quarta-feira, junho 13, 2007

Frio, chocolate quente e livros

Essas três coisas do título combinam muito bem. As editoras sabem disso e estão caprichando neste outono.


Uma cantora se recuperando do alcoolismo e lutando para sair do ostracismo, recebe um telefonema do crítico musical Ricardo Cravo Albin, que poderia lhe render uma proposta de trabalho. A cantora estava no Rio e volta para Maricá, onde residia, ao lado justamente da casa de Ricardo. Mas no meio do caminho havia uma ponte. A Ponte Rio-Niterói, onde ela se acidentou e ali morreu, aos 41 anos. Era o ensolarado sábado de 22 de janeiro de 1977.


Trágico? Pois é, a vida de Maysa tem um quê de dramático e tinha que acabar em livro. E tem tudo para se tornar a biografia do ano. Já que aquela foi proibida, a Editora Globo não perdeu tempo ao receber o SIM do diretor global Jayme Monjardim (Páginas da Vida), filho de Maysa. O livro parece ser interessante a começar pelo título : Maysa: só numa multidão de amores. Não poderia haver outro melhor, já que a vida da paulistana, nascida a 6 de junho de 1936, foi uma sucessão de amores infelizes e muita, muita, mas muita solidão mesmo! Não foi por acaso que o seu maior sucesso chamava-se Meu mundo caiu, que lhe garantiu o rótulo de cantora da fossa. Nos anos 60 foi apelida de "Janis Joplin brasileira", devido a sua tendência auto-destrutiva.


O jornalista Lira Neto revela Maysa de forma honesta, sem escândalos e sensacionalismo. Principalmente a vida misteriosa que a cantora teve nos anos em que viveu na Europa. Eram os anos 60 e talvez tenha sido o período mais conturbado na vida da cantora, que chegou a dormir em bancos de praça, tomou todas e precisou ser internada em clínica de desintoxicação, além de tentar o suicídio.
E resta a saudade desta cantora fantástica, corajosa, talentosa e muito à frente do seu tempo. Só nos resta ouvir suas interpretações inesquecíveis, que fizeram o exigente New York Times sugerir, no último natal, o cd Canção do Amor Mais Triste, como presente. Até o jornal americano percebeu a importância que Maysa teve em nossa música. Numa época em que as cantoras (Elis, Gal, Bethânia, Marília Medalha) soltavam a voz de forma cada vez mais emocional e cercadas de guitarras e percurssão pesada, ela foi o link entre as cantoras românticas do passado (Ângela Maria, Dalva, Elizeth) com o som da época e provou que cantar o que se vive e sente nunca sai de moda.


Pena que o público nem sempre lhe deu a devida atenção. E morreu só como sempre foi.


O que você deve estar ouvindo é uma gravação rara: Maysa nos anos 60, interpretando um clássico da música francesa, Cent mille chansons.



E quinta-feira, 14 tem...


OS AUTORES EM CENA

convidam você para a leitura dramatizada da peça


PISTA FALSA
DE
JOMAR MAGALHÃES

DIREÇÃO DE
ALEXANDRE BORDALLO


Com os atores:

Alexandre Bordallo
Janaína Noël
Marco Santos



ESPAÇO CAFÉ CULTURAL
DIA 14 DE JUNHO ÁS 21:30
RUA SÃO CLEMENTE, 409
ENTRADA FRANCA
ESTACIONAMENTO EM FRENTE

Não será permitida a entrada depois de começado o espetáculo

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