domingo, maio 25, 2014

Sugestões de eventos em Nova Iorque. Um para o sábado, outro para o domingo. Ou tudo no sábado.

Quem estiver em Nova Iorque nos dias 7 e 8 de junho próximos, não deveria deixar de conferir um evento que há doze anos acontece na Madison Square, apenas em um final de semana.
A festa acontece anualmente em outras cidades americanas, mas é na Big Apple que ela tem o seu auge.
Mais detalhes sobre o evento, mergulhe aqui.
E está recomendadíssimo pela Time Out!
* Todas as fotos deste post foram tiradas em junho de 2013.

Evento 1: Big Apple Barbecue Block Party.

O início da Madison Avenue e toda a Madison Square ficam fechadas para o evento.
A Madison Square fica em Midtown e há uma estação do metrô, com as linhas  N e R, nas esquinas da 26 th Street com Broadway, bem em frente à praça.


A coisa começa por volta das 11h, mas uma hora antes, já tem muvuca.

Centenas de barraquinhas são espalhadas pelo local, vendendo vários tipos de churrasco e sanduíches. A fila, em algumas barracas, é grande, mas anda rápido.

Aliás, chamou a minha atenção a eficiência da organização. Desde o pessoal que organiza às filas até os que prestam informações.


E também o pessoal da limpeza.

A festa me pareceu ser bem tranquila. Tão tranquila que a polícia se junta ao povo e cai dentro do churrasco também.
Não são vendidas bebidas alcoólicas.

A frequência era bem variada, mas muito civilizada.

Clima familiar, mas nada conservador, careta e chato.

Mas qual é a dessa BBP? É levar a Nova Iorque e outras cidades o clima do autêntico churrasco sulista.
Os preços são convidativos e a qualidade dos produtos que provei era excelente.

Você também pode comprar frutas e vegetais fresquinhos em barraquinhas que nos remetem às feiras que rolam na parte do sul dos EUA.
E tem também a música. Em vários palcos, bandas e cantores de country, western & folk music se revezam.

É uma ótima oportunidade para se ouvir a autêntica música sulista norte-americana, em plena Nova Iorque, a cidade mais universal que existe.

Gosto muito de música country (que aliás, anda em alta por lá). E achei também o som que era levado ali, de altíssima qualidade. Country de raiz. Fazendo uma comparação meio cretina: é tipo assim, como se você fosse a um churrasco no Rio e o som ficasse a cargo da Velha Guarda da Portela. Deu pra entender?

Bem, recapitulando: Big Apple Barbecue Block Party, na Madison Square, dias 7 e 8 de junho de 2014, sempre às 11h. Mais detalhes, Time Out.

Evento 2: Smorgasburg, em Williamsburg, Brooklyn.

O quê? Churrasco, country music e ambientes familiares não são o seu forte?
Então, Smorgasburg!!!!!
Calma, não estou mandando você se f#@$$%!
Esse é o nome da feira que ocorre em dois pontos do Brooklyn nos finais de semana. Mas o mais quente rola aos sábados, em Williamsburg.
Se estiver lá na Madison Square, pegue o metrô das linhas N e R em direção ao Sul e desça na estação 14 St - Union Square. Faça a baldeação para a linha L em direção ao Brooklyn. Solte na estação Bedford e dirija-se para o East River Park.

O Ricardo Freire já havia falado nesta feira aqui. O Ric também ensina como chegar em grande estilo, de ferry, partindo de Manhattan.
O site do evento é esse aqui.

Aos sábados, o East River Park se enche de barraquinhas com comidas e objetos artesanais.

Ao contrário do Barbecue Block Party, aqui o clima é bem alternativo e descolado. Mas nem por isso menos organizado e civilizado.
Ali é possível se encontrar artigos diversos e comidinhas de várias partes do mundo. Da bagutete francesa ao churrasco coreano (?!!!!!!!!).
Experimente o que quiser - os preços são friendly -, mas não saiam de lá sem experimentar o sanduíche de sorvete (terceira foto), que já é a cara de Nova Iorque, em termos de gastronomia (tipo assim Bauru para Sampa, caldinho de feijão para o Rio e acarajé para Salvador).
Também há muita coisa vegetariana e orgânica...





Chamou a minha atenção, além do clima descontraído e a diversidade de comidinhas, foi como o local é bem aproveitado, às margens do East River e estrategicamente localizado na boca do desembarque/embarque do ferry.
Assim como no BBP, a muvuca ali é educada e civilizada. Mas, sabe como é...tem muvuca. E lá pela uma da tarde, as comidinhas nas barracas começa a faltar.
O ideal é que você curta o Smorgasburg no sábado e deixe o BBP para o domingo.
Mas, caso você não tenha tempo (o que foi o meu caso), dá para curtir um pouco dos dois. Desde que você deixe o Smorgas para o final, porque é imprescindível que você estique sua estadia em Williamsburg até a noite, caso você já não o tenha feito, é claro!

Vamos lá! Então, comida alternativa não é a sua? Não se aprreie! Nas proximidades do East River há vários lugares decentes para um almoço tradicional.

Tudo bem, almoço tradicional não é o seu forte? Tá, existem lugares decentes para uma boquinha também.

Mas, caso você nunca tenha estado ali antes nessa vida, seria muito bom bater perna por Williamsburg e conhecer essa parte descolada, cool e alternativa do Brooklyn.

Assim era o Soho até os anos 1980, antes que os preços dos alugueis em Manhattan ficasse bipolar. Então, parte do mundo da moda e das artes, pegou o metrô e começou a aportar nessa parte, antes, imigrante e pobre.
Que tal umas comprinhas? O local é infestado de grifes alternativas e até antiquários. Todos expulsos dos altos alugueis do outro lado do rio.
Bata perna à vontade até elas ficarem cansadas. Então, será a hora de voltar ao East River Park para relaxar e ver o sol morrer...


E depois que o sol morrer é hora de ir embora, certo?

Absolutly not, meu caro. Porque aí começa a noite em Williamsburg. Tudo bem, que a noite ali é mais voltada para a garotada. Se você já passou dos trinta, nunca colocaria um piercing, não se tatuou, nunca usou um naguirlé, pensa que o LSD está morto, nunca ouviu Yeah-Yeah-Yeahs ou Drive-by-truckers ou Afghan Whigs ou Kasabian ou Elbows ou Valerie June, curta um pouco o ambiente animado e descolado  do lugar (sacolas da GAP ou Zara realmente não são bem vistas ali) e saia de fininho, com certa dignidade. Mas fique pelo menos para o jantar.

O problema é que a exploração imobiliária já atingiu Williamsburg como uma tsunami e os preços dos imóveis têm ficado sem-noção por lá. E parte dos moradores alternativos e cool estão se mudando para outras partes do Brooklyn, como Cobbe Hill, mais ao sul, por exemplo.
Mas isso é assunto para outro post.
Em resumo: boa Big Apple Barbecue Block Party e bom Smorgasburg pra você!

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domingo, maio 18, 2014

Para o tédio em Floripa com tempo ruim, São Francisco do Sul!


De repente, você está em Florianópolis e uma frente fria antipática chega, fechando o tempo e derrubando a temperatura. O que fazer?

O mestre Ricardo Freire, do Viaje na Viagem, já deu algumas soluções aqui.


E aí eu pesei  que a cidade de São Francisco do Sul poderia ser mais uma opção para que o tédio não lhe seja fatal.


Vamos lá! Como os fatos mais marcantes nos primórdios do Brasil, ocorreram nas regiões sudeste e nordeste,  causa surpresa que a terceira cidade mais antiga do país (1504) esteja localizada em Santa Catarina.


Na verdade, São Francisco do Sul é diferente de tudo que se encontra no litoral catarinense. Pelo menos, o seu centro histórico, onde mais de cem prédios históricos, espalam-se por poucos quarteirões,  ao longo da orla. A maioria ainda preserva o colorido e as características da arquitetura influenciada pela colonização açoriana.


Entre as construções do Centro Histórico, duas se destacam. A primeira é a Igreja de Nossa Senhora da Graça (1699). Imponente e bem conservada, merece uma visita.
O Museu do Mar (na rua Manoel Lourenço de Andrade, 133, Centro), criado principalmente para contar a relação do homem com os oceanos, além de dar uma geral na história da navegação, me pareceu original (pelo menos, não conheço outro no Brasil) e interessante. É pequeno e tem como estrela máxima, o Paraty, barco  utilizado pelo  navegador Amyr Klink para atravessar o Oceano Atlântico a remo em  1984 e que gerou o livro Cem Dias Entre o Céu e o Mar.
O horário de funcionamento do Museu Nacional do Mar é de terça à domingo, das 9h às 18h e sábados e domingos, das 10h às 18h. O ingresso era de R$ 5 (na semana santa de 2014). Idosos e estudantes pagam meia.

