402 (a que liga São Luis a Barreirinhas) até Santo Amaro já está tomando corpo. Já há vários trechos asfaltados e uma ponte sendo construída sobre o Rio Negro. O que significa que o turismo predatório de Barreirinhas corre o risco de se instalar ali. Peço a Deus que isso não aconteça, pois será um pecado.

Considero a parte dos Lençóis junto a Santo Amaro, a região mais bonita de todo o Brasil. Com a construção desta estrada, não sei o que acontecerá com a cidade.
É difícil também imaginar o impacto que terá sobre as pequena comunidades que existem dentro do parque, como Betânia, por exemplo, onde o Lago (foto) e a Lagoa da Betânia são um dos cartões postais da região, e também Espigão.
 O que chama a atenção em Betânia é a bela composição de lagoas, dunas, rios e manguesais.
 Em Santo Amaro, vários guias oferecem o passeio até lá, passando por várias lagoas do parque no caminho. Esse passeio não deve ser descartado.
 A comunidade é pequena e humilde e, assim como Santo Amaro, chama a atenção pelo seu cotidiano cercado por uma beleza impressionante.
Há um restaurante em Betânia que é baratinho e ótimo para se dar uma pausa entre os passeios.

Só a visão que se tem da Lagoa da Betânia do alto das dunas altíssimas, vale o passeio.
Outra comunidade que fica dentro do Parque é a Queimada dos Britos, um conjunto de palhoças perdidas no meio das centenas de lagoas e dunas.
No local, vive-se como no século XIX. Não há luz elétrica, nem gás, nem água encanada e muito menos sinal para internet, a não ser através da telefonia Oi. Dorme-se em redes e cozinha-se em fogões a lenha. Já percebeu que não se trata de um passeio e, sim, de uma experiência, não é?
A comunidade se orgulha de ter recebido a equipe de filmagem do filme Casa de Areia, em 2004, estrelado pelas Fernandas-mãe e filha. Como se não bastasse, no entorno da Queimada há lagoas incríveis para um bom mergulho.
Bem próximo à Queimada, fica outra comunidade nos mesmos padrões rústicos, a de Baixa Grande. Mais bonita e mais bem cuidada do que sua vizinha, essa comuna está situada em uma área mais privilegiada, cercada de fartas lagoas e dunas que fazem divisa com o município de Barreirinhas.
 Não preciso dizer que visitar um lugar como esse também não é um passeio, é um momento único. E as fotos falam por mim...
 
 Nem todos os guias levem turistas para lá. Tem que bater o pé. Baixa Grande faltava no meu currículo e achei que valeu muito a pena.
Entre Santo Amaro e as comunidades de Queimada dos Britos e Baixa Grande, em direção ao Leste, rumo a Atins, ficam as lagoas mais badaladas da região.
A das Andorinhas (foto) é uma espécie de Posto Nove do parque. É a preferida pelos turistas. 
O que chama a atenção nas lagoas dessa parte do parque não é só o tamanho e as formas, mas a cor da água que, na maioria das vezes, é mais bonita do que encontramos na região de Barreirinhas. E também são muito mais vazias. As outras estrelas são...
 ...Muricim,...
 ...Emendadas,...
,,,das Cabras...

...da Vassoura, e a mais famosa de todas,...
....a Da Gaivota, por ser a mais próxima de Santo Amaro.
Para resumir, são milhares de lagoas, dos mais diferentes tamanhos, formas e cores, a maioria ainda nem foi batizada. 
 Escolha uma, apodere-se dela e...
...seja feliz!
Tudo o que falei até agora em relação ao Parque dos Lençóis fica no trecho leste a partir de Santo Amaro, em direção a Atins. Como falei, neste trecho fica as principais atrações da região, por isso os turistas se concentram nesta parte do parque. Mesmo por que eles têm apenas poucos dias de permanência. Alguns mais aventureiros, optam por fazer o passeio de meio período até a Lagoa da América (foto), já no trecho a oeste, entre Santo Amaro e Travosa.
Os pouquíssimo que se aventuram a ir até Travosa, que é onde o parque começa, vão pela longa faixa de areia, por ser mais rápido. Mas é um trajeto muito monótono e sem graça nenhuma.
Muito mais legal é contratar um guia experiente e ir pelas dunas. Foi o que fiz. Aliás, o trecho Santo Amaro via dunas era o que estava faltando para conhecer nos Lençóis. E podem acreditar: é surpreendente!
Esse trecho está mais intocado. Não tem as megas lagoas do lado leste, mas em compensação a natureza é mais exuberante. E as dunas tem formatos mais incríveis.
A responsável pela exuberância da natureza é  a aproximação das dunas com o enorme Lago de Santo Amaro que nunca seca.
Este trecho até pode não ser tão badalado quanto o seu oposto, mas aqui você foge um pouco da mesmice lagoas+dunas. Deu para entender?

Mas tem lagoa pra gente tomar banho no meio do caminho? Lógico que tem. Muitas. E combine com o seu guia para fazer logo a parada na Lagoa da América, pois é caminho.
Travosa está exprimida entre o mar, o rio, o manguezal e as dunas do parque. Ali, a mãe natureza demonstra toda a sua generosidade.
O vilarejo é muito pequeno e pobre. Se Santo Amaro tem um dos menores IDHs do país, Travosa deve estar em situação crítica! Não há pousadas, nem hotéis ou restaurantes. O povoado era totalmente desconhecido até que há uns anos atrás passou a ser realizado um campeonato de surfe nos mês de abril.
É uma experiência única visitar lugares como este, onde o tempo parece correr mais lento. Visitar essa parte do Parque dos Lençóis não é uma viagem e, sim, algo que vai ficar marcado em sua memória. São momentos únicos não só pela beleza, mas pela a sua natureza quase intocada e a vida bem diferente da que vemos nos grandes centros.
Conhecer Travosa foi de certo a maior surpresa desta viagem aos Lençóis!
Espero que tenha ajudado a dar uma visão do que você irá encontrar ao visitar São Luis, Alcântara e a parte do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, na região de Santo Amaro.
Agora é com você. Planeje sua viagem com calma, levando-se em conta de que as lagoas costumam estar totalmente cheias a partir de junho e assim costumam ficar até agosto. Junho, para mim, é o mês ideal, já que se pode combinar com os festejos juninos.
Boa viagem!!
Contatos guias em Santo Amaro? Anote aí:
Biziquinho Contato: 98 3369 - 1005 e 98 9609 - 2199
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Também tem esse aqui: Tourinho - (98) 999133103.

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