Segunda-feira, Junho 09, 2008

O amor está no ar

Dia dos namorados chegando e o amor está no ar - embora o amor, nos dias de hoje, esteja igual ao sexo, se fala mais do que se pratica. Mas, enfim, uma das canções mais bonitas sobre esse substantivo cada vez mais abstrato é essa do Ivan Lins, faixa título do seu disco lançado em 1983.













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Quinta-feira, Maio 29, 2008

Esperança




















O dia acabou de amanhecer no Rio e já estou trabalhando. Essa é a explicação pelos posts cada vez mais espassos.
Enquanto vejo, da janela do trabalho, a manhã chegar sobre a Baía de Guanabara, ouço Caetano cantar Amanhã, do Guilherme Arantes. Esta música é para mim quase como uma oração, uma prece que nos faz crer num amanhã muito melhor. Ela é muito importante pra mim desde uma noite muito difícil em minha vida. E acredito que em algum lugar deste mundo alguém esteja precisando ser lembrado de que não há mal que sempre dure e que nada como um dia atrás do outro.

A versão acústica do Caetano para Amanhã está no cd Totalmente Demais, lançado nos anos 80.





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Segunda-feira, Maio 26, 2008

Regravações - Parte I



Eu não sei vocês, mas não consigo mais ouvir rádio. Pelo menos o tradicional. Tenho ouvido mais o on line. Um dos motivos, além do excesso de anúncios e a baixa qualidade das músicas, está a overdose de flash-backs. Não tenho nada contra a música antiga, mas parece que os programadores das rádios estão todos sofrendo de nostalgia em estágio terminal. Uma música antiga de vez em quando é bom. É gostoso ser surpreendido no meio da rotina com uma canção que nos lembre algo bom que nos tenha acontecido há muito tempo. Mas o que está acontecendo é a repetição exaustiva de sucessos que já haviam sido exaustivamente executados em sua época, tornando o, antes gostoso, hábito de ouvir rádio, em uma tortura.

Mas há ainda outro problema: as regravações. Meu Deus! O que está acontecendo? Parece que os músicos não querem mais se dar mais o trabalho de compor ou escolher canções. Assim é muito fácil. Pega-se uma canção de sucesso e faz-se uma nova versão. Ou seja, aposta-se no certo. Só que as regravações que tenho ouvido são todas anos luz inferiores às originais.

Mas uma regravação não precisa ser necessariamente ser pior. Estou lhes dando, o que, na minha humilde opinião, é um exemplo.

Primeiro está a saudosa Clara Nunes, com Canto das Três Raças, gravada por ela no lp do mesmo nome e que fez muito sucesso nos anos 70. Um samba de ótima qualidade, cantado com o padrão Clara Nunes de exaltação e emoção. Em seguida, a Simone Moreno gravou a mesma música no seu disco de estréia, em 1995. E que me perdoe a Clara, mas essa versão anos noventa é bem superior. Embora sem o mesmo nível de interpretação, o arranjo sofisticado e a percurssão bem trabalhada, sem dúvidas, compensam.

Compare e mande bala.



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Sábado, Abril 19, 2008

Menos um ovo para fritar (Músicas que podem lhe ser úteis - Parte VI)





O capítulo Músicas que podem lhe ser úteis dessa vez é diferente e em dose dupla.





Isso porque acabei de saber da separação de um casal amigo. E sempre fico triste quando vejo um casal dizer adeus. Principalmente quando há crianças.





Já passei por isso e sei o quanto dói.








Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim







Não me valeu







Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!







O resto é seu







Trocando em miúdos, pode guardar







As sobras de tudo que chamam lar







As sombras de tudo que fomos nós







As marcas de amor nos nossos lençóis







As nossas melhores lembranças







Aquela esperança de tudo se ajeitar







Pode esquecer







Aquela aliança, você pode empenhar







Ou derreter







Mas devo dizer que não vou lhe dar







O enorme prazer de me ver chorar







Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago







Meu peito tão dilacerado







Aliás







Aceite uma ajuda do seu futuro amor







Pro aluguel







Devolva o Neruda que você me tomou







E nunca leu







Eu bato o portão sem fazer alarde







Eu levo a carteira de identidade







Uma saideira, muita saudade







E a leve impressão de que já vou tarde.


A primeira música faz parte do famosíssimo disco Chico Buarque, lançado em fins de 1978. Além dela está Apesar de Você, que desde 1970 estava proibida pela Censura Federal.


Um ano antes, o divórcio havia sido aprovado no Brasil, após décadas de debates entre o governo, a Igreja e a classe política. O argumento dos religiosos era o de que o divórcio provocaria uma espécie de swing, com todos trocando de parceiros após a primeira briga. "Será a desestruturação da família brasileira", diziam. Realmente a família brasileira, hoje, anda bem desestruturada, mas definitivamente não é por causa do divórcio.


Na verdade, o divóricio veio acabar com a hipocrisia de uma aberração jurídica, que obrigava os casais a permanecerem juntos, mesmo estando infelizes.


O que houve com a aprovação do divórcio foi uma enxurrada de separações, dado à imensa demanda reprimida. É o que o Chico e o seu parceiro Francis Hime parecem retratar nessa música é o que ele via acontecer a sua volta. Naqueles dias, todo dia a gente tinha a notícia de um casal se separando.


Trocando em miúdos fala do momento da partida e em se tratando de Chico Buarque, a coisa é tratada com precisão, humor, beleza e emoção. Acho incrível quando alguém me diz que Chico é um artista da elite. Que nada! Suas músicas falam de forma tão clara que tanto um trabalhador braçal da Baixada Fluminense, quanto um casal classe média de Ipanema, irão se identificar e se emocionar. Tá certo que o casal da Baixada nunca tenha ouvido falar em Pablo Neruda; nem o da Vieira Souto não tenha noção do que seja uma ajuda para o aluguel. Mas a emoção será a mesma, porque toda a separação é dolorosa, em qualquer lugar do mundo.

