domingo, junho 07, 2009

Desconstruindo Nova Iorque


Uma vez, o escritor americano Ernest Hemingway descreveu Nova Iorque como a cidade mais arrogante do mundo.
Afinal, os maiores prédios estavam ali.
As empresas mais importantes também. Assim como as lojas mais desejadas.
Muitas de suas ruas eram conhecidas por todos.
O parque urbano mais famoso também estava lá. E a sua noite atraía mais turistas do que qualquer outra cidade.
Então, como não ser egocêntrica? Como não se achar o centro do universo, hein, Nova Iorque?
Então, o Empire State foi inaugurado e, segundo Hemingway, os nova iorquinos correram para visitar o novo motivo de orgulho da já tão orgulhosa cidade.
Mas, quando chegaram lá em cima, os cidadãos nova iorquinos ficaram perplexos.
Ao verem as planíces que se estendiam muito além de Jersey City, de Newark,...
...de Hempstead, Long Beach e Clifton, eles perceberam que estavam muito longe de serem o centro do universo, que o mundo era muito mais do que a maior metrópole e que, na verdade, eram eles muito pequenos.

Pois eu tiro tuas cores e teu brilho, Nova Iorque, para te expor como és.

Nunca me permiti ser iludido pelo feitiço de tuas luzes, pela urgência das tuas ruas, pela grandiosidade dos teus prédios.

Não me importo com tuas enormes pontes, com o luxo de tuas lojas, com o exibicionismo dramático dos teus letreiros, nem com as tuas largas avenidas e tuas torres que querem me convencer de que és a maior. Não me importa o teu gigantismo histérico, Nova Iorque!Porque sei muito bem o que se passa em tuas entranhas.
Sei do vazio por entre as tuas multidões arrogantes e pretensamnte auto-suficientes,...
...infectadas pelo teu individualismo assassino,... ...e pela tua impiedosa solidão.Entendas de uma vez por todas, Nova Iorque...

...que surgistes como qualquer outra. Surgistes da terra... ...e por seres humanos fostes feita. Não pelos milhões que se contentam com o teu feitiço e, tolos, se vão, com a ilusão de terem te conhecido nua.

Mas se te conhecessem de verdade, veriam que és tal qual uma fogueira,... ... e o que te mantem acesa é essa gente...
...para quem nem sempre és generosa. Fogueira de gente, é o que tu és. Essa gente tão imperfeita e tão bela!Sim, os pesados alicerces de tua majestade são sustentados por ossos, músculos e almas, Nova Iorque,...

dessa gente a expor a beleza...
...e a dor,...

...a brutalidade...

...a poesia...

...e o amor, por trás da exuberante imensidão de teu rosto de pedra e ferro.

Nova Iorque, não tentes me enganar. Por trás de teu feitiço, só há mais feitiço. Não ouses prostituir meus sentimentos, pois teu jogo não faço.

E tenha uma boa noite, Nova Iorque.

Tenha uma muito boa noite,..

...meu amor.

(...)
* Trilha sonora: Eumir Deodato - Pavane for a dead princess




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12 Comments:

Blogger Marco said...

PQP! Julio, agora você arrasou! Uma das melhores postagens que eu já li na vida!
Fotos que valem mais que mil palavras, palavras que necessitariam de muitas fotos para se entender sua profundidade e uma música, que pataquiopareula... é do cacête! Já vou rápido baixá-la para o meu mp3.
Tiro o meu chapéu, mestre...
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

domingo, junho 07, 2009 6:42:00 PM  
Anonymous DO said...

Julio do céu!!

Que post foi este? Sem duvida o melhor e mais emocionante que já li.Com esta musica ,então,ficou inesquecivel.
Parabens!!

segunda-feira, junho 08, 2009 11:28:00 AM  
Blogger Julio Cesar Corrêa said...

Meus caros, há anos mantenho um caso de amor e ódio com NY. Obrigado pelos elogios.
abraços

segunda-feira, junho 08, 2009 9:21:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Passei por acso, maravilhosas fotos, musica, belas e profundas palavras.
encantador, encantador....
lindo blog!

terça-feira, junho 09, 2009 2:48:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Estou de volta para te dizer que vi San Francisco, te agradeco pelo seu olhar de beleza, poesia e generosidade de compartilhar esta bela viagem. Olha, AMEI
VOU VOLTAR SEMPRE
Ana

terça-feira, junho 09, 2009 3:57:00 PM  
Blogger Julio Cesar Corrêa said...

Ana, obrigado pela visita e VOLTE SEMPRE MESMO!
BJ

quarta-feira, junho 10, 2009 5:39:00 AM  
Blogger Claudio Costa said...

Júlio, maravilhoso post, poético, candente, tocante, simples e majestoso nos contrastes e nas sombras do B&W. Valeu.

sexta-feira, junho 12, 2009 10:49:00 AM  
Blogger Julio Cesar Corrêa said...

Cláudio, amante da fotografia como eu, vc sabe que a realidade fica melhor em B&W.
abração

sexta-feira, junho 12, 2009 7:56:00 PM  
OpenID luluonthesky said...

Lindo post. Obrigada pela visita.

sexta-feira, junho 12, 2009 11:00:00 PM  
Blogger Allan Robert P. J. said...

Excelente texto! As fotos também ficaram ótimas. Quando posso escolher, prefiro manter-me longe das grandes cidades. :)

segunda-feira, junho 15, 2009 7:09:00 AM  
Anonymous Thiago Quintella said...

Fala Júlio César! Muito obrigado pela visita ao Canis e muito mais pelo comentário, que me deu excelente mote para um conto. Neste brilhante artigo tive a impressão que você não desconstruiu Nova Iorque e sim a reconstruiu de uma maneira que Hemingway adoraria. vc afastou todos os extremos que as metrópoles apresentam e neles se embatem. As fotos são pura poesia.
E gostei de São Francisco tb, logo depois!
Excelente bala perdida que levei!
Abraços

segunda-feira, junho 15, 2009 9:45:00 AM  
Blogger Julio Cesar Corrêa said...

Lulu,Allan e Thiago,
obrigado pela visita e pelos elogios. Eu e Ny temos discutido nossa relação complicada.
abs

terça-feira, junho 16, 2009 5:03:00 PM  

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