Mais informações aqui.

Para mim, o grande barato de se fazer um passeio até São Chico – como a cidade é carinhosamente chamada -, é o fato de ser a cidade histórica catarinense que mantém suas características originais. E é diferente de tudo que você pode encontrar naquelas terras.







Além do mais, quem for encarar a cidade como apenas uma alternativa de passeio, deve levar apenas uma tarde para sarandar pelo Centro Histórico. E isso é ótimo! Porque acaba sendo o único passeio que se pode fazer a partir de Floripa, no qual dá para realmente relaxar em um lugar tranquilo. 
Não há estresse que resista a um final de tarde em um banco de praça.

Agora, um detalhe importante: embora eu tenha conhecido São Francisco do Sul em plena semana santa, estava muito relaxante. Mas tenho certeza de que na alta temporada (dezembro a fevereiero), essa tranquilidade seja abalada. Mesmo por que, a cidade está na rota dos cruzeiros.
Para quem quiser pernoitar, há as opções de lindas praias nos municípios vizinhos, sobretudo em Ubatuba. Quem for ficar por lá, também pode experimentar passeios de barcos que saem da região do porto em direção à Baía da Babitonga, além de conhecer o Forte Marechal Luiz (1909).


FAQ: O passeio até São Francisco do Sul é ideal quando...
1.        Você e Floripa já são íntimos, o tempo fechou e você já fez todos os programas sugeridos pelo Ricardo;
2.       Você está a fim de um programa diferente;
3.       Você está em alguma praia no litoral norte de Santa Catarina e está entediado;
4.       Você concluiu cedo o passeio a Blumenau/Brusque e ainda tem tempo para uma esticada até lá;
5.       Você vai fazer o trajeto Curitiba-Florianópolis e vice-versa e quer um programa diferente; e

6.       Você está disposto a explorar tudo o que Santa Catarina pode lhe oferecer.


Como eu chego lá?
1.       Vindo pela BR-101, pega-se a BR-280, na altura de Joinville. E é só seguir direto. Distâncias: Joinville, 40 Km; Florianópolis, 190 Km;  Balneário de Camboriú, 180 Km; Curitiba, 180 Km;
2.       Para quem está na capital catarinense, a visita só é viável de carro. De ônibus, só com pernoite. A viação Catarinense leva você até Joinville. Depois, é só encarar outro busão da Catarinense mesmo ou da VerdesMares;
3.       Barganhe com o taxista que presta serviço em seu hotel uma corrida até lá.

Cabe um bate-e-volta de busão?


·         Não! Definitivamente não vale a pena. Fica muito cansativo, são cerca de três horas só até Joinville. Não há ônibus, partindo de Floripa, para São Francisco do Sul e a Verdes Mares, empresa que liga Joinville a São Chico, tem horários desanimadores, os ônibus são velhos e não são confiáveis.



Onde ficar?

As opções não são muitas, pelos menos nos arredores do Centro Histórico.
Dê uma olhada aqui.

Onde comer?

·         Taí um ponto fraco na cidade. Sugiro que quem for de carro, almoce na estrada ou em Joinville. Parece que em São Chico, a opção mais conhecida é o Portela, restaurante simples na Rua Babitonga, 84, Centro. Fica bem no píer, em frente a Baía.

Para resumir:
Há praias maravilhosas em Florianópolis, mas as opções são poucas para quando São Pedro estiver de mau humor. Faltam bons museus, centros culturais e lugares históricos interessantes e bem preservados.

E é que aí que São Francisco do Sul entra como uma opção.

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domingo, setembro 01, 2013

Uma viagem/aventura descolada: de Recife a Fortaleza, via Piauí






Paisagem árida do sertão piauiense nos arredores de São Raimundo Nonato

Um roteiro reunindo cultura, história, sertão, rios, manguezais, montanhas que fazem eco, serras, formações rochosas, praias lacustres, praias fluviais, praias normais, complexo gastronômicos, praias paradisíacas, uma árvore surrealista, misticismo, sítios arqueológicos, pinturas rupestres, quilômetros de árvores coloridas, arquitetura moderna, casarões centenários, um castelo com um rico acervo de obras de artes, metrópoles, cidadezinhas minúsculas, locais exóticos, lendas, macacos que lhe jogam pedras, aves que mergulham em buracos a uns 300 km p/h, religiosidade, esportes radicais, dunas, artesanato, compras, vinícolas, boemia e balada, parece ser coisa de National Geograph.
Pois em junho, assim que voltei de Nova Iorque (foi quando conheci Woodstock, lembra-se?), me joguei numa road trip nordestina, seguindo um caminho que eu mesmo inventei para mim. Mas que pode inspirar outros viajantes descolados.

Formações rochosas no Parque Nacional da Serra da Capivara
Há tempos que eu queria conhecer o sertão. Meu curto contato com essa parte do nordeste, pouco explorada turisticamente, havia sido ao visitar o Canyon do Xingó, Sergipe, em 2006.
Há tempos também que eu queria conhecer o Parque Nacional da Serra da Capivara e o de Sete Cidades?
Há tempos que eu gostaria também de conhecer mais do minúsculo litoral do Piauí.
Luis Correia e Barra Grande eram cidades que eu não pude conhecer quando cruzei o Delta, em 2011, e gostaria de incluir neste pacote.
E, por fim, eu queria saber se Teresina seria "tão desinteressante como não falam".

Pinturas rupestres no Parque Nacional da Serra da Capivara.

Uma coisa que sempre me incomodou nas vezes em que pensei em explorar o Piauí, era a falta de aeroportos. Além, é claro, as longas distâncias e o péssimo estado de algumas rodoviais do estado.
Para quem já havia cruzado o Delta, tudo parecia obrigatoriamente ter que partir e acabar em Teresina, a capital nordestina mais desprezada pelas agências de turismo.
Para se visitar tanto a Serra da Capivara como Sete Cidades, eu teria que partir e voltar para a capital piauiense. Assim pensava eu. E olha que o trecho entre Teresina e a cidade-base para se visitar a Serra  no caso, São Raimundo Nonato, pode levar dez horas de ônibus! E isso sempre me fazia desistir.
Acabei me sentindo um idiota quando, ao pesquisar na web, percebi que daria para fazer o roteiro, sem vai-e-vem, a partir de Petrolina, no sertão pernambucano. Eureca!!!
Uma das muitas pontes que ligam Teresina à cidade de Timon, no Maranhão 

Sabendo disto, foi só planejar toda a aventura de modo que ficasse a mais redonda possível.
O resultado foi uma das melhores viagens que fiz na minha vida. Redonda, divertida, diversificada, cheia de prazer, emoção, cultura e aventura. Do jeito que eu gosto.
Fiquei tão feliz, que gostaria de compartilhar com quem se interessar em fazer esse roteiro um dia, já alertando que não é para qualquer tipo de viajante. 
Se você sofre de pressa, comodismo e frescura, saia deste post o quanto antes.
Também vou logo avisando: não é uma aventura barata. O Piauí é o estado mais pobre do país e pode parecer que fazer turismo por lá seja uma bagatela. Pura ilusão. Como praticamente não há estrutura turística, você muitas vezes tem que recorrer a meios alternativos como taxis, vans, moto-boys e outros profissionais que vêem no turista a sorte grande pela qual sempre esperou, se é que você me entende?

Vegetação de mangue x vegetação semi-árida. Só mesmo em Barra Grande.

Ah, outra coisa: o melhor período para se fazer essa aventura limita-se apenas a um mês: junho.
Isso porque o maior inimigo do turista no Piauí é o calor. De julho a dezembro, o calor é seco e cruel. De janeiro a maio, ele é úmido e mais ameno, mas a ocorrência de pancadas de chuvas, por vezes fortes, pode atrapalhar quem pretende fazer um tipo de roteiro rústico como este que inclui muita caminhada, trilhas e praias.
Em junho há um equilíbrio. Menos chuvas e temperaturas mais suportáveis.
Mas como o clima anda louco, não dá para confiar muito. Eu confiei e me dei muito bem. Mas não há mais regras quando o assunto é tempo.