E talvez, para Chico a parte mais dolorosa da separação seja a hora da partida.

Mas para mim é ou foi a hora em que se percebe que se tem um ovo a menos para fritar.

E aí entra a segunda música.


One less bell to answer

One less egg to fry

One less man to pick up after

I should be happy

But all I do is cry

(Cry, cry, no more laughter)

I should be happy

(Oh, why did he go)

Since he left my life's so empty

Though I try to forget it just can't be done

Each time the doorbell rings I still run

I don't know how in the world

To stop thinking of him

'Cause I still love him so

I spend each day the way I start out

Crying my heart out

One less man to pick up after

No more laughter, no more love

Since he went away (he went away)

(One less bell to answer) Why did he leave me

(Why, why, why did he leave)

(One less bell to answer) Now I've got one less egg to fry

One less egg to fry

(Why, why, why did he leave) And all I do is cry

(One less bell to answer) Because a man told me goodbye

(Why, why, why did he leave)

(One less bell to answer) Somebody tell me please

Where did he go, why did he go

(Why, why, why did he leave) How could he leave me


One less bell to answer foi composta por Burt Bacharach e seu parceiro Hal Davies na virada das décadas 60/70, quando toda aquela revolução de costumes da época fez muitos casais discutirem suas relações e houve uma onda de divórcios nos EUA. Ela trata do dia seguinte à separação de fato, quando você acorda e se dá conta que dará um bom dia a menos. Quando você vai arrumar a cama e percebe que haverá um travesseiro a menos para guardar, no banheiro há uma escova de dentes a menos e na mesa do café haverá um ovo a menos. E mesmo que a separação tenha sido para o seu bem, como foi o meu caso, sempre haverá a dúvida, sempre haverá a surpresa, sempre haverá a saudade, afinal foram tantos anos!
É como uma tortura. Durante dias, a vida vai lhe dando pequenas alfinetadas. Uma música que toca no rádio, uma fotografia, um filme na tv, um objeto que foi lhe dado de presente pela(o) dita(o) cuja(o). Enfim, para uns essa tortura dura algumas semanas; para outros, pode durar anos. De qualquer forma, será uma eternidade.
É sobre essa tortura que Bacharach e Davies estão falando, com uma simplicidade - e ao mesmo tempo com uma beleza - que tanto o casal classe média de Manhattans, quanto os caipiras do Missouri irão entender. Só os gênios conseguem isso.
Aliás, não sei por que ainda me surpreendo com o Chico e com o Burt. Deles só se pode esperar mesmo isso.
De qualquer forma, se você estiver passando por uma separação, seja por qual motivo for, talvez essas músicas tornem a tortura um pouco menos dolorosa.

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Terça-feira, Março 25, 2008

Bossa Nova, essa divina cinqüentona

Jõao Gilberto não tinha onde cair morto quando veio da Bahia para o Rio. Era tão duro que no dia em que foi tirar a capa para este disco histórico, sua camisa era tão surrada, que alguém teve que lhe emprestar este pullover. Um detalhe: era um dia de quarenta graus no Rio. Talvez isso explique o seu ar mais para cantor de fossa do que pra bossa.


Mas após o lançamento, o João Ninguém virou João Gilberto, um dos embaixadores da Bossa Nova.



Isso tudo aconteceu em 1959, mas Chega de Saudade, a faixa título do primeiro trabalho de João Gilberto, já havia sido gravada no ano anterior, pela Elizeth-Divina-Cardoso, no seu antológico Canção do Amor Demais. Por isso a música brasileira está comemorando as cinqüenta primaveras desse que é o mais cariocas dos estilos musicais.

Sim, porque o samba tem raízes muito longe do Rio. Enquanto a Bossa - que é um derivado do samba -, nasceu nas enormes salas de confortáveis apartamentos da zona sul.

Durante muito tempo foi acusada de ser uma música elitista. Talvez, mas o bem que ela fez a nossa MPB vai muito mais além, na minha humilde opinião de blogueiro, da noite de gala no Carnegie Hall, em 1962, quando Tom Jobin, Luiz Bonfá, Carlos Lyra e João Gilberto - já podendo usar um black-tie - cantaram a música surgida anos antes em Ipanema, para delírio de uma platéia endinheirada, levando nossa bossa para o resto do mundo. E nem quando, pouco depois, Frank Sinatra gravou Girl from Ipanema.

Para mim, o grande bem que a bossa nos fez, foi ter ajudado a legitimar o samba, esse ritmo que até então era visto pela classe média como coisa de vagabundo, favelado e gentinha.


Na verdade, a bossa deu o pontapé inicial, pois, no início, ainda ficou aquela coisa de que "samba do morro não tem qualidade, mas feito em Ipanema tem." Isso até que um cara chamado Jorge Ben, junto com a sua geração (Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Beth Carvalho, Clara Nunes, Alcione, etc) viesse fazer a classe média mudar os seus conceitos. Mas isso é assunto para outro post.
Por enquanto, quero só bater palmas para essa cinqüentona sarada e vitaminada, que mora no coração dos cariocas e é quase um hino desta cidade.

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Domingo, Março 09, 2008

Músicas que podem lhe ser úteis - Parte V





Tenho um primo, que há coisa de um mês atrás tirou a sorte grande: foi chamado para ser fiscal de rendas. Salário de mais de 10 mil, vantagens, vai trabalhar perto de casa e poderá fazer seu próprio horário.



Saímos para comemorar e ele me expôs um dilema, o qual mais da metade dos brasileiros gostaria de estar enfrentando: o que fazer para ser demitido e pegar a idenização?

