Bossa Nova, essa divina cinqüentona
Jõao Gilberto não tinha onde cair morto quando veio da Bahia para o Rio. Era tão duro que no dia em que foi tirar a capa para este disco histórico, sua camisa era tão surrada, que alguém teve que lhe emprestar este pullover. Um detalhe: era um dia de quarenta graus no Rio. Talvez isso explique o seu ar mais para cantor de fossa do que pra bossa.
Isso tudo aconteceu em 1959, mas Chega de Saudade, a faixa título do primeiro trabalho de João Gilberto, já havia sido gravada no ano anterior, pela Elizeth-Divina-Cardoso, no seu antológico Canção do Amor Demais. Por isso a música brasileira está comemorando as cinqüenta primaveras desse que é o mais cariocas dos estilos musicais. Para mim, o grande bem que a bossa nos fez, foi ter ajudado a legitimar o samba, esse ritmo que até então era visto pela classe média como coisa de vagabundo, favelado e gentinha.
Na verdade, a bossa deu o pontapé inicial, pois, no início, ainda ficou aquela coisa de que "samba do morro não tem qualidade, mas feito em Ipanema tem." Isso até que um cara chamado Jorge Ben, junto com a sua geração (Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Beth Carvalho, Clara Nunes, Alcione, etc) viesse fazer a classe média mudar os seus conceitos. Mas isso é assunto para outro post.
Por enquanto, quero só bater palmas para essa cinqüentona sarada e vitaminada, que mora no coração dos cariocas e é quase um hino desta cidade.
Marcadores: música


2 Comments:
bonito post, querido!
adoro essas curiosidades dos nossos artistas, como a do pullover =]
beijos, saudades e votos de boa semana
MM.
ps: e o teatro?
gosto muito destas histórias,JULIO.
Abração!
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