No final dos anos 90 eu escrevi este conto, que teve uma repercurssão extremamente negativa.
Em outubro de 2005, eu o publiquei neste blog e a reação foi a mesma.
Hoje, quando vejo a multiplicação de casos de violência envolvendo jovens da classe média, fico assustado ao perceber que a minha ficção assustadora há mais de dez anos, está cada vez mais próxima da realidade.
Leia e confira...
"A realidade é inacreditável.”
Clarice Lispector
A primeira porrada é na boate.
Os cinco chegam zuando e Batman vai logo batendo pro segurança.
“Aí, compadre. Fica na tua. Viemos dar um sacode num pessoal aí. Uma vagaba e um otário, valeu? Não se mete. Pro teu bem.”
O segurança é um chegado deles. Malham na mesma academia. Mesmo assim, Batman passa uma grana pro cara.
“A boate está cheia. Hora da ferverção. Por volta das três. Muita gente no bar, outro tanto nas mesas e muito mais na pista. Só bacana, classe média. Como eles. O bagulho batendo legal. As luzes coloridas piscando e o som eletrônico muito alto, aumentando o barato. Os cinco dão um giro pela pista. Dançam um pouco. Paqueram umas minas. Até que o Robin grita:
“Olha eles lá!!!!”
O casal está na mesa. A garota arregala os olhos ao vê-los. Até a semana passada, ela namorava Batman, o grandalhão, corpo sarado, o líder.
“Não façam nenhuma besteira. Eu não quero escândalo.”, a garota.
Bumf! Batman mete-lhe um soco na parte direita da sua cara. A guria rodopia, levando consigo a mesa, as cadeiras, os copos e as bebidas.
Vai parar nos braços dos outros quatro. Robin, Homem Aranha, Nacional Kid e Superman.
“Tu ainda quer ficar com marra, piranha!”
O cara que está com ela levanta e diz:
“Qual é, meu irmão? Tu só bate em mulher?”
O cara é do pessoal do jiu-jitsu. Batman também é. O bagulho o deixa louco. É fácil lutar alguma coisa quando pensamos que somos superheróis. Que nada nos vence, que nada nos acontece. É como descer num tobogan. Depois que se começa, não dá pra parar.
Batman parte pra cima. Vump!
Pega o sujeito pela blusa com uma força que só o bagulho pode dar. Vap! Joga o cara no meio da pista. O pessoal abre espaço. Gritos e correria. O cara nem tem tempo de se levantar. Batman se atira sobre ele e esmurra a sua cara com violência. Pow! Pow! Ainda dá algumas cabeçadas no seu rosto. Scratch! Quando termina, o nariz do babaca está partido e lhe falta um dente. O sangue mancha a camisa listrada, de grife.
Dois caras grandalhões se metem. São lutadores. Robin e Superman cuidam deles. Pow! Pum! Strak! Vap! Craw! Em segundos, os idiotas já estão no chão, quebrados. As luzes se acendem, a música pára. Os seguranças são chamados e colocam os cinco pra fora.
Entram no carro. Nacional Kid, no volante, pergunta:
“Pra onde, galera?”
“Pro outro lado do túnel.”, ordena Batman.
É um carro importado e veloz. Eles riem sem parar.
Quando param de rir, estão em algum lugar em São Cristóvão. Entram numa rua deserta. Só há fábricas. Há também um carro parado. Um carro velho, de gente humilde.
“O bicho vai pegar agora.”, diz Batman.
Saltam. Dentro do outro carro está um casal. São morenos e mal vestidos. Interrompem um beijo ao vê-los se aproximar. Uma expressão de horror modifica seus rostos. O rapaz ainda tenta dar a partida, mas Batman aponta a pistola pra ele.
“Vão saltando.”, manda.
Os dois saem com as mãos na cabeça.
“Pode levar o carro.”, diz o cara.
“E tu acha que eu vou querer esta merda?”
“O que vocês querem, então?”, pergunta a garota.Batman vai até ela.
“Qual o seu nome, vadia?”
“Luciene.”
“O que que tu faz na vida, Luciene?”
“Sou balconista.”
Batman olha para os outros com deboche. Todos riem.
“E o que tu faz, bacana?”
“Sou camelô. Por quê?”
Todos riem ainda mais.
“E você ama este camelô, Luciene?”
A garota abaixa a cabeça.