Sugeri que ele aparecesse no dia seguinte bem barbado, olhar de roqueiro dos anos 60, cabelo desalinhado, roupa nojenta de quem saiu de casa apressado. Se possível, que nem lavasse o rosto.

Daí, diante do chefe...

"Espero que o senhor tenha um bom motivo para esse seu atraso."

...ele sacaria de uma caixinha de fósforo e, esbanjano cinismo, levaria...



Eu faço samba e amor até mais tarde






E tenho muito sono de manhã






Escuto a correria da cidade que alarde






E apressa o dia de amanhã






De madrugada a gente 'inda se ama






E a fábrica começa a buzinar






O trânsito contorna, a nossa cama. Reclama






Do nosso eterno espreguiçar






No colo da bem-vinda companheira






No corpo do bendito violão






Eu faço samba e amor a noite inteira






Não tenho a quem prestar satisfação






Eu faço samba e amor até mais tarde






E tenho muito mais o que fazer






Escuto a correria da cidade. Que alarde!






Será que é tão difícil amanhecer?






Não sei se preguiçoso ou se covarde






Debaixo do meu cobertor de lã






Eu faço samba e amor até mais tarde






E tenho muito sono de manhã.


O chefe, atônito, antes de pronunciar o esperado "Passe no DP":

"Me respeite e me dê uma boa justificativa para o seu..."


Se você for tão sortudo como meu primo, ainda pode repetir, batucando mais forte na caixinha de fósforo:

No colo da bemvinda companheira


No corpo do bendito violão


Eu faço samba e amor a noite inteira


Não tenho a quem prestar satisfação


É infalível: "Rua!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!"








Chico Buarque nunca precisou pegar no batente, mas essa canção, Samba e Amor, podem ajudar a você sair de um emprego com dignidade.



Ela está no Chico Buarque de Hollanda, volume 4, de 1970. Chico havia acabado de voltar do exílio e neste mesmo disco deveria estar incluída Apesar de Você, que foi grampeada pela censura durante oito anos.


Aliás, sobre Apesar de Você, eu sei um fato interessante. Em 1974, Chico foi fazer um show em Juiz de Fora. A música estava terminantemente proibida de ser cantada em seus show e, sendo o artista mais visado pelo governo militar, havia na platéia do Teatro Municipal daquela cidade, vários agentes do DOPS, preparados para subir no palco e prendê-lo, caso Chico tentasse cantar Apesar... . Em dado momento, a platéia começou a cantar a música espontaneamente. E para desespero dos agentes da repressão, Chico passou a acompanhar o público no violão. O que os policiais poderiam fazer? Prender 200, 300 pessoas?


E ainda tiveram que ouvir o Chico falar, tão cínico quanto você para o seu chefe:


"Eu não estou cantando nada. São vocês!"

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Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

Músicas que podem lhes ser úteis - Parte IV

Tá certo. Você já está cansado de trabalhar e pensa em se aposentar mais cedo. Mas não tem o tempo mínimo exigido pela previdência. Então, só por incapacidade, certo? E aí você pensa...e se eu desse uma de louco?


Pois a letra dessa música pode lhe ser útil na entrevista com o psicólogo do do INSS.


No fim da noite

Eu escuto o caçador

Com seu revólver

Apontado pra a lua

Ou meu cabelo

Preciso me esconder

Na tempestade ou no chão

Sei que ele vem me procurar...

Não tenho medo

Eu só quero ir em paz

Com minha sombra

Eu só quero aquela lua

No fim da rua

Não deixe o caçador

Mirar em cima de você

Ele quer achar seu coração

Talvez o caçador

Não tenha tempo de atirar

Quando de repente amanhecer...


Decore e boa sorte!

* Caçador, Lô Borges, do famoso disco Tênis, que completou 25 anos no ano passado.

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Terça-feira, Janeiro 15, 2008

Músicas que lhes podem ser úteis - Parte III

Tirado do site Forum Now





Você trabalha numa empresa legal. Gosta do que faz, o salário é razoável e o seus colegas de trabalho são gente boa.


Menos um.


Como uma surucucu, uma jibóia, uma cascavel, uma coral, ele se faz de seu amigo e solta o seu veneno mortal contra todos que têm capacidade de tomar o seu lugar, ou seja, todos. Falso, invejoso, inseguro, hipócrita, debochado, cínico, maldoso e egoísta, ele é imoral, quando se dedica à arte do puxassaquismo.
Dia após dia você vai vendo o camarada envenenando, prejudicando, derrubando colegas, fofocando, dedurando, entregando seus amigos, espalhando intrigas, distribuindo o mal.



Você vai odiando esse cara, não lhe dirige a palavra, não suporta sua presença e nem consegue olhá-lo ou ouvir a sua voz.


Um dia, durante a pausa do cafezinho, você o encontra no corredor e o sujeito vem lhe falar:


"Por que você não fala comigo? Algum problema? Quero saber o que você tem contra mim?"


É a sua chance de olhar beeeeeeeeeeeeeem no fundo dos olhos do muquirana e cantar...

Odeio fantoches


capachos do chefe


cupinchas do patrão



odeio essa raça



de gente costa-quente



gente falsa



serpente



que se arrasta pelo chão



cara fraco



inseguro



eu já acho feio



puxa-saco



já tô cheioeu odeio



dedo-duro



"Quero ver esses braços mexendo, vamos! Todos comigo...



*Combine com seus colegas, ensaiem para levantar os braços, como se estivessem numa Igreja Universal.



Fantoches é uma composição do Guilherme Arantes e está no Lp Coração Paulista, de 1976. Mas continua atual. Não acha?

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Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

Lá vem o Cd descendo a ladeira

Há 25 anos Thriller do Michael Jackson estava no toto da Billboard. Estou falando do disco que já vendeu até hoje quase 60 milhões de discos em todo o mundo.

Se fosse lançado hoje, venderia muito, muito, muito menos.

Não que o disquinho não tenha seus méritos. O fato de ter sido produzido pelo mestre Quincy Jones é o maior deles. É um trabalho muito bem cuidado e que atravessa os tempos.

Mas hoje não teria a menor chance numa indústria que está descendo a ladeira, perdendo mercado na ordem de 15%, só no último ano, segundo a empresa Nielsen-Scan, que monitora o volume de vendas de discos no território norte-americano.

Para se ter uma idéia do estrago, o disco de música pop mais vendido no ano passado, Long Road Out of Eden, que marcou a volta dos Eagles, vendeu meros 2,6 milhões de cópias. Coisa que Thriller vendeu em poucas semanas. E não pensem que os downloads ilegais têm sido os grandes vilões. Especialistas acreditam que outras formas de entretenimento, como jogos eletrônicos, DVDs, home-theatres e a internet também têm culpa no cartório.
De qualquer forma, eu que cresci juntando dinheiro da mesada para comprar um Lp, tenho dificuldades para imaginar um futuro sem discos. Embora eu não consiga lembrar quando e qual foi o último Cd que comprei.
E você?

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Quarta-feira, Dezembro 19, 2007

Músicas que podem lhes ser úteis - Parte II


Eu tenho um grande amigo. E esse grande amigo tem um filho. Analista de sistemas - desde os primórdios da informática -, trabalhador, ótimo filho.
Há muitos anos atrás, quando tinha apenas 19 anos, o garoto decidiu se casar. A família tentou dissuadi-lo, alegando sua pouca idade. O garoto, que pouco antes havia tido uma precoce desilusão amorosa, declarou que iria se casar com a fulana para esquecer a ciclana e também para fugir da solidão - como se pudesse se ser tão sozinho aos 19 anos.
O meu grande amigo e sua esposa permitiram que o moleque fizesse essa besteira.
E mais: me convidaram para ser padrinho neste crime, juntamente com a minha companheira na época.
E o crime aconteceu numa tarde de janeiro. O moleque quis uma lua-de-mel na Europa e por isso teve que se casar em pleno verão carioca.

Devia estar fazendo uns trinte oito graus e quem conhece o Rio sabe muito bem o que é ter que usar terno nessas condições.
Tivemos que deixar uma praia maravilhosa para sermos cúmplices num casamento que tinha tudo para fracassar.
Juro que na crucial hora em que o padre perguntou se havia alguém contra o crime, tivemos que nos segurar para não levantar e sairmos dançando e cantando:



Ele faz o noivo correto



E ela faz que quase desmaia



Vão viver sob o mesmo teto



Até que a casa caia



Até que a casa caia



Ele é o empregado discreto



Ela engoma o seu colarinho



Vão viver sob o mesmo teto



Até explodir o ninho



Até explodir o ninho



Ele faz o macho irrequito



E ela faz crianças de monte



Vão viver sob o mesmo teto



Até secar a fonteAté secar a fonte



Ele é o funcionário completo



E ela aprende a fazer suspiros



Vão viver sob o mesmo teto



Até trocarem tirosAté trocarem tiros



Ele tem um caso secreto



Ela diz que não sai dos trilhos



Vão viver sob o mesmo teto



Até casarem os filhos



Até casarem os filhos



Ele fala de cianureto



E ela sonha com formicida



Vão viver sob o mesmo teto



Até que alguém decida



Até que alguém decida



Ele tem um velho projeto



Ela tem um monte de estrias



Vão viver sob o mesmo teto



Até o fim dos dias



Até o fim dos dias



Ele às vezes cede um afeto



Ela só se despe no escuro



Vão viver sob o mesmo teto



Até um breve futuroAté um breve futuro



Ela esquenta a papa do neto



E ele quase que fez fortuna



Vão viver sob o mesmo teto



Até que a morte os una



Até que a morte os una



E imagino o padre e o povo todo saindo atrás de nós da igreja, cantando e dançando:



Até trocarem tiros

Até trocarem tiros

Fala sério!


Quanto à música, O casamento dos pequenos burgueses, é uma gravação do Chico Buarque - composição dele - e da Alcione e faz parte da trilha sonora do filme Ópera do Malandro, 1978. O Ópera, por sinal, foi baseado no clássico de Bretch, A Ópera dos Três Vintens, 1928, e na qual ele coloca que o homem é um animal essencialmente perverso. Com o qual eu concordo absolutamente.
Mas isso não quer dizer que perdi a esperança na raça humana. E por isso desejo a todos vocês


UM FELIZ NATAL E UM 2008 NOTA MIL!


Em tempo: O motivo deste post foi porque na semana passada, soube que o tal filho deste meu amigo está se divorciando.


E eu perdi aquela praia!

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Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

Músicas que podem lhe ser úteis - Parte I






Imagine a cena:


A esposa traída dá um flagra no marido com a...digamos...a Plano B.


Ao lado de um marido em pânico, a esposa traída começa a gritar:


"Sua piranha! Dando em cima de homem casado. Ele é casado, sabia, sua ordinária? Eu sou a mulher dele e você, quem é?"


E a outra responde:
"Sim...


Ele é casado


Eu sou a outra


Na vida dele


Que vive qual uma brasa


Por lhe faltar tudo em casa


Ele é casado


E eu sou a outra


Que o mundo difama


Que a vida ingrata maltrata


E sem dó cobre de lama


Quem me condena


Como se condena


Uma mulher perdida


Só me vê na vida dele


Mas não o vê na minha vida


Não tenho nome


Trago o coração ferido


Mas tenho muito mais classe


Do que quem não soube


Prender seu marido




Eu sou a outra
(Ricardo Galeno)


Foi imortalizada na voz da Carmem Costa, e depois gravada pela Bethânia, no seu histórico Drama - Terceiro Ato, em 1973 (essa que você deve estar ouvindo)


Mulherada, atenção para essa música. Para as Plano B, decorem-na, pois nunca se sabe.


Para as casadas, vou procurar outra música para que possa servir de resposta à altura.

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Domingo, Dezembro 09, 2007

Deu polícia no Rio


Reparem no preço do ingresso.

E qual a novidade?
Pergunto isso, não porque polícia no Rio não é mesmo nenhuma novidade.
Mas porque a maior banda de rock nos anos 80 tocou ontem aqui, num concerto emocionante.
Mas o grupo já havia estado na cidade numa longínqua terça-feira, há distantes 25 anos atrás. E eu estava lá.
O Police estava em seu auge e promovia o terceiro Lp, Ghost in the machine. Eu estava quimicamente animado e só me lembro vagamente de duas coisas:
1) O Maracanazinho estava lotado; e
2) Num dado momento comecei a dançar na arquibancada, ao som de Spirts in a material world (esta que você deve estar ouvindo) e vi que havia uns caras da equipe do grupo me filmando.
Em 1985, quando eu morava em São Paulo, fui a um bar de roqueiros, que exisitia ali, na rua Vergueiro, com um amigo. Na tv passava um documentário chamado Police Around The World (se não me falha a memória). De repente, o meu amigo gritou, apontando para a tv: "Ih, olha lá você!!". O bar inteiro olhou. Depois olhou pra mim e caiu na gargalhada. Eu estava mesmo ridículo.
Mas foi um ótimo show (se não me falha a memória).
Aliás, se encontrarem alguém que estava naquela noite no Maracanazinho e disser que se lembra de tudo. Duvide.
Quanto a volta do The Police, depois de anos de charminho do Sting, acho meio patético. Tudo tem o seu tempo. Certos os estão os Stones que não acabam para não terem que pagar o mico do "revival".
Quanto ao show de ontem? Bem, desta vez eu não estava lá. Para o bem de todos, foi melhor assim. No meu atual estado de decreptude não poderia ser mostrado dançando de novo.

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Terça-feira, Novembro 20, 2007

Não vá para o túmulo sem eles

A bela versão britânica da capa do lendário álbum Eletric Lady Land, do Hendrix, uma das mais imitadas da história.


O jovem chegou no céu e ainda atônito, sem saber direito o que havia acontecido, deparou-se com Deus.
"Eu fui um cara legal. Eu juro! Nunca vendi extasy, nunca espanquei prostituta, sempre odiei Bush..."


"Mas me responda uma coisa, meu filho. Você ouviu Eletric Lady Land do Jimi?"
"Infelizmente...n-não."



"Tic-tic-tic-tic-tic-tic", Deus, balançando a cabeça, "Então, siga direto, dobre a direita e desça até o inferno. Próximo!"



Este diálogo abusurdo é o que sugere o título do livro mais comentado do momento, o almanaque 1001 Discos para se ouvir antes de morrer, que a Sextante lançou há algumas semanas. Como o tal livro (um tijolo com milhares de páginas) foi escrito por quem entende do assunto, digo, Robert Dimery e Michael Lydon, a tal "listinha" merece respeito. Dimery tem no currículo colunas nas revistas americanas Time out e Vougue, enquanto Lydon foi simplesmente um dos fundadores da Rolling Stone.
Mas os dois não trabalharam sozinhos. Foram reunidos mais de 90 críticos musicais em todo mundo para a empreitada.



O trabalho engloba o trecho dos anos 50 até os dias atuais e se você quer saber se aquelas figurinhas fáceis estão presentes, estão: Sgt. Peppers, What´s going on?, do Marvin Gaye, Dark side of the moon, do Floyd, The Rise and fall of Ziggy Stardust, do Bowie, etc. Mas há novidades como o London Calling, do The Clash, e os discos do The Stooges, a banda que praticamente criou o punk rock e da qual saiu o tresloucado Iggy Pop.


Quer saber se há brasileiros? Sim. Vários. O Caetano com o seu lendário Lp de 68 que tem Tropicália, os Mutantes, a Elis, Tom Jobin, Jorge Ben, entre outros. Mais o mais elogiado na lista foi um trabalho já comentado aqui, o Clube da Esquina, do Milton e do Lô Borges, que completou 35 anos de existência este ano.


Mas também há uns discos sem os quais qualquer um de bom gosto passaria a existência sem precisar ouvir, como os da Britney Spears, por exemplo, listados entre os 1001.


Na verdade, acho que cada um deve saber o que precisa ouvir. Mas já que todo mundo está fazendo sua listinha...não, não vou fazer lista nenhuma e sim indicar dois discos - que por sinal estão no almanaque - e que acho que você não deveria partir sem conhecer.


Eletric Lady Land foi lançado em setembro de 1968 e continua um clássico. Muita gente pensa que Hendrix era um artista do palco, mas ele era fundamentalmente de estúdio. Adorava passar horas e horas testando, experimentando, pesquisando. Foram vários meses de gravação num estúdio em Manhattans e o resultado foi um álbum duplo irrepreensível, com o melhor da que a música da época poderia oferecer. Tem de tudo: rock, soul, pop, blues, psicodelia e até um namoro com o progressivo, que ainda estava sendo gerado na europa. Ouvir esse disco hoje ainda é uma experiência única, uma gratificante experiência espiritual.
A faixa título, logo no início - essa que você deve estar ouvindo - já é um convite. Um idiota como eu, para fazer uma música sobre a Terra das Mulheres Elétricas, certamente apelaria para um clima tipo Boate Barbarella, em Copacabana. Mas Hendrix produziu esta verdadeira poesia sonora, com um arranjo quase angelical. Só um mestre conseguiria falar, com a delicadeza de uma dama, sobre mulheres elétricas.


E quando Jimi pergunta: Have you ever been in Eletric Lady Land?


Espero que você possa responder que sim. Senão...


"tic-tic-tic-tic-tic-tic"


Curiosidade: Para fazer a primeira capa do disco, um grupo de dançarinas de boates de strip-tease londrinas foram recrutadas. Elas ganhariam alguns xiilings para posar de roupa de baixo. Logo no início da sessão de fotos, decidiu-se que elas posariam como ganhavam a vida. As meninas fizeram traseiro-doce e se recusaram. O teatro durou até aumentarem a proposta financeira. E o resultado foi uma das capas mais lindas e imitadas da história da música. Infelizmente, Hendrix não gostou, pois temia que o puritanismo americano fosse lhe causar problemas e a capa lançada lá é a mesma que cobre o cd atualmente, bem mais careta, apenas com o guitarrista. Aqui no Brasil, na época, apesar do governo militar, o disco foi lançado com a capa britânica. E hoje está valendo ouro nas mãos dos colecionadores.


O álbum duplo de Milton e Lô Borges é um dos raros casos em que a contra-capa ficou mais famosa do que a capa em si.


O Clube da Esquina, lançado em 1972 nasceu de uma história de lealdade e amizade. Já contei tudo aqui, mas vale fazer um resumo.


No início daqueles tenebrosos anos 70, Milton era o único integrante do Clube da Esquina - grupo de amigos músicos que se reunia para beber, tocar e compor numa esquina da rua Paraisópolis, bairro de Santa Tereza, em Belô (Lô Borges, Fernando Brant, Wagner Tiso, Beto Guedes, entre outros) - que havia conseguido projeção nacional. E resolveu fazer um trabalho do qual toda a galera participasse. Foi alugada uma casa em Maricá, região litorânea do Rio, onde o Clube se hospedou por um bom tempo, preparando o Clube.


Os críticos conseguem identificar "inegáveis influências beatlemaníacas" no som do disco - Lô Borges era um beatlemaníaco. Sim, ela até existe, mas o Clube conquista você principalmente por soar como Minas com tempeiro urbano. Até hoje, quando ouço esse disco não posso deixar de imaginar as estradas, os campos, as colinas, as montanhas, as ladeiras, as igrejas...o disco cheira a Minas. Mas os arranjos são modernos e sofisticados. Em resumo, eles conseguiram fazer um trabalho de altíssimo nível técnico, dentro das possibilidades da época, sem perder o lirismo e aquela poesia roceira que só se encontra em Minas. Nenhum outro trabalho conseguiu tal eqülibrio.


Esse disco para mim tem um significado especial. Um primo meu foi preso logo após o lançamento. Como vários amigos dele já haviam sido presos e ele estava esperando a qualquer momento a visita dos homens da repressão, entregou o álbum para minha irmã, pois, caso fosse preso, não tinha muitas esperanças de sair vivo do Doi-Codi. Ele foi preso logo depois e esse disco ficou conosco. Meu primo consegiu sair vivo, mas ficou sem jeito de pedir o disco de volta. E hoje, apesar de já possui-lo em Cd, guardo com muito carinho o exemplar com uma dedicatória-despedida, que ainda me emociona. Mas se não tivesse saído vivo da prisão, meu a existência deste meu primo não teria sido em vão.


Curiosidade: Muitas lendas tem sido criadas em torno da capa deste álbum. Já se falou inclusive que os dois meninos seriam Milton e o Lô quando criança - o que seria um absurdo, já que entre os dois existe uma diferença de idade respeitável. Na verdade, são dois moleques fotografados á beira de uma estrada, próxima a Nova Friburgo. A foto foi feita para a capa principal, mas a gravadora não gostou, pois não trazia o nome do disco e nem dos artistas. Foi criada a capa convencional e esta virou a contra-capa. Mas os lojistas passaram expor o disco com a foto dos moleques e assim o disco ficou conhecido. Ninguém mais se lembra como é a capa principal.


Fico imaginando como estarão esses moleques hoje. Será que têm a idéia da sorte que tiveram em estar naquela beira de estrada na hora certa? Será que eles sabem que rodam o mundo, graças a um disco que ninguém deveria morrer sem ouvir?

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Quarta-feira, Novembro 14, 2007

Parabéns pra você...








...que estava no planeta terra em 1987 e gosta de boa música. Pois foi naquele ano que nossos ouvidos e nossos espíritos foram salvos por um cd que veio lembrar aos roqueiros que nem tudo estava perdido e que um som de qualidade ainda era possível.


Olhando para trás, há vinte anos, você ligava o rádio e ouvia coisas como Def Lepard, Madonna (em sua pior fase, perguntando Who´s that girl?), Whitney Houston, Cindy Lauper, Duran Duran, Boy George, Inxs, Poison, George Michael, uma Tina Turner já cansada...argh! Tá certo que havia o pessoal do rap para nos Aqui, a fase de ouro do BRock dava seus últimos supiros e, salvo algumas exceções, não produzia muita coisa interessante.


Pois eis que de repente esses quatro irlandeses, há três anos sem lançar um trabalho, reaparecem para salvar a humanidade roqueira do tédio com um disco irretocável, aclamado mundialmente pelos críticos e pelos fãs. Joshua Tree, nome de uma árvore nativa do deserto de Monjave, no interior da Califórnia, é uma obra-prima. Talvez o melhor do U2. Aliás, acho que esse disco não poderia ter outro nome. As faixas tocam no que temos de mais cru, deserto e isolado em nosso interior. Ao contrário dos discos da época que eram feitos para serem ouvidos na praia ou enquanto se lavava o carro, num domingo de manhã, o Joshua pedia quietude e reflexão. As letras obrigava você deixar tudo o que estava fazendo. Em toda décade de 80, poucos discos mereceram ser levados tão a sério.


Joshua Tree fez a nossa ficha cair e percebemos que o rock ainda tinha salvação no CTI. Aliás, na calada das noites californianas, gente como Smashing Pumpkins, Red, Hot Chilly Peppers e Jane´s Adiction, já estavam preparando o antídoto que levaria o rockn´roll para o quarto particular.

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Quarta-feira, Novembro 07, 2007

Listas, estas inevitáveis



Passou meio batido, inclusive por aqui, a lista dos 100 melhores discos brasileiros de todos os tempos, publicada recentemente na Rolling Stone brasileira.

Como sempre há polêmica. Adoro o disco vencedor, Acabou Chorare (foto), dos Novos Baianos, lançado em 1972, e sobre o qual já comentei aqui. Mas eu levaria o Clube da Esquina, do Milton e do Lô Borges, ao topo do pódium. Mas enfim...

Há resultados justíssimos, como o Chega de Saudade, do João Gilberto, em quarto; o Tábua de Esmeraldas, do Bem - outro que também já foi abordado aqui -, em sexto; o Cartola, em oitavo; e o Elis & Tom, em décimo primeiro. O Fa-tal, da Gal, em vigésimo, achei que poderia ter tido uma colocação melhor. Já o Secos & Molhados em quinto, achei exagero.

Nós Vamos Invadir Sua Praia, do Ultrage a rigor, foi a grande surpresa para mim. Assim como o lp do Roberto Carlos de 1971 - o que tem Detalhes -. Senti falta do Drama, da Bethânia.

Qual eu tiraria da lista? Sem dúvidas o Loki, do Arnaldo Baptista. Um dos piores discos nacionais que já ouvi.

Não sei qual o critério usado pelos críticos que elaboraram a lista, mas a grande maioria dos contemplados com os trinta primeiros lugares são do início dos anos 70, justamente uma fase da MPB que considero de ouro. A nova geração não está presente nos dez primeiros. A melhor colocação foi o Da Lama ao Caos, do Chico Science & Nação Zumbi, em décimo terceiro. O disco foi lançado em 1994.

Mas julgue você mesmo, conferindo aqui .

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Sábado, Julho 21, 2007

Os Mutantes, quem diria? Acabaram no Carnegie Hall

Os Mutantes-versão século XXI levaram a excursão que marcou a volta do grupo a Nova Iorque na semana passada. Na verdade este show foi mais um evento dentro da programação que, há vários meses vem celebrando os 40 anos da Tropicália, com shows e exposições.

É engraçado ver os americanos festejarem a Tropicália, movimento que nunca entendi muito bem, e que até hoje é tida por muita gente como o maior acontecimento musical na nossa música, nos anos 60.

Era uma época muito radical e de um ufanismo lisérgico. Gil, Caetano, Tom Zé, os Mutantes, Hélio Oiticica, entre outros, decretavam que devíamos valorizar "as coisas brasileiras" e que as influêcias musicais externas eram negativas. Isso numa época em que o cenário internacional era estrelado por gente como Beatles, The Rolling Stones, Hendrix, Cream, Floyd, etc.

Gente esquisita, os tropicalistas. Valorizavam o carnaval, a goiabada cascão com queijo, o piquinique em Paquetá, a Buzina do Chacrinha e desprezavam Blowin´in the wind, do Dylan, por exemplo. Mas se o mais engrançado é que se fizermos uma raspagem em sua música, veremos inegáveis influências do psicodelismo. Gil chegou enfrentar críticas e vaias por cometer o sacrilégio de inserir um grupo de rock - Os Mutantes - na sociedade secreta do Tropicalismo. E, no entanto, basta ouvirmos Alegria, alegria, para notarmos a guitarra delirante na introdução da música. Contradição? Acho que sim.

Por isso acho estranho no palco novaiorquino um grupo que pertencia a um movimento que condenava a música norte-americana. Ou os gringos são muito burros ou são espertos o bastante para promoverem uma armadilha do tipo: "Falavam mal de nós, mas olha onde vocês vieram acabar."

Talvez não seja nada disso. Na verdade, nunca levei a sério a Tropicália. Reconheço a sua importância. Não como movimento em si, mas, sim, o que ela gerou.

O AI-5 decretou a sua morte e abriu as portas para uma geração de novos músicos que não tinham medo de dizer que curtiam rockn´roll tanto quanto samba. Os Novos Baianos foram os primeiros. Os próprios Mutantes iniciaram os anos 70 mais com os dois pés no rock.

Dos Novos Baianos até Chico Scince e a Nação Zumbi, passando pela Cor do Som e por toda a geração do B Rock dos 80, foi um longo caminho e hoje ninguém duvida de que MPB e música estrangeira dá um tremendo caldo.

Não sei como foi o concerto dos Mutantes lá na Big Apple, mas colocá-los dentro de uma homenagem à Tropicália é meio suspeito. Tomara que o Sérgio Batista não tenha usado a patética farda à la Sgt. Peppers que ele usou durante a excurção brasileira. Já posso os ver os americanos rindo e dizendo: "Viu? O mundo dá voltas!"

Vá confiar em americano!

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Segunda-feira, Junho 18, 2007

Ei, você se lembra do nosso som? Continua o mesmo, mas os nossos cabelos...

Os irmãos Jack e Meg White

Pois é, o White Stripes, a dupla de Detroit(terra de gente tão diferente como Madonna e Iggy Pop), acaba de lançar mais um disco. Eles surgiram em 1997, mas só em 2001 lançariam seu primeiro trabalho, o cd White Blood Cells. E que trabalho! Misturando rock tradicional, punk e folk music, esses dois causaram o maior rebuliço no mercado da música que os saudou como os porta-vozes do rock americano neste século que, então, começava. Eu mesmo confesso que fiquei surpreso quando ouvi faixas deste cd, que misturava folk tradicional com o som distorcido de bandas punk dos anos 70. E tudo entre os gemidos de Meg, que lembrava uma Yoko Ono nos piores tempos.

O segundo trabalho, Elephant, lançado em abril de 2003, causou um falatório ainda maior. Além de vender bem mais, ainda fez com que os irmãos ganhassem o Grammy de melhor banda alternativa.

Depois desses dois discos, confesso que não ouvi os outros três lançados pelos White. Mas agora, me senti enstusiasmado a ouvir esse Icky Thump, que está chegando às lojas este mês.

O som continua o mesmo, o que não é nenhuma crítica negativa, apesar de se notar um inegável amadurecimento em termos de arranjos - eles andaram namorando o psicodelismo, tornanando o som mais experimental e sofisticado. Pricly Thorn, Sweetly Worn, que você deve estar ouvindo, me ganhou de cara pelo seu namoro com elementos indianos, muito apropriados em tempos de globalização musical, mas pouco praticado por artistas americanos. E também tem Conquest e Little Cream Soda, que não fogem ao padrão White Stripes de criatividade e ousadia.

Mas senti falta de alguma novidade. Será que nada mudou nesses quatro anos passados, desde o último disco do grupo que ouvi? Que Icky é um bom trabalho, não tenho a menor dúvida, pelo menos não me decepcionou. Mas por quanto tempo eles vão continuar fazendo o mesmo som?
Além do mais tem os cabelos...esse novo visual me cheira a canastrice, o que é uma pena. Esses garotos não precisam disso.

Seja como for, o fato de uma banda que começou alternativa ter chegado ao sexto trabalho e ainda causar tanto barulho a cada lançamento, já é alguma coisa. Ou não?

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Domingo, Junho 17, 2007

Despeito

Você já ouviu falar em Kooks? Em Art Brut? Flaming Lips (foto)? Battles? ou em Conershop? Se a resposta não foi positiva em pelo menos uma delas, você é um ser miserável! Essas bandas de rock inglesas contemporâneas devem ser excelentes, pois no último número do The Guardian, que ainda está nas bancas britânicas, integrantes das mesmas estão decretando que álbuns como Sgt. Peppers, dos Beatles - que aliás está completando seus 40 anos este mês, como já lembrei aqui - e Nevermind, do Nirvana, não passam de lixo que devem ser esquecidos para sempre. A garotada também manda bala e critica o destaque dado a bandas como o Pink Floyd.


Todo o barraco está numa matéria entitulada Sgt. Peppers Deve Morrer, que você pode conferir aqui .
Bem, se você não conhecia essas bandas, agora, pelo menos, não pode mais dizer que nunca ouviu falar delas.
No fundo, acho que é isso que eles queriam.

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Domingo, Junho 03, 2007

Lobão, o fodão


Quando, em fins dos anos 90, este cidadão, com pinta de alquém com quem não gostaríamos de ficar às sós num elevador no meio da madrugada, anunciou que iria lançar seus discos por uma gravadora independente e vendê-los em bancas de jornais, ninguém se espantou. Afinal de contas o cidadão era Lobão, uma das figuras mais polêmicas da nossa música. Mas não é que o cara brigou com sua gravadora, a Sony, e passou expor seus trabalhos ao lado de gibis e as Revistas Caras da vida? E se deu bem. O seu primeiro trabalho a ser lançado neste esquema, o cd A VidaÉ Doce, vendeu quase cem mil cópias. E o sujeito ainda fez escola. Outros astros da MPB passsaram a ser independentes. Na inglaterra, grupos como o recém-falecido New Order, ficaram décadas à margem das grandes gravadoras, mas aqui era uma coisa ainda inédita um artista vender bem sem o apoio das grandes. E Lobão virou herói.
Quase dez anos depois, no final do ano passado, eis que Lobão anunciou ter feito as pazes com sua antiga gravadora e que lançaria por ela seu próximo trabalho. Mais uma vez o cara surpreendeu a todos e como era de se esperar, os gritos de "vira-casaca!" não foram poucos.
A esses, o roqueiro respondeu em recente entrevista:
"Fiz a indústria cair de joelhos e tentaram me destruir. Com essa trajetória, como podem dizer que sou uma Madalena arrependida?"
O trabalho em questão foi o cd gravado ao vivo no progarama Acústico da MTV, em abril último. E novamente o sujeito surprendeu com um trabalho de altíssima qualidade. Antigos sucessos com novas roupagenes e os novos com arranjos arrasadoramente inspirados. Ouso dizer que é o melhor cd que ouvi neste ano, até agora. Os críticos também gostaram e o público ídem.
O que este rapaz de 49 anos vai aprontar agora?
Mas enquanto espero, me pergunto se ser alternativo é uma opção ou uma exclusão? Será que o desejo de todo artista, mesmo que secreto, é pertencer ao main stream?
Eu escrevo e publico meus humildes livrinhos por conta própria. Se eu gostaria de ser contratado por uma grande editora a resposta é SIM. Mas agora posso dizer: "Veja o exemplo do Lobão. Conseguiu dobrar as grandes apenas com o seu talento e fazendo um trabalho de qualidade."
E essa acho que é a maior lição que o cara pode dar ao mercado e a todos que estão tentando um lugar ao sol no tão complexo meio artístico brasileiro. Como eu.
Embora, das profundezas da minha consciência, ouço uma voz sombria me dizer: "Mas o Lobão é fodão. Você, não."

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Sábado, Junho 02, 2007

Muitos anos de vida


E o sonho ficou quarentão na última sexta-feira. E ainda dá o que falar. Seria o disco mais importante da história? Exagero. Mas sem dúvidas foi a trilha sonora do Sonho. Ou a trilha sonora de uma época em que era mais fácil sonhar.

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