Os torós que costumam cair em grande parte da costa leste nordestina, em junho/julho.

Bem, tudo começou em Recife. E junho é o pior mês para se conhecer Recife.
Antes que você me xingue, vou explicando que este roteiro só vale para quem já conhece Recife.
O quê? Você não conhece Recife e ainda se diz turista descolado? Humpf!!! Você, hein!
Na verdade, você não precisa ficar em Recife. A Gol, a Trip e a Azul têm voos regulares para Petrolina  partindo do Rio e São Paulo. Mas todos com conexão, geralmente, na capital pernambucana.
Acontece que detesto fazer conexão e acho Recife uma cidade tão sensacional, que decidi fazer um pernoite. E isso acabou tornando essa viagem ainda mais sensacional.
Voltando ao que interessa, cheguei em Recife em pleno período de chuvas (maio a agosto) e a foto acima foi tirada neste primeiro dia. Eu já sabia disso e como já era a enésima vez que eu pisava na cidade, não me abalei, pois não estava com animus de praia e nem passeios.

Esculturas no Primeiro Jardim.

Como não estava a fim de praia, eu pretendia ficar entre os primeiro e segundo jardins, ou seja, no início de Boa Viagem, pois ali se encontram os meus restaurantes preferidos, como a popular filial do Camarada Camarão e os sofisticados Barbaricco Bongiovanni e  Wiella Bistrô.
Mas dessa vez, não consegui vaga em nenhum hotel da região e acabei ficando no Internacional Palace Hotel, mais ao sul. Não foi a primeira vez que me hospedei ali. Os preços são bons, o atendimento é gentil e tem um restaurante de frente para a praia, onde você toma um café da manhã dos deuses. As acomodações precisam de uma repaginada - um mal que assola muitos hoteis da orla de Boa Viagem.
Mas a localização é o grande lance deste hotel, para aqueles que querem dar um mergulho e têm fobia de tubarão, como a torcida do Flamengo. É que o hotel fica bem no trecho da praia que é protegido por uma extensa barreira de recifes e, logo, é liberado para banho.
Não era o meu caso. Eu tinha outros planos para as vinte e quatro horas em que fiquei em Recife.
Mais informações sobre hotéis em Recife, você pode encontrar aqui.

O bar/restaurante Pescadero fica no Poço de Panela, onde os recifenses estão indo comer e bebericar.

Meu principal objetivo na minha parada em Recife era ir ao Instituto Ricardo Brennand, que vergonhosamente não conhecia ainda. Em 2004, eu havia conhecido a oficina do seu primo Francisco Brennand.
Contratei um táxi do hotel para me levar. No caminho, para matar a fome, decidi parar na localidade de Poço de Panela, no bairro Casa Forte, para matar também uma curiosidade. É que ali, nos últimos anos, foram abertos alguns restaurantes que estão dando o que falar, sendo o Real Botequim e o Pescadero, os mais badalados. Um está ao lado do outro e ouvi falar muito bem de ambos.
No dia em que eu fui, os dois estavam fechados para almoço e optei pelo Pantagruel e gostei. Comida deliciosa, atendimento competente e preço justo.
A região de Poço de Panela e Casa Forte é, atualmente de classe média, mas nem sempre foi assim e muitas ruas ainda guardam construções antigas, que remetem ao seu passado mais humilde e dão um toque de charme ao lugar. O local ainda não foi descoberto pelo turismo de massa e bomba nos finais de semana. Só locais.





Entrada magnífica do Castelo do Instituto Ricardo Brennand.

Quanto ao Instituto Ricardo Brennand, é o que eu chamo de um carinho na alma. Um acervo imenso de obras de arte de diversos artistas e estilos, que merece ser degustado aos poucos.

Acervo do Instituto Ricardo Brennand. Um toque de primeiro mundo em pleno nordeste.

Além do acervo, a organização, o atendimento, a conservação, tudo nos remete aos grande centro culturais ou museus do primeiro mundo, embora o acervo não seja tão rico. Mas o Instituto Ricardo Brennand é um dos lugares que nos fazem sentir orgulho de ser brasileiro.

Instituto Ricardo Brennand é lindo por dentro e por fora.

O acervo do Instituto Ricardo Brennand me encantou muitíssimo (com destaque para as salas dedicadas a armas e armaduras).  Mas o castelo, em si, já vale a visita. O lugar é bonito d+.

Peças do artesanato pernambucano à venda no novíssimo Centro de Artesanato de Pernambuco.

Depois, fui até o novíssimo Centro de Artesanato de Pernambuco, inaugurado em novembro último, no Marco Zero, na zona portuária, e que reúne obras de alguns dos melhores artistas pernambucanos.
O lugar é uma beleza, está muito bem localizado e é uma festa para os turistas. Ainda conta com um charmoso café. Achei os preços das peças um pouco salgados, mas que são bonitas, isso ninguém duvida.
Decidi não comprar nada, para não carregar muito peso, já que estava apenas começando a minha jornada.

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Depois, o resto do dia foi um happy hour no Bar Central, eu disse Bar Central, e uma pizzazinha gostosa no restaurante do Hotel Jangadeiros. O primeiro eu já conhecia de outros carnavais e adoro! Esse último, comecei a ir na minha última ida a Recife e aprovei. Não sei o hotel em si, mas o restaruante é muito tranquilo, a pizza é gostosa, o atendimento muito bom e o preço bem em conta. Além do fato de estrar em frente à praia.


No dia seguinte, o sol voltou e ainda deu para dar uma voltinha na praia e aprovar os novos postos de salvamento da Praia de Boa Viagem. Bonitos, funcionais e totalmente integrados ao ambiente.
Depois, fazer uma boquinha no Giro Burgueria, uma lanchonete de formato arredondado, no coração da Boa Viagem, que fica aberta até altas horas e é a salvação para quem sai esfomeado das baladas.

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Aí, veio a hora de se mandar para o aeroportoe  para partir para a outra etapa da aventura...Petrolina.


Sentar na janela é obrigatório para ver Velho Chico serpenteando pelo sertão baiano...


...e também ver o contraste dos vinhedos com o solo árido do sertão, nos arredores de Petrolina.

A Catedral de Petrolina (Igreja do Sagrado Coração de Jesus) ao anoitecer.

Petrolina é uma cidade de porte médio e em franco crescimento, mas o turismo ainda caminha em passos lentos. A maioria dos turistas ainda são de Pernambuco mesmo ou de estados vizinhos, que geralmente chegam em seus próprios meios de transporte.
O primeiro desafio do visitante será encontrar um bom hotel (leia-se: diárias justas, boas acomodações, boa localização e serviços). A rede hoteleira é minguada e ainda voltada para o viajante que está a trabalho.
Eu fiquei nesse aqui, mas não recomendo. Fiquei por causa da localização - perto da orla, da ponte para Juazeiro e a parte mais antiga da cidade. Talvez eu devesse ter ficado no Quality, ali perto. Só não fiquei porque não consegui saber se eles ofereciam café da manhã, algo fundamental numa cidade com poucas opções para se comer.
O Costa do Rio é um hotel simples e antigo. Bom para apenas uma noite. O café da manhã é bom, as acomodações deixam a desejar e o atendimento na recepção foi o pior de tudo. Recepcionista totalmente sem-noção-das-coisas.
Depois que fui perceber também que na parte mais ao sul da orla, há muito mais opções de restaurantes, mas já era tarde demais. Primeiro vacilo da viagem. Sorry!


Por falar em opções para se alimentar, o grande barato da cidade é esse aí em cima. Uma espécie de "centro gastronômico" QUASE todo voltado para a carne de bode, a principal atividade pecuária da região. São vários restaurantes agrupados um do lado do outro, mas nem todos são voltados para a carne do bichinho. Há até restaurante italiano no meio. Mas já que você está na Capital do Bode, mereceria ser esbofeteado se fosse comer pizza.
Por puro preconceito, eu imaginava o lugar, um verdadeiro pardieiro, com muitas birosquinhas e restaurantes de quinta. Que vergonha! O lugar é bem organizado e limpo. Os restaurantes têm bom aspecto, apesar da simplicidade. O atendimento é competente e os preços bem razoáveis.
Ah, a carne de bode? Uma delícia!!!! Macia e saborosa. Lembra um língua de boi. Aprovadíssima!!!
Aliás, o Bodódromo foi um dos achados dessa viagem. Nota dez!
Mais informações aqui.