“Olha aqui”, diz o rapaz moreno, “vocês são filinhos de papai e estão muito doidos, por que vocês não vão curtir sua doideira lá na Sul...?”
“Cala tua boca, que ninguém te perguntou nada.”, grita Nacional Kid, apontando sua arma pro cara.
Batman para Nacional: “Vamos manter a ordem no puteiro.”, para a garota: “Vou repetir a pergunta: Você ama este camelô?”
“O que é isso? Namoro na tv?”, Superman.
Os outros riem. Batman coloca seu braço em volta do ombro da garota.
“Diga, Luciene, que futuro tu vai ter ao lado deste camelô? Morar na puta que pariu? Ou numa favela? Ver ele na tv, levando porrada da polícia? Andar de trem fedendo a mijo? Morrer abandonada num hospital público? Comprar sempre com vale-transporte e com cheque-pré?”
“Aí, meu irmão! Sem esculacho!”, grita o rapaz moreno.Tap! Superman vai até o rapaz e lhe dá um tapa na cara.
“Não seja mal educado. Tu não vê que estamos levando um papo de alto nível, seu animal?”
“Obrigado, amigo.”, Batman para Superman. Em seguida, encosta a arma na cabeça da garota e pergunta: “Responda com toda a sua sinceridade, Luciene. Você ama este camelô?”
A garota começa a choramingar. Batman passa o dedo no seu rosto para conter uma lágrima que rolava.“Oh! Não chore, Luciene. Olhe pra mim. Não quero você tão triste assim. A vida é bela e a felicidade ainda existe.”
Os outros morrem de rir.
“Por que vocês estão fazendo isso, cara?”
Homem Aranha aponta a arma para o rapaz.
“Alguém te perguntou alguma coisa, seu camelozinho fodido?”
“Luciene,”, Batman com a arma ainda apontada na nuca da garota, “Vou repetir a pergunta. Você ama este camelô?”
“Amo, amo.”, a garota chorando ainda mais forte.
“Tem certeza?”
“Tenho.”
“Posso confiar em você?”
A garota sacode a cabeça afirmativamente.“Eu não estou ouvindo?”
“Pode, pode!”
Batman olha para o rapaz.
“Meu amigo, por favor, você poderia colocar o seu pau pra fora?”
“Como é que é?”
“Eu quero que você ponha a sua pica pra fora.”
“Porra, cara! Por que tu não vai arrumar uma mulher?”
Batman, apontando a arma para o rapaz “Você quer que eu vá procurar uma mulher? É isso? Tudo bem. Mas primeiro você vai botar o seu pra fora ou vou arrebentar esta tua cara de camelô fodido!”
O rapaz moreno obedece. Os outros riem. A garota chora ainda mais. Batman se afasta da moça, abre o seu zíper e mostra o seu pau também.
“Agora...qual é mesmo o seu nome, gatinha?”
“Luciene.”
“Ah, sim. Olhe pra a minha rôla e responda, Luciene. Quem tem o pau mais bonito?”
A garota está choramingando com a cabeça baixa. Os outros riem.
“Eu não sei.”, ela diz.
Superman tirou sua pistola e deu um tiro pro alto.
Olhe pro pau do Batman, balconista de merda!”, grita.
“Obrigado, companheiro.”, Batman volta-se para a garota de novo, “Luciene, por favor. Olhe para estas duas picas e responda: Qual o mais bonito?”
“Pare logo com esta sacanagem! Por que vocês não roubam logo o que querem e ralam peito, porra?!”
“Tu tá tirando a gente por bandido, seu filho da puta?”, grita Nacional Kid.
“Responda logo, sua vaca!!!!”, berra Robin, apontando também a arma para a garota.
“Mas o que é isso?”, diz Batman, “Precisamos salvaguardar as instituições democráticas!!! Onde vocês pensam que estão? Na China?”
Depois, vira-se para a garota e pergunta, com calma:
“Luciene, não quero pressioná-la. Esta arma apontada pro teus cornos é apenas um pequeno detalhe. Use toda a sinceridade que houver em sua alma e responda: Quem te o pau mais bonito?”
“Você, você!!”, diz a jovem, olhando para Batman.
Os outros riem.
“Esta resposta é muito importante para o seu futuro. Você tem certeza?”
“Tenho, tenho.”
“Vocês ouviram?”, pergunta batman.
Depois, vira-se para a garota.
“Piranha!!”
BANG! Um tiro na cabeça derruba a jovem. O rapaz moreno entra em desespero. Ele se ajoelha ao lado do corpo com as mãos na cabeça.
“Porra! Por que vocês fizeram isso, seus malucos?!!!!!”
“É por isso que não quero procurar uma mulher. Não se pode confiar nelas.”
Os outros riem.
“Seu louco do caralho!!!”
“Estou profundamente magoado com você, seu camelozinho de merda. Você devia estar agradecido por eu ter mostrado que ela não te amava.”, diz Batman, virando-se para os outros, em seguida. “Estou cansado de receber ingratidão.”
“Vá se foder. Acabe logo com essa porra!”
“Tudo bem.”, diz Batman, apontando a arma para ele.
BANG! BANG! BANG!
Entram no carro morrendo de rir. O carro arranca em alta velocidade. Dobram numa rua escura e deserta, próxima a avenida Brasil. Vêem um casal andando apressado. É um jovem casal. Ele usa terno e carrega uma bíblia sob o braço. Ela usa um vestido discreto. Nacional Kid pára o carro. Batman solta.
“Esperem!”
O casal pára.
“Me respondam, irmãos. Jesus nos ama?”
“Sim.”, responderam os dois ao mesmo tempo, desconfiados.
“E vocês amam Jesus?”
“Sim.”“E existe vida após a morte?”
“Sim. A vida eterna.”, diz o homem.“Quando morremos, vamos pro céu?”
“Sim. Quando alcançamos a salvação.”
“Você irá ver Deus quando morrer, certo?”
“Vou.”Batman aponta a arma para o homem.
“E você quer ver Deus agora?”
“N-não...”, gagueja o homem, preparando-se para correr.
“Traidor.”
BANG! O homem cai na calçada como um saco vazio. A mulher começa a gritar, histérica.
“Ele não amava Jesus.”, diz Batman, voltando-se para os outros.Os outros riem dentro do carro. A mulher grita e chora.
“E você amava o seu marido?”
“Sim, sim.”, a mulher, desesperada.“E ama Jesus?”
“Sim.”“E quer se encontrar com o seu marido e com Jesus?”
“Não, pelo amor de Deus.”“Pelo amor de Deus? Puta traidora!”
BANG! BANG!
“Não se pode confiar mesmo em ninguém.”
Os outros riem. Saem a cento e vinte por hora. Rodam por quarteirões escuros e desertos. Batman quer mijar. Param junto a um pequeno galpão. Um lugar escuro. Quando Batman mija junto à parede de uma fábrica, surge um homem usando uniforme de vigilante.
“Ei, ô bacana! Não pode mijar aí, não.”, grita o homem.
“Tu por acaso sabe com quem está falando?”
Os outros saem do carro.
“Algum problema?”, pergunta Homem Aranha.
O vigilante saca sua arma e aponta para Batman.
“É melhor vocês pegarem leve.”
Os cinco sacam suas armas. O vigilante guarda a sua e levanta as mãos.
“Vão com calma, na moral, na moral.”
“Com quem você pensa que está falando, seu Paraíba do caralho?”, pergunta Batman, encostando o cano da arma na têmpora do homem.
“Dê logo um tiro na cara deste filho da puta, Batman.”, grita Nacional Kid.
“Batman?”, o vigilante sorrindo, “Vocês estão muito loucos.”
Superman se aproxima do homem e POW! Dá-lhe um soco no estômago. O homem se curva.
“Meu nome é Batman, sim. Por quê? Todos nós somos superheróis, sabia, seu Paraíba de merda? Somos imbatíveis, invencíveis e poderosos.”
Mesmo com dor, o homem ri.
“Vocês estão muito cheirados.”
“Eu sou Batman. Filho de um desembargador. Agora, mostrem os seus superpoderes, rapazes.”
“Eu sou Robin, filho de um meritíssimo juiz.”
“Eu sou Superman, filho de um famoso empresário.”
“Eu sou Nacional Kid, filho de um ilustríssimo deputado.”
“E eu sou Homem Aranha, filho de um excelentíssimo senador.”
“Viu?”, Batman, “Eu posso dar um tiro nesta tua cara de merda, que nada me acontecerá. Eu posso enfiar este teu cacetete no seu cu e nada me acontecerá.”
“Que tal enfiar no cu da mamãezinha dele?”, pergunta Homem Aranha?
Os outros riem.
“Eu posso fazer isso também. Nós podemos tudo. E nada pode nos vencer. Entendeu, seu vigilante de merda?”
“Eu não quero problema com vocês. Vão embora, por favor.”, pede o homem.
“De onde tu veio, infeliz?”, pergunta Superman.
“Guarabira, na Paraíba.”
“O que que tu veio fazer aqui, seu merda?”, quer saber Batman.
“Eu vim procurar emprego. Sou honesto, trabalhador.”
Batman: “Tu veio levantar mais um barraco na favela, não é , seu puto? Veio dançar forró na praça, não é? Veio botar um moleque barrigudinho e feio nas ruas, pedindo esmola...?”
“Não é nada disso, bacana. Vim procurar uma vida melhor.”
“Tanto lugar pra tu buscar uma vida melhor, tu foi escolher aqui, porra?”, pergunta Robin.
“Eu não estou fazendo mal a ninguém.”, diz o homem.
“Está sim!”, berra Batman, “Eu sou obrigado a sair na rua e ver esta tua cara de pobre. Aí, eu sou obrigado a me lembrar que nasci no Terceiro Mundo. Tenho que me lembrar das crianças morrendo de fome nesta terra desgraçada. Por causa de você, tenho que me lembrar dos bebês morrendo nos hospitais por falta de atendimento, dos analfabetos, dos sem-terra, dos sem-teto, dos miseráveis, dos bóia-firas, dos desempregados, dos meninos de rua cheirando qualquer porcaria, dos aposentados morrendo nas filas dos bancos. Eu quero me esquecer disso tudo e esta tua cara me estraga o dia, porra!”
“É verdade. A cara deste puto também me estraga o dia.”, diz Superman.
“Ele também estraga o seu dia, Superman?”, Batman.
“É. E também me faz ter vontade de cagar.”
“E você está com vontade de cagar agora, Superman?”, pergunta Batman.
“Pior é que estou.”
“Então, tenha a bondade. Cague.”
Enquanto os outros riem. Superman vai até um canto, junto ao paredão, arria as calças e a cueca e defeca uma merda mole, cremosa, como se estivesse com a barriga desarranjada. Depois, volta a se vestir, sem limpar o rabo.
“Meu amigo,”, diz Batman, “Você já provou mousse de chocolate?”
O vigilante volta a sacar a sua arma e a aponta para Batman.
“Agora chega!!!! Quero ver se vocês são superheróis mesmo.”
BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG!
“Essa brava gente sempre morre na merda.”, Batman.
“Ele não morreu na merda!”, Robin.
“Quem disse que não? Me ajudem.”
Os cinco pegam o corpo do homem e o deitam com a cara no monte de bosta feito pelo Superman.
Depois, partem a cento e cinqüenta por hora.
Dobram em mais outra rua escura e deserta, e vêem três adolescentes, falando e cantando alto. Um branco, um moreno e um negro. Param. Os cinco saltam do carro. Os moleques levantam os braços quando vêem que eles estão armados.
“Onde vocês pensam que vão?”, pergunta Robin.
“Pra casa.”, responde o negro.
Nacional Kid: “De onde vocês estão vindo?”
O rapaz branco: “Do baile.”
Bataman: “E o que vocês ouvem neste baile?”
Os três rapazes: “Funk.”
“Funk?”, diz nacional Kid, “Crioulos deveriam gostar de samba, não é Batman?”
Os rapazes riem. Usam roupas largas, bonés e tênis de marcas famosas.
“Batman?”, o rapaz moreno, “Que comédia! Tu ainda está nessa, maluco?”
“Bacana agora vem assaltar aqui. É mole?”, o rapaz negro.
“Estamos apenas fazendo um intercâmbio cultural.”, Homem Aranha.
“É isso aí”, Nacional Kid, “Vocês não vão lá pra nossa área, invadem as nossas praias? Assaltam a nossa gente? Sujam as nossas ruas? Então, temos o direito de vir aqui fazer um safári e caçar alguns manés como vocês.”
“É isso aí”, dizem os outros.
Os garotos riem.
“Vocês estão é muito doidos!”, diz o branco.
“Mas eu estou muito decepcionado com vocês.”, diz Robin, abraçando o moreno. “Eu pensei que fosse chegar aqui e ver batucadas, macumba, crioulas recebendo santo. Aí, encontro suburbanos que gostam de funk!”
“Vocês deviam dar mais valor às coisas desta terra que tem palmeiras aonde canta o sabiá.”, Superman.
“É isso aí.”, concorda Batman.
Neste momento, Nacional Kid diz:
“Espere aí!”, se aproxima do rapaz negro e compara o seu tênis com o dele. “Este crioulo está usando o mesmo tênis que eu.”
“Ele está usando o mesmo tênis que você, Nacional Kid?”, pergunta Batman.
“É. É igual ao meu.”
“O pessoal do movimento arrumou pra gente.”, explica um dos rapazes.
“Crioulos deveriam andar de chinelo, não é, Batman?”, pergunta Homem Aranha.
“Estou muito chocado com o que estou vendo.”, Batman, balançando a cabeça, “Este país está mesmo fodido.”
Batman coloca a arma encostada na cabeça do rapaz negro.
“Você sabe cantar o Hino Nacional, gorila?”
“S-sei.”
“Então, cante.”
O rapaz fica olhando para ele, assustado.
“Cante. Ou tu morre, filho de uma puta.”
“Ouvi no Ipiranga...”
BANG! O corpo do rapaz desaba no chão. Os ouros dois entram em pânico.
“Caralho! Por que tu fez isso, seu puto!”, gritou o rapaz branco.
Batman encosta o revólver na cabeça do rapaz branco.
“Você poderia cantar, por favor?”
“O-ouvindo um Ipiranga...”
BANG! BANG! O corpo do rapaz desaba na calçada. O último começa a choramingar.
“Esta juventude está mesmo fodida.”, Batman, a arma encostada na cabeça do moreno.
“Eu não sei se posso cantar essa porra toda!”
“Porra?”, grita Superman, “Tenha mais respeito com um dos símbolos nacionais.!”
TAP! Superman dá um tapa na cara do rapaz.
De repente, ao longe, uma sirene.
“Os homens estão chegando.”, Robin.
“Você ainda não cantou o hino pra mim, seu moleque fodido.”, diz Bataman, ainda com a arma encostada na têmpora do rapaz.
“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas. De um povo heróico o brado retumbante...”
A sirene está cada vez mais perto.
“Porra! Os homens tão chegando, Batman!!”
“...E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhou no céu da pátria nesse instante...”
“Você está com medo dos polícia?”, Bataman, “Você é um homem ou um rato? Já se esqueceu dos nossos superpoderes? Continue cantando, seu faveladozinho de merda.”
“...Se o penhor dessa igualdade...”
Nacional Kid: “Que tal dar uma canseira nos polícia?”
“...Conseguimos conquistar com braço forte...”
“É isso aí, vamos entrar no carro.”, diz Batman.
“Deixa que eu dirijo.”, Superman.
“Ô bacana, me libera!”, pede o rapaz.
“Libera, o caralho! Queremos ver se tu sabe cantar até o final.”, grita Superman.
Os seis entram no carro, no momento em que a radiopatrulha surge no final da rua.. Arrancam, cantando pneus.
“...Em teu seio, ó liberdade, desafia o nosso peito a própria morte...”
A polícia começa a dar tiros para o alto. O carro si na Brasil e segue a quase duzentos por hora. As pistas estão com pouco movimento.
Robin e Superman uivam como lobos. Homem Aranha, dá murros no volante. Batman ainda mantêm a arma apontada para o rapaz.
“Não pára, não pára, se não tu vai dançar funk com o capeta, filho da puta.”
“...Ó patria amada, idolatrada, sabe, salve! Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,...”
O carro vai para a esquerda e dá uma violenta fechada num táxi. O táxi perde a direção e capota. A mulher dentro dele é jogada para fora. Um ônibus Rio-São Paulo vem mais atrás e tenta parar. Não consegue. Além de passar por cima do corpo da mulher, rodopia e vira. Os carros, na retaguarda, vão freiando, provocando um engavetamento. A radiopatrulha não consegue parar e vai de encontro ao ônibus tombado na pista. Explode.
“Porra, caras! Vocês estão matando uma pá de gente!!!!”, grita o rapaz moreno.
“Continue cantando, assalariadