Momento Retrô: Como era gostoso ser brega
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Totalmente disparado no mundo.
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Era para ser um evento pequeno. Os Rolling Stones queriam comemorar o sucesso da sua turnê norte-americana, naquele segundo semestre de 1969 com um concerto gratuito. Em agosto, o mundo todo havia podido admirar a grande festa dos quinhentos mil jovens em Woodstock, que fez todos pensarem – nem que fosse por alguns minutos – na possibilidade de um mundo melhor. Os Rolling Stones não foram convidados para Woodstock. Não que eles não merecessem ir, mas não se tinha dinheiro para contratá-los. E Mick Jagger, com o seu ego woodstockiano de leonino, sentiu-se rejeitado. Então, o senhor Jagger decidiu fazer o seu Woodstock particular. E nenhum evento pode ser pequeno quando um leonino rejeitado decide se vingar. E daqui a algumas semanas estarão se completando 40 anos de um evento que nenhum roqueiro da antiga nem sequer quer se lembrar.
Marcado para 6 de dezembro, o tal concerto gratuito seria realizado no Golden Park, em São Francisco (o qual conheci este ano e sobre o qual já falei aqui). Foi anunciado como o Woodstock da Costa Oeste. Por isso, 24 horas depois de a prefeitura da cidade conceder a permissão para um evento para 150 mil pessoas, cerca de o 300 mil já haviam chegado a São Francisco, vinda de todas as partes dos EUA. Temendo um tumulto, o prefeito voltou atrás. E os Rolling Stones tiveram que procurar desesperadamente outro lugar para o seu Woodstock. Alguém se lembrou, então, de um autódromo abandonado, há poucos quilômetros de São Francisco. Altamont ficava na região serrada ao redor da Baía. Não era um lugar adequado e qualquer pessoa sensata, desistiria. Mas nada pode deter um leonino magoado.
Mas os líderes dos Hell Angels de São Francisco estavam na cadeia, cumprindo pena por assassinato. E sem os seus líderes, os motoqueiros – mundialmente conhecidos por sua violência -, simplesmente surtaram.
Aliás, os tempos haviam mudado. Os dias de paz & amor, na época de Monterey Pop estavam mesmo acabando. Uma grande parte da juventude americana havia passado da inocente maconha ou das viagenzinhas de LSD para coisas mais perigosas. O abuso de drogas tomava proporções epidêmicas no país. Para se ter uma idéia, naquele mês de dezembro, as autoridades de saúde da cidade de Nova Iorque comunicavam que apenas nos últimos 12 meses, haviam ocorrido 900 casos de overdose de heroína. A maioria das vítimas tinha menos que 20 anos.
Essa mistura de platéia alucinada e Hell Angels surtados não poderia dar em boa coisa. O olhar de ódio do Hell, com seu bigodinho hitleriano, acima, para o Mick Jagger, dá uma idéia da tensão que pairava no ar.
Assim como a frieza dos Hells, sorrindo indiferentes ao pânico da platéia, tentando fugir da pancadaria e das loucuras que rolavam na escuridão lá atrás. E as fotos a seguir não mentem...
Brigas, agressões e piração por abuso de drogas aconteciam a cada minuto, como o caso dessa jovem nua - apesar da temperatura estar pouco acima dos dez graus -, completamente pra lá de Mahakesh, que passava por cima de todos, numa tentativa tresloucada para chegar até o palco. E devido ao frio, o abuso de álcool para se aquecer tornava as coisas ainda piores.
Toda vez que os Rolling Stones tentavam cantar uma música, um clarão abria-se na platéia.
E toda vez que a violência explodia na platéia de mais de 500 mil jovens, a multidão tentava se abrigar próximo ao palco. Mas era recebida por Hell Angels ferozes.
A imagem dos Hells abrindo passagem à força pela platéia, antes do início do concerto, já dava uma mostra do que estava por vir. Aliás, Altamont não foi um concerto só dos Stones. Santana, Crosby, Stills, Nash and Young e os novatos do Flying Burrito Brothers, estavam entre os convidados. O concerto do Jefferson Airplane teve que ser interrompido porque o guitarrista, Marc Ballin, foi nocauteado por um Hell raivoso. Outra banda de São Francisco, Greateful Dead, chegou, mas nem subiu no palco. Foram aconselhados a dar meia volta, tamanha confusão que pairava no local.
Se o senhor Jagger não tivesse um ego tão grande, teria interrompido aquela doideira. Mas preferiu continuar cantando num palco repleto de Hell Angels descontrolados (na foto, um deles aparece espancando o rodie da banda).
Então, o pior aconteceu, quando um jovem negro de 18 anos, Meredith Hunter (o vulto de verde na foto acima) - talvez, alucinado por drogas -, teve a infeliz idéia de sacar e apontar uma arma para Mr. Jagger. A foto também mostra o momento em que ele foi agarrado por um Hell com um facão em punho.
E a coisa foi resolvida segundo a Escola Hell Angiana de Diplomacia: com várias facadas fatais. Isso tudo na frente de uma platéia chocada e Stones apalermados.
Finalmente a ficha caiu e Mr. Jagger percebeu que havia ido longe demais.
Então, os Stones decidiram rapidamente dizer bye-bye, cantando cinicamente Satisfaction...
...e sairam batidos de helicóptero, deixando para trás, 500 mil jovens perplexos.
O que era para ser um evento pequeno, mas motivado por um ego enorme. E tudo foi documentado de forma magistral em Gimme Shelter, documentário de Albert Maysles, David Maysles e Charlotte Zwerin, que estreiaria uma ano depois e é considerado o melhor trabalho do gênero sobre rock.
E a imagem da jovem chorando na beira do palco, enquanto assiste ao seu mundo desabar, é simbólica.Marcadores: música
Você quer se aposentar sem ter tempo de contribuição ainda e não sabe como. Eu já dei uma dica aqui. Não deu certo?Marcadores: música
Todo mundo tem "a música da sua vida." E essa é a minha.
Quando essa música foi lançada, em 1970, eu tinha dez anos e enfrentava uma das piores fases da minha vida: meus pais haviam acabado de se separar, enfrentávamos uma dura crise financeira, eu ia muito mal na escola e acabei perdendo o ano, devido a uma hepatite que quase me matou. Eu não tinha maturidade suficiente para enfrentar problemas que deixariam até mesmo um homem adulto meio abalado. Assim como não tinha maturidade para perceber a beleza dessa letra. Minha irmã tinha esse disco, que foi o primeiro trabalho do Tim Maia, e eu achava essa música apenas bonita, na época.
Muito se fala sobre o fato de o artista compor melhor em fases de sofrimento. E nesse caso foi a mais pura verdade. Naquela triste madrugada do natal que percebi a grandeza contida na letra dessa música. Quando se aprende o ensinamento contido em suas frases, você passa a encarar a vida de outra forma. Você cresce, você amadurece, você se humaniza, você se ilumina. Não quero me fazer de vítima, mas assim como o Tim, aprendi da pior forma possível. E o agradeço por ter contribuído por aquela viagem de táxi ter, não só ter me feito chegado às lágrimas para ter forças para enterrar meu pai, em pleno dia de natal, com certa dignidade, mas também ter mudado a minha forma de encarar a vida.
Todo mundo tem "a música da sua vida". Me diz aí qual é a sua.
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