Balsa que transporta moradores entre as margens do São Francisco.

Nos finais de semana, pela manhã, saem barcos do pier que fica mais ou menos no meio da orla da cidade, em direção a Ilha do Rodeadouro, que fica no meio do leito do São Francisco, há cerca de uma hora de Petrolina.  Não achei o passeio muito cansativo e é muito bonito, principalmente no final da tarde.

Classe média de Petrolina, curtindo uma praia, nas ilhotas que surgem no rio durante o período de baixa.

O que mais achei interessante no passeio foram os contrastes. Casebres de um lado e mansões do outro. Pescadores em canoas, sendo quase atropelados por jovens em jet-skis. 
No período de baixa no São Francisco, entre maio e novembro, ilhas de terra e areia surgem e é nelas que a classe média da cidade vai curtir um bronze. Chegam em suas lanchas potentes. Basta escolher uma ilha e ali colocar a churrasqueira, as cadeiras e até barracas. Como se estivessem em Ipanema ou no Guarujá, os banhistas de uma ilha parecem procurar ostentar mais do que os da outra. E tome smartphones, camisetas da GAP, óculos rayban e calções da Osklen. Chega a ser hilário.

As montanhas no território baiano, vistas ao longe, são um capítulo à parte.

A Ilha do Rodeadouro fica bem na divisa entre Bahia e Pernambuco. Cada lado da ilha fica voltado para um estado. Você chegará do lado pernambucano que, apesar de ser menor e não ter tantas opções de bares, é bem mais bonito, bem frequentado e civilizado.
Há salva-vidas no lado pernambucano, o que não vi no lado baiano. Há muita correnteza no rio, mesmo na baixa. Acredito que seja bem perigoso na cheia.
A comida servida do lado pernambucano era gostosa e barata.
Não sei se foi impressão a minha, mas não há muita interação entre os banhistas dos dois lados.

Balsa atracada na orla de Juazeiro da Bahia.

Em resumo, o passeio pelo São Francisco vale muito a pena. Acho que é a melhor forma de se integrar à vida da população daquela parte do nordeste. Além do mais, vivendo numa cidade grande, não tenho muitas chances de mergulhar num rio tão grande. Aporovado!
Se chegar cedo e ainda tiver pique, vale a pena atravessar a ponte que liga Petrolina a Juazeiro e curtir o por do sol em algum bar no lado baiano.
Juazeiro é uma cidade bem mais pobre, feia e sem atrativos, mas não merece ser deixada de lado. Os bares têm um aspecto meio esquisito, mas são bastante animados. Achei o povo em Juazeiro mais receptivo.

Dunas & Montanhas nas margens do Velho Chico, na Bahia.

Mais o passeio que me surpreendeu muitíssimo foi mesmo um lugar chamado Dunas do Velho Chico, no município de Casa Nova, Bahia.
A primeira vez que ouvi falar desse lugar, foi aqui. Fiquei curioso e toda vez que fico curioso é um perigo. Prometi a mim mesmo que iria conhecer esse lugar envolvendo dunas e o Velho Chico ainda nesta vida.
E não me arrependi.

Eis qual foi a minha surpresa que chegando em Petrolina,  percebi que poucas pessoas sequer haviam ouvido falar desse paraíso. E as pouquíssimas que já haviam ouvido sobre ele, sequer sabiam onde ficavam ou como chegar lá.
Nem mesmo o pessoal da Rafhatur  que me levou a todos os passeios, sabia onde ficava. Tiveram que sair perguntando. Praticamente eles descobriram o lugar junto comigo.
Acontece que o lugar é isolado e só tem uma estrada de terra como acesso. Parece que só agora o governo municipal está investindo mais no local. Ainda assim, não é fácil de chegar, embora esteja a um pouco mais de uma hora de Petrolina. Não me perguntem o caminho para chegar lá porque não sei. Só sei que chegamos, pegando a rodovia para Remanso e, depois de passar por Casa Nova, pegamos uma estrada de terra à esquerda. E só.
O Marcus Ramos esteve lá em 2008 e certamente a sinalização mudou. Quem pretende alugar um carro em Petrolina para chegar lá, o jeito é sair perguntando. Ou ir com a Rafhatur, eles já devem ter aprendido. Rs.

De qualquer forma, toda dificuldade para se chegar a esse lugar incrível será recompensado com águas verdes e quentes, vento refrescante e dunas boas de subir. E também um visual que eu nem nos meus mais lindos sonhos, imaginei ver em pleno sertão. Ah, e em certos trechos, a baixa do rio, deixou para trás algumas piscininhas naturais de água absurdamente quente. Absolutamente show!
Falta estrutura. Um barraco de madeira é o único lugar que vende algo "comível". E é um lugar para se passar o dia. Portanto, nós levamos muita água e algo para mastigar.
Seus olhos, sua mente e sua alma irão lhe agradecer.





Na volta, pegue a estrada, mas não tenha tanta pressa de voltar para Petrolina.  Aproveite que você está em Casa Nova e parta rumo a...


...Usina de Sobradinho. Se possível, cantarolando aquele sucesso da dupla Sá & Guarabyra nos anos 1970. 
Adeus Remanso, Casa Nova, Sento-Sé/Adeus Pilão Arcado vem o rio te engolir

É um programa bem turístico, eu sei. Mas não é que o lugar é muito bonito?!
Dependendo do horário que você chegar, ainda pode ver a compotas em operação.
Aqui e aqui, você encontra mais informações.


Eu optei por ir ao entardecer porque disseram que era muito lindo. E também achei. Concordam?

Uvas exuberantes em pleno sertão.

Um outro passeio a partir de Petrolina que será um crime caso você não faça, é visitar uma das vinícolas da região.
Antes, se alguém me dissesse que eu iria provar um vinho tipo exportação em pleno sertão baiano, eu seria capaz de fugir em desabalada carreira desse louco(a).
Pois há, sim, vinícolas importantes bem próximos de Petrolina. Eu optei pela Ouro Verde (do grupo Miolo) por ficar apenas a 50km. O problema é que as visitas precisam ser agendadas e ocorrem obrigatoriamente na companhia de um guia.
Lá, você encontra enólogos que explicarão como se dá o milagre de se produzir vinhos e espumantes de altíssima qualidade numa região tão árida.
Além disso, rola ainda uma degustação e o visitante também pode comprar, não só as bebidas, como produtos para manutenção, transporte e manuseio. Os preços me pareceram bastante convidativos e vi muita gente comprando.Como se estivéssemos na serra gaúcha. Incrível!!!!
Mais informações sobre as vinícolas da região, aqui e aqui.
E tem mais: eles costumam fazer um passeio de barco no São Francisco, no qual a degustação rola durante todo o trajeto. Parece que é a noite. Um luxo em pleno sertão! No site da Ouro Verde eles dão maiores informações.
Casarão imponente na parte mais antiga de petrolina.

Outra parte de Petrolina que você não pode deixar de conhecer é a chamada Petrolina Velha, próxima à orla.  Por ali, há construções antigas com a arquitetura do século 19 que merecem uma visita. E é nessa parte da cidade que fica a Igreja Nossa Senhora Rainha dos Anjos, que foi a primeira de Petrolina e data de 1906. Imperível!

*********

Hora de se mandar para São Raimundo Nonato, no Piauí.
Não tentei alugar um carro porque já sabia que o estado das estradas não era bom e fiquei com medo de ter problemas. Nem pesquisei locadoras em Petrolina.
A já citada Rafhatur pode levar você até lá, mas se trata de um pacote já com os passeios dentro do Parque Nacional da Serra da Capivara. Sai muito mais barato você ir por conta própria e estabelecer os passeios que gostaria de fazer.
Optei por ir de busão. Apenas uma empresa faz o trecho Petrolina - São Raimundo Nonato, cidade-base para os passeios ao Parque: a Gontijo - São Geraldo. E só há um horário. O ônibus sai de Juazeiro e passa pela rodoviária de Petrolina por volta das 14h10min.
Vou logo avisando: ele para em diversas cidades e o trecho da estrada entre Remanso e São Raimundo está péssimo (leia-se: crateras). Devido a isso, o tempo de viagem pode variar um pouco. Eu saí às 14h15min. e cheguei pouco depois das 20h.

Pinturas rupestres nas formações rochosas do Parque Nacional da Serra da Capivara.

São Raimudo Nonato é uma cidade de porte médio, para os padrões do Piauí. Se estivesse no Rio de Janeiro ou em São Paulo, seria considerada uma cidade pequena. Turisticamente, a cidade não tem atrativos, mas é a mais estruturada  para receber os que pretendem conhecer o Parque.
Então, vamos lá. Cheguei na pequena rodoviária da cidade e não havia táxi. Mas um moto-táxi resolveu o meu problema. A rodoviária fica um pouco afastada do centro, onde fica o Real Hotel. Achei uma opção barata, bem localizada, com bom atendimento e, o mais importante, oferece café da manhã, que é algo a se levar em conta, em uma cidade com menos lugares para se comer do que Petrolina.
Detalhes, dicas e mais informações sobre essa passagem pelo Piauí, eu recorri ao excelente site da Nanci Naomi, a padoreira dos mochileiros, que lá esteve em julho de 2011.
Mais informações sobre a região, você também pode ler nesta reportagem da Folha de São Paulo, no início de 2013.

Show de cores no Baixão da Pedra Furada, na Serra da Capivara.

Durante o meu check in no hotel, já pedi um guia para me levar até o Parque. Você não entra no Parque sem um. Mesmo que você esteja com veículo próprio, terá que contratar um guia. O mais comum é os turistas de outros estados contratarem um guia com carro. Carro é ideal, pois as distâncias, na maior parte, são longas entre os lugares de interesse, e volto a lembrar do calor que faz naquelas bandas.
Aí, vem a primeira dúvida do visitante: quantos dias devo ficar?
Bem, se você não é geólogo, arqueólogo e não tem nenhum interesse em fuçar sítios arqueológicos, acredito que duas ou três noites são o bastante. Fiquei apenas duas por uma questão de tempo, já que minhas férias estavam acabando.
Caso você faça questão de explorar profundamente a região, considere ficar cinco noites ou mais.
O importante ao contratar o guia, é que o visitante deixe bem claro qual é a dele, para não perder tempo e nem dinheiro, porque o trabalho do guia é bem remunerado, se é que vocês me entendem. Dá para barganhar, mas pero no mucho, já que este é o principal ganha-pão deles. Também leve uma grana em dinheiro, porque a maioria não aceita cartões e barganhe até o segundo andar apenas(levando-se uma escala de cara-de-pausisse com dez andares).
Caso você opte por ficar muitos dias, leve em consideração o quanto vai gastar.
Meu guia foi a Eliete, muito legal. O Rafael também é muito bem requisitado, segundo a Ciça, uma carioca que visitou o lugar no carnaval de 2011.
Outra recomendação: para quem vai no inverno (junho-agosto), é bom levar um casaco, pois os passeios começam cedo e há algumas manhãs frias. Lembre-se que estamos falando de uma serra.

O principal cartão postal do Parque, a Pedra Furada.

Não vou dizer aqui o roteiro que se deva fazer, porque isso vai de cada um. Até para não tornar este post muito longo, vou apenas falar apenas dos pontos que mais chamaram a minha atenção.
Vamos lá! Primeiro, o Baixão da Pedra Furada, na Serra Talhada, que inclui a dita cuja e mais uma série de formações rochosas incríveis, feitas dos mais diferentes materiais e que nos  remetem àquelas formações do meio-oeste norte americano, como essa da foto aí embaixo.


A paisagem é linda. Os guias, geralmente, levam os visitantes para esse local no final da tarde, quando o sol fica numa posição melhor para se fotografar a Pedra Furada. E sugiro que se leve bastante cartões para as máquinas. E vou logo avisando que celular não vai dar conta do recado, o ideal é uma câmera com zoom razoável e algum controle de luminosidade.
Quanto às pinturas rupestres, você vai ver milhares delas, espalhadas principalmente na Serra Talhada, onde fica o Boqueirão da Pedra Furada. Ali estão as principais pinturas, que também podem ser visitadas à noite, pagando-se uma taxa adicional. Neste caso, o guia fica lá com você.

As formações rochosas do Boqueirão da Pedra Furada são mesmo de uma beleza que chega a emocionar. Você agradece a Deus por estar vivo e poder ver aquilo.
As tocas dos fundos do Baixões da Vaca também merecem uma visita por terem pinturas bem interessantes e uma tremenda visão panorâmica.

Até os sinais das placas nos sanitários são em cima das pinturas rupestres.

A pausa para o almoço geralmente ocorre em dois lugarejos bem próximos do parque.
No dia que você for conhecer a Serra Talhada, você vai comer no Sítio do Barreirinho, onde há uma oficina de cerâmica, mantida pelos habitantes da comunidade. Ali, o mulheril vai se esbaldar. Vi muita coisa bonita lá e os preços são razoáveis.
No outro dia, quando eu voltei para terminar a Serra Talhada e visitar a Serra Vermelha, almocei no restaurante da Paula, no Sítio do Mocó. Gostei mais deste.
Ambos locais são simples, mas a comida é gostosa. Os preços também não são altos.
Notei que os guias, não pedem, mas esperam que você lhes pague a refeição. Eu paguei para a Eliete, pois achei que ela merecia, mas isso vai de cada um.

Formações rochosas na Canoas Serra Vermelha.

Ainda na Serra Talhada, você tem a vista panorâmica do Boqueirão do Pedro Rodrigues e as incríves Canoas da Serra Vermelha, com suas formações rochosas enormes que se estendem por quilômetros. A Elisete era muito zen e me deixou ficar alguns minutos curtindo não só o visual, mas também aquilo que está cada vez mais raro nas grandes cidades: o silêncio. Ali, o único ruído é o feito pelo vento. Aproveite para deixar o smart phone na mochila e fique um pouco sozinho. Sua alma vai lhe agradecer.

Tapete colorido da vegetação do sertão em junho.

Pelas fotos dá para ver que peguei tempo bom. E o melhor, sem calor. A temperatura estava bem agradável, basta dizer que eu pouco suei (e olhe que meu nome é suor). A própria guia me disse que eu vim mesmo na época certa.
Na época certa também para ver outro espetáculo da natureza. É que a partir de maio, as árvores do sertão se preparam para perder as folhas. Mas antes disso, a maioria muda sua folhagem, proporcionando o visual incrível de um mar de árvores das mais variadas cores, que se estende por quilômetros. Maravilha!


A fauna que se vê na Serra é um outro atrativo, antas, cobras, coiós, onças-pintadas, veados, quatis. E muitos macacos-prego que circulam em bando, principalmente na região do Caldeirão da Gameleira. São uma graça. Mas a fofura deles vai apenas até o primeiro andar. Caso sentam-se perturbados, jogam pedras ou frutas.


Outro espetáculo que não pode ser perdido EM HIPÓTESE ALGUMA é o mergulho das andorinhas.
Acontece diariamente ao entardecer. Nós chegamos e ainda estava bem claro. Não vi andorinha nenhuma. Reclamei. A Elisete, com sua calma budista, disse: "Calma, elas vão chegar." E dito e feito. Comecei a ouvir um ruído crescente de um enorme bando de aves se aproximando. Em pouco tempo, o céu sobre nós estava cheio delas, voando em círculos.
Aí, em grupos de 15 ou 20, elas começaram a mergulhar. O que me chamou a atenção foi a velocidade (sem brincadeira, as danadas deviam estar estar a uns 200 ou 300 km por hora) e o ruído que produziam ao passar por nós. Você abre sua boca e só fecha quando elas todas já mergulharam em espécies de cavernas verticais, por entre as formações rochosas, onde vão passar a noite.
Parece que entre elas há uma andorinha-general que ordena: "Agora o pelotão A. Mergulhar!!!" E elas vão mergulhando com tudo. Algumas passam bem próximo a você (nós ficamos bem próximo a entrada de um dos tais buracos), produzindo um ruído semelhante a um carro de fórmula 1.
E você volta pro hotel com o maxilar doído de tanto ficar com a boca aberta. Um programa 3 i`s. Impressionante, Incrível e Imperdível.
Um detalhe: ainda há o Museu do Homem Americano que eu não me interessei em visitar. Mas o seu site é interessante para quem vai visitar o Parque.

Não consigo visitar um cidade, por menor que seja, sem conhecê-la melhor. Então, antes de partir, dei uma circulada pelo "centro nervoso" de São Raimundo Nonato e fiquei encantado com os casarões do início do século passado, na Praça da Matriz e ao longo da avenida Professor João Menezes.  No link acima, você pode saber mais da história desta pacata cidade.


Até nos arredores da cidade, você encontra construções que contam a história da cidade.


Em São Raimundo também, conheci a famosa Dona Dirinha, dona do restaurante Sabor e Arte. Ela até uns anos atrás era apenas a pacata dona de um restaurante, numa cidade no sertão piauiense. Aí, uma equipe de filmagem apareceu na cidade e num dia comum, a Bruna Lombardi adentra o seu estabelecimento e enlouquece com seus pratos, dentre eles, a famosa torta enfeitada com os símbolos das pinturas rupestres. Daí veio um prêmio num concurso culinário em São Paulo recebido pela sua torta de aipim com recheio de carneiro.
Cheguei até essa figura pela indicação da Ciça. Não saia de São Raimundo Nonato sem conhecê-la, nem que seja para ser recebido com esse sorriso enorme e levar algo para beliscar na loooonga viagem até Teresina  Dona Dirinha é daqueles tipos que acabam enriquecendo qualquer viagem.

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Três linhas fazem o trajeto entre São Raimundo Nonato e Teresina e em junho último, os horários de partida e os telefones das empresas eram esses:
Líder diariamente às 8h e de seg-sáb às 15h, via Oeiras, tel.: 9411-9573 / 9412-5730. 
Transpiauí às 13h. 
Princesa do Sul às 20h30, tel.: 3582-1268. 
Não adianta procurar, porque nenhuma tem site. Um problema comum para quem vai fazer turismo no Piauí. Se alguém descobrir, favor passar.
A duração da viagem parece que dura de acordo com a empresa, o trajeto e o horário. O horário noturno é, claro, mais rápido. As condições da estrada, é claro, acabam interferindo na duração. Peguei o horário das 8h, via Oeiras e não achei a estrada tão ruim.

Amei essa pintura no muro de um colégio em Teresina.

Cheguei em Teresina em um final de tarde em que a capital vivia a ocorrência de sua primeira manifestação estudantil, que já vinham ocorrendo em outros pontos do país, após o primeiro aqui no Rio. Como o hotel que eu havia escolhido ficava no coração do Centro da Cidade, tive problemas para alcançá-lo.
Por  que decidi pernoitar em Teresina?

  1. Porque seria muito cansativo embarcar para Pedro Segundo,  após ter ficado mais de oito horas em um ônibus; e
  2. Eu tinha certeza que Teresina estava me escondendo alguma coisa.
Escolhi o Real Palace devido à localização. 
A maior parte dos poucos turistas que se dão ao trabalho de ficar em Teresina, se hospedam nos arredores do bairro do Jóckey, onde ficam os grandes shoppings e os bons restaurantes. 
Real Palace era uma opção muito simples, com bom atendimento e café da manhã razoável. Mais o melhor era poder conhecer os principais pontos a pé. Tenho certeza que existem outros hotéis melhores no Centro de Teresina, mas, para apenas uma noite, este hotel foi um achado.
E o que é que Teresina tem? Bem, não deu para visitar tudo, mas aí vão alguns das razões pelas quais eu acho que vale a pena você gastar uma ou duas na capital nordestina menos visitada:


Gostei muito do Museu do Piauí, com sua nova faixada colorida. Pequeno em termos de acervo, mas uma aula de história sobre este estado, pouco conhecido pelos brasileiros.
Fica na Praça da Bandeira, que é um oásis no coração da cidade calorenta. Tá cansado (a)? Sente-se ali para relaxar e examinar os piauienses.
Bem próxima ao Museu do Piauí, ainda na praça, fica a bonita Igreja do Amparo, datada de 1852, que também requer sua atenção.
Indo para o lado oposto da Praça da Bandeira, está o imponente prédio do Palácio da Cidade, quero dizer, a Prefeitura de Teresina. O prédio é muito bonito, principalmente à noite, com uma linda iluminação.

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Peguei os termômetros por volta dos trinta graus em Teresina e o ar estava seco. Mas isso não impedia um carioca de bater pernas. A partir de julho, as temperaturas e a secura aumentam e pode ser um problema. Dizem que o vento em Teresina parece uma baforada saindo de uma estufa.
Mas como era junho e o calor ainda era suportável, desci a rua da prefeitura em direção às margens do Rio Parnaíba. Lá encontrei o Shopping da Cidade. Não costumo visitar shoppings em viagens, mas esse me chamou a atenção por ser um shopping popular e ele pôde me contar mais sobre o povo da cidade. Inclusive, chamou-me a atenção o enorme número de lojas de roupas íntimas. Será que tantos teresinenses estão querendo apimentar a relação?
Mas se shopping não é mesmo o seu forte, em frente, quase nas margens do rio, está o mercado Troca-troca, onde se faz qualquer tipo de transação. Esse tipo de mercado parece ser muito comum no Piauí, pois eu já tinha visto um troca-troca numa das principais praças de Parnaíba, em 2011. É curioso e interessante, vale a pena perder alguns minutos ali.
Aproveite para dar uma olhada nas estilosas pontes sobre o rio Parnaíba, tipo aquela bem no início do post.


Há algumas quadras dali, está a Igreja de São Benedito, de 1886. Achei interessante a sua localização, bem no meio de duas praças e no meio de uma grande avenida, a Frei Serafim. Vale uma visita.
Aliás, Teresina foi a primeira capital planejada do Brsil. Você sabia? Mas depois de rodar quase todo o Centro, a conclusão que você chega é que não parece se tratar de uma capital. O mesmo sentimento toma conta de quem circula pelo centro de Florianópolis. Só que a capital catarinense optou por se preservar assim. Em Teresina parece ser coisa de destino mesmo.


Bem em frente à Igreja de São Benedito, fica o Palácio Karnak, I mean, a sede do governo piauiense. Muito belo. Mas achou que tem um quê de Casa Branca?  Tudo muito Kitsch? Nouveau riche? Você não se tocou que está no estado mais pobre do Brasil? Você esperava o quê? 
Mas que é bonito, é. Não sei se está aberto à visitação. Se alguém souber, me conte.


Pertinho dali está um dos orgulhos de Teresina. Com mais de cem aninhos, o Theatro 4 de Setembro é uma beleza e infelizmente não pude assistir nenhum espetáculo ali. Deve ser tudo!
Mais informações sobre este senhor, aqui.


Do outro lado da praça, em frente ao Theatro 4 de Setembro, fica o ótimo Centro de Artesanato Mestre Dezinho, um prédio bem antigo, onde o visitante pode entrar em contato com praticamente tudo o que se faz em termo de artesanato no estado. Muita variedade e preços amigos. As redes e os artigos em cerâmicas, para mim, são o que vale mais a pena. Simplesmente obrigatório!


As águas barrentas do Poty se encontrando com as esverdeadas do Parnaíba.

Aí, bateu fominha. Então, peguei um táxi e fui até o Parque Ecológico Encontro dos Rios, bem lá na ponta norte da cidade, onde o Parnaíba se encontra com o Poti. O parque não é muito grande e dá para se conhecer em poucos minutos. Infelizmente, junho é época da baixa nos rios e estava meio sem graça. Acredito que no período da cheia, seja bem mais atraente.
Dentro do parque, existe um restaurante flutuante, onde você pode comer pratos regionais e com vista privilegiada do encontro dos rios.

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Mas eu estava a fim de algo mais sofisticado e decidi tentar a elegante filial do Grand Cru na cidade (eles tem outro em Brasília), onde os cardápios vem em tablets. Não quero parecer um deslumbrado. Em Sampa, isso seria banal, mas não esperava esse nível de sofisticação em Teresina. A comida, o serviço, o atendimento e o ambiente seguem no mesmo nível. Aprovadíssimo.

Pescador no Encontro dos Rios.

Meu programa noturno foi conferir a visão noturna do Complexo Turístico da Ponte Estaiada e jantar em outro restaurante recomendadíssimo: o Coco Bambu, no elegante bairro do Jóckey (a Ipanema/Leblon ou Itaim Bibi de Teresina). Depois, foi só voltar para o hotel e entrar em coma de tanto sono.
Tenho a certeza de que Teresina tinha mais para me mostrar. Mas por falta de tempo, precisei partir. E parti com a certeza de que vale a pena dispor de uma ou duas noites na capital piauiense para conhecer suas belezas, sua cultura e seus contrastes.

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E a próxima parada seria Pedro Segundo, uma cidade serrana há uns 200 km de Teresina, e que é conhecida como A Suiça Piauiense, devido ao seu clima mais ameno.
Realmente, cheguei lá com chuva (a única chuva que enfrentei no estado) e meu smartphone marcando 23 graus, o que é realmente ameno para os padrões do Piauí.
Cheguei lá pela Viação Barroso. Eles não têm site, mas aqui você consegue os horários.


Durante muitos anos, Pedro Segundo foi conhecida como cidade das pedras, já que sua principal renda vinha da extração e venda de pedras semi-preciosas, principalmente a opala. Até hoje, ainda há muitas lojas que vendem as pedras e produtos feitos por elas.
Nos últimos anos, porém, o mercado das pedras enfraqueceu e a cidade parece que resolveu suprir a queda na economia com cultura e turismo, já que muitos artistas piauienses haviam escolhido o clima pacato e ameno da cidade para se estabelecer. Não é por outro motivo que há oito anos, entre o fim de maio e início de junho, Pedro Segundo promove o seu Festival de Inverno. No site proposto, você dá uma olhada na programação deste ano e obtém muitas outras informações sobre a cidade.


Achei a cidade uma graça. É uma espécie de Paraty dos piauienses. Cheia de casarões e restaurantes charmosos e pousadas que me pareceram muito acolhedoras.
Digo que me pareceram, porque ali cometi meu segundo erro da viagem: não ter pernoitado em Pedro II. Como eu estava muito focado em Sete Cidades, decidi montar acampamento em Piripiri, a cidade mais próxima.
Acredito que a noite ali deva ser muito animada e gostosa, de repente rola até uma certa boemia. Mas enfim, vai ficar para próxima.

O Mirante do Gritador e seu belo visual dos arredores de Pedro II.

Há cerca de 12 km de Pedro II, está o Mirante do Gritador, no lugarejo conhecido por Serra dos Matões. Tem esse nome por causa do eco produzido ali. E como se não bastasse, o vento devolve objetos leves que são projetados no ar. Interessante! Infelizmente, quando lá estive, o tempo estava ainda fechado e com a visibilidade prejudicada, mas deu para ver que é um tremendo visual. Vale a pena se desabalar até lá.

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Para não ter que voltar a Pedro II (onde, na verdade, eu deveria ter pernoitado), segui para 
Piripiri no mesmo táxi que havia me levado para o Mirante do Gritador.
Bela imagem de São João Batista nos fundos da Catedral de Piripiri.

Piripiri é a cidade-base para a maioria dos que querem conhecer o Parque Nacional das Sete Cidades, tanto para quem vem de Teresina como quem vem de Parnaíba. Isso porque das cidades próximas ao Parque, é a que tem mais estrutura.
Sem o mesmo charme e atrativos de sua quase vizinha Pedro IIPiripiri, para mim, foi apenas uma cidade-dormitório. Mas antes de dormir, tentei resolver o dilema: Como chegar no Parque Nacional das Sete Cidades?
Bem, já sabendo de antemão que não há transporte público para lá, o jeito é escolher entre moto-táxi ou táxi convencional. Caso você não queira pernoitar em Piripiri, na rodoviária mesmo, encontrará diversos moto-táxis dispostos a levar você ao parque. Mas, neste caso, fique atento ao horário do parque, das 8h às 17h.
Algumas agências fazem pacote para  Parque Nacional das Sete Cidades.:
A partir de Teresina: Piauitour; e
A partir de Parnaíba: Clipecoturismo.
Nesse trecho, também recorri às deusas dos mochileiros, Nanci Naomi e Ciça, que estiveram por aquelas bandas em 2011. Elas têm muitas informações importantes e me ajudaram muitíssimo.
Fiquei hospedado no Hotel Ramos, em frente à praça principal. Foi o lugar mais fraco onde me hospedei na viagem. Muito simples, mas excelente para quem está quase desabando. Café da manhã meia-bomba, conforto razoável, preço compatível e bom atendimento.
Todos os dias, parte um ônibus do Ibama, levando funcionários para o Parque Nacional das Sete Cidades e eles costumam dar carona aos visitantes. O ônibus parte invariavelmente às 7h (eu observei). E parte quase da porta deste hotel onde fiquei, retornando do Parque Nacional das Sete Cidades às 17h. Por isso, quem pretende embarcar nessa, esse Hotel Ramos é uma boa.
Eu não podia ficar tanto tempo no Parque e contratei um taxista para me levar até lá e depois, me levar até Piracuruca.


Chegando no parque, você precisa contratar um guia. Assim como no Parque Nacional da Serra da Capivara, lá você também não entra sem um. Então, se você vai de moto-táxi ou de carona no ônibus do Ibama, você tem que considerar que os guias não têm veículo próprio. Havia bicicletas para serem disponibilizadas. Não examinei o estado das mesmas. Além das magrelas, as opções seriam arranjar um guia que tivesse, pelo menos, uma moto, ou então, o jeito é seguir a pé. Mas novamente deve ser considerado o calor que faz na região. Conheci relato de visitantes que não conseguiram conhecer todas as cidades devido ao calorão.
No dia em que visitei, o tempo estava fechado e, segundo o meu smartphone, a temperatura estava variando entre 25 e 26 graus entre às 10h e 14h. Mas pelo que pesquisei, isso só acontece em curto período do ano. Mesmo durante os meses de chuvas é abafado.
Há também um Hotel Fazenda nos arredores do Parque, onde o visitante pode ficar. Só não sei informar se está aberto o ano todo. No site do hotel você também pode obter mais informações e fotos do Parque.
Não vou me estender aqui para o post não ficar monstruoso, mas em resumo o Parque Nacional das Sete Cidades é uma sequência de grupos de formações rochosas, chamados de cidades. Algumas rochas têm formas peculiares, como a dos reis magos, do imperador, etc. Há também grutas, passagens e fendas com formas estranhas. Nenhuma cidade é igual a outra e é quase obrigatório que o visitante passe por todas as cidades. Algumas formações são de rochas que existem apenas ali e datam de milhões de anos. É o paraíso dos geólogos e arqueólogos. Assim como no Parque Nacional da Serra da Capivara, vi muitos gringos.
Há também algumas pinturas rupestres, mas em menor número e menos expressivas. São atribuídas atribuídas a vikings, a fenícios, a tupis provenientes de Atlântida, ou ainda a extraterrestres
Quem for no período das chuvas também poderá se refrescar na Cachoeira do Riachão, próximo à Primeira Cidade.
O visual dos mirantes também é muito bonito.
A vantagem do Parque Nacional das Sete Cidades frente ao Parque Nacional da Serra da Capivara é que as formações são menores e estão a um toque de sua mão, enquanto que no outro há um grande distanciamento. Isso faz com que o impacto seja maior.
Mas talvez eu ache que o Sete Cidades deva ser visitado primeiro, como um aperitivo. Isso porque a Serra da Capivara é algo muito mais impressionante e depois de conhecê-la, Sete Cidades perde muito o seu impacto.
De qualquer forma, valeu ter conhecido este lugar lendário que tantas lendas e histórias guarda desde os tempos dos hippies (a mais famosa é a do curandeiro José Catirina que durante anos morou numa cavernas). E quer saber, Sete Cidades tem mesmo uma energia diferente. Nada ver com sobrenatural, mas qualquer um que tenha um mínimo de sensibilidade, vai concordar comigo.

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Bem, a fila tem que andar e deixei Sete Cidades para trás, rumo a Piracuruca. Eu poderia voltar a Piripiri. Mas sempre que posso, não volto a mesma cidade. Além do mais, Piracuruca está no caminho para o litoral, justamente para onde eu estava indo e economizei tempo.
A intenção era pegar o ônibus da Guanabara para Luis Correia.
Aqui vale um aviso: eu fiz a travessia São Luis - Fortaleza, via Delta do Parnaíba, em junho de 2011. Por isso, deixei Parnaíba para o final. Quem pretende conhecer o Delta, deveria seguir para esta cidade.


Bem, Piracuruca consegue ser ainda menor do que Piripiri, mas é um pouco mais bonitinha, principalmente por causa dos pisos de pedra de algumas ruas e casas coloridíssimas (foto) na praça principal. Mas a estrutura de hospedagem e alimentação é fraca e resolvi levantar acampamento logo.

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O ônibus da Guanabara me deixou na rodoviária de Luis Correia no início de uma noite de sábado.
Como a minha intenção era levantar acampamento na tarde do dia seguinte, entrei no primeiro hotel que avistei. No caso, o Amaro. Boa recepção, mas quartos pequenos e muito simples. Nada de wifi e o preço um pouco salgado pelo que oferece, mas eu estava tão cansado que decidi ficar ali mesmo.
A noite em Luis Correia não me seduziu, então, foi só fazer uma boquinha nos trailers em frente e desmoronar na cama.






Na manhã seguinte, foi só tomar café e dar uma voltinha básica para conhecer a cidade. Gostei da antiga estação ferroviária, o porto e a Igreja da Matriz (foto).
A maior parte dos visitantes chegam a Luis Correia atrás dos quilômetros e quilômetros de praias diversas, sendo a maior e mais badalada, a de Atalaia. Mas para mim, a maior atração do município está longe da praia...

Lagoa do Portinho é enorme e o acesso se dá por uma estradinha que começa na rodovia que vai para Parnaíba.


Suas águas azuis já seriam um bom motivo para uma visita, mais além disso, a danada ainda tem dunas enormes a cercando, que encantam mesmo aqueles que conheceram Santo Amaro, nos Lençóis Maranhenses. Só que enquanto nos Lençóis você fica isolado, tipo assim, no deserto, aqui há como chegar de carro e toda uma estrutura básica, como bares e sanitários. Isso sem comprometer o aspecto selvagem do lugar.
Fui primeiro num domingo, e não vi muvuca. Mas eu acredito que na alta temporada deva ser diferente.
Em todo caso, foi um dos lugares mais lindos que vi nessa viagem.

Povo curtindo um domingo de sol na praia de Atalaia, em Luis Correia.

Como falei anteriormente, carioca, que sou, não fiquei muito empolgado com as praias de Luis Correia. Mesmo por que, estava indo para Barra Grande, onde uma praia muito mais interessante me aguardava.
Não há transporte público entre Luis Correia e Barra Grande. O meio mais barato é voltar para Parnaíba e pegar o micro-ônibus da empresa Damasceno, numa tal Agência Fontenele, no Centro. Só que esses ônibus não circulam aos domingos e era domingo. Então, não pensei duas vezes em contratar um táxi, para não ter que ficar por ali mais um dia.


Depois de percorrer todas as praias de Luis Correia, voltamos à estrada. Mas antes, fomos ver o maior símbolo da cidade. A Árvore Penteada está para a cidade o que o Corcovado está para o Rio. É uma imagem que me lembra uma pintura surrealista de Salvador Dali.
Digna de muitas fotos.


Barra Grande tem como atrativo, entre outras coisas, o por do sol mais lindo do Piauí.

Barra Grande até uma década atrás era apenas uma humilde vila de pescadores. Até que praticantes de kite surf descobrissem que os ventos que sopram por aquelas bandas eram os melhores no país e um dos melhores no mundo para a prática do esporte.
A cidade virou point, atraindo turistas estrangeiros endinheirados e atrás deles, vieram empresários interessados em oferecer-lhes confortáveis pousadas, restaurantes charmosos e lojinhas incrementadas.
A comparação de Barra Grande com Jericoaquara é inevitável. Só que Barra ainda guarda o ar bucólico que Jeri perdeu há anos. Aliás, muitos donos de pousada em Jeri migraram para Barra.
Por estar mais distante de Parnaíba e ligada apenas por uma estrada estreita, a cidade tem se livrado da muvucada que invade a sua vizinha Luis Correia.
Mas o que me surpreendeu ali naquele vilarejo sofisticado, foi que os preços não eram altos.


Pousada confortáveis, charmosas e oferecendo todos os tipos de serviços não faltam em Barra Grande. Optei pela BGK (Barra Grande Kite Camp) pela maneira como eles conseguiam conjugar sofisticação, conforto e, ao mesmo tempo, havia uma profunda preocupação com a natureza. O rústico-chique é o estilo da maioria das pousadas da cidade, mas no caso da BGK a consciência ecológica ia muito mais do que estilo.
Além do mais, eles foram muito gentis e prestativos durante todo o processo de reserva.
E mais, embora seja caro, eles têm um sistema de transfer que pega o hóspede em Parnaíba ou Luis Correia.
Aliás, a pousada é a preferida pelo pessoal do kite e mantém até uma escolinha do esporte.

Gostei desses galhos de árvores transformados em cabides para toalhas e roupas no banheiro que tem uma área aberta. Original, bonito e ecologicamente tudo de bom.

Como estava sozinho, optei por um chalé mais simples e não me arrependi. Muito confortável e aconchegante. Tv plasma, ar, wifi e frigo. Foi o melhor lugar que me hospedei durante a viagem.


Acordar pela manhã e deparar com essa visãom, depois de tanta estrada esburacada, poeiras, sol forte, aridez, não tem preço. Por isso que optei por deixar Barra Grande para o final. Seria assim como um prêmio no fim da aventura. Embora a viagem não termine aqui.

Essa antiga canoa transformada em sofá-balanço é a cara da BGK.

Para comer, bons lugares não faltam. o Bandoleiros é o mais badalado. Mas na mesma rua da pousada, encontrei outras boas opções. O Manga Rosa é outra. O problema é que nenhum deles tem site. Aliás, a telefonia móvel na área é falha, o que dirá a internet!

A radicalidade dos kite-surfers em Barra Grande.

Gostei muito de caminhar na praia até a ponta, junto ao rio Macapá, onde há uma mistura entre rio, mar e mangue, que achei incrível. Você pode escolher se dá um mergulho no rio ou no mar, mas o difícil é mesmo tomar essa decisão terrível.

Pescador caminha pela praia de Cajueiros, durante a baixa da maré.

Também vale a pena conhecer Cajueiros, município que vem depois de Barra Grande e é o último do litoral piauiense, antes do Ceará. É bem mais pobre do que Barra, embora este pertença ao primeiro (coisas do Brasil).

Área do Porto de Parnaíba, em foto tirada em 2011, quando atravessei o Delta.

E depois de quatro dias magníficos em Barra Grande, um ônibus da tal Damasceno me levou a Parnaíba, minha velha conhecida. O ônibus me deixou na rodoviária e não perdi tempo: comprei minha passagem para Fortaleza, eu disse Fortaleza

Lojinhas no Porto de Parnaíba, junho de 2011. Daqui partem os barcos para o Delta do Parnaíba.

Não encontrei nenhuma maneira, em termos de transporte público, para seguir de Barra Grande para Fortaleza sem precisar voltar para Parnaíba

Delta do Parnaíba, junho de 2011. Passeio imperdível que fiz em 2011.

Parnaíba é a maior cidade do estado, depois da capital. Mas em se tratando do Piauí, isso não quer dizer muito. A cidade é fraca em estrutura. Faltam bons hotéis e lugares mais ambiciosos para se comer. Para mim, só serve mesmo como cidade-base para o Delta. Mas isso não quer dizer que não mereça, pelo menos, um pernoite.


Na região do Porto de Parnaíba, há algumas agências que vendem o passeio ao Delta. Uma delas é essa aí dessa foto acima, em 2011. É só escolher.


Mas esse não era o meu caso e ainda tive tempo de pegar um táxi e aproveitar o resto do dia na maravilhosa Lagoa do Portinho, para fechar com chave de ouro a viagem pelo Piauí, antes de voltar a Parnaíba e pegar o busão para Fortaleza.


Cheguei na capital cearense ao amanhecer e fui logo me instalando no Ibis de Iracema, para ficar  próximo á parte da cidade da qual mais gosto...


...a área do Centro Cultural Dragão do Mar e seus bares, restaurantes e casarões maravilhosos.
Também experimentei a filial Fortaleza da Pizzaria Vignoli, bem no coração do complexo gastronômico da Varjota, que aliás, acho que já enfrentou melhores dias e está meio muvucado. 
Depois de quatro dias em Barra Grande, eu já estava legal de praia, mas ainda dei uns mergulhos na Praia do Futuro no dia seguinte, antes de voltar para casa.

O elegante e imponente Teatro José de Alencar, tesouro no Centro de Fortaleza.

E assim terminei essa viagem/aventura por esses três estados nordestinos. Digo aventura porque explorar o Piauí não é fácil. Falta estrutura, por vezes, básicas. É caro, porque é pouco divulgado. Mas para ser divulgado, é preciso melhorar sobretudo as estradas, o trasportes e preparar melhor as pessoas que lidam com turismo.
Mas sem dúvidas, é um estado que  tem munição para competir com seus dois vizinhos (Maranhão e Ceará) e acho que este post tenha provado isso.
E estamos conversados.