quinta-feira, julho 05, 2007

No SPC e no SERASA

Foto by Austin

Com grande alarde o presidente Lula abriu o cofre esta semana para realizar obras em favelas do Rio. Ao todo foram R$ 3,5 bilhões para que o governo retome o vazio deixado pelo poder público nas últimas décadas e preenchido pelo crime organizado.

E esse dinheiro vem bem atrasado.

Ainda estou envolvido com um projeto que me obriga a fazer pesquisas em jornais de época e veja o que encontrei em matérias sobre a morte do Mineirinho, um dos maiores bandidos da história do crime na cidade, ocorrida em 1962:

"Com uma oração de Santo Antônio no bôlso e um recorte sôbre seu último tiroteio com a Polícia, o assaltante José Miranda Rosa, "Mineirinho", foi encontrado morto no Sítio da Serra, na Estrada Grajaú-Jacarepaguá, com três tiros nas costas, cinco no pescoço, dois no peito, um no braço esquerdo, outro na axila esquerda e o último na perna esquerda, que estava fraturada, dado à queima-roupa, como prova a calça chamuscada.
A Polícia após os primeiros exames periciais, afirma que o assaltante foi morto em outro lugar, pois não foram encontradas no local suas armas. Logo após ter sido anunciado que Mineirinho tinha sido encontrado morto, centenas de pessoas compareceram ao Sítio da Serra para vê-lo e outro tanto foi ao Instituto Médico Legal, para onde seu corpo foi removido à tarde. (...)
'
Diário Carioca, 1 de maio de 1962.

"...Dezenas de pessoas pobres compareceram ao local onde foi encontrado o cadáver de Mineirinho. Ninguém conseguiu aproximar-se do corpo, pois a polícia, por ordem do delegado Agnaldo Amado, do 23o DP, afastava a todos com violência. Em geral, os moradores do morro se mostravam contrariados com a morte de Mineirinho, que consideravam uma versào carioca de Robin Hood...

...A notícia do encontro do cadáver de "Mineirinho" espalhou-se com incrível rapidez pelos quatro cantos da cidade. Estações de rádio e edições de jornais em 2o cliché contribuiram para isso. Ao meio-dia, mais de duas mil pessoas se concentravam na estrada Grajaú-Jacarepaguá. Para que se tenha uma idéia da curiosidade popular, basta dizer que até lotações foram alugadas especialmente para 6esse fim. Com "vista" de "especial", despejavam populares nas imediações da "Pedra do Gambá". Todos queriam ver o corpo do bandido. A coisa chegou a tal ponto, que o delegado Amado viu-se na contingência de ter que solicitar uma guarnição da Polícia Rodoviária para desinterditar o tráfego. não havia veículo que rompesse a massa humana. (...)"
O Dia, 1 de maio de 1962.

Só resta saber em quantas suaves prestações o governo pretende pagar essa dívida de 45 anos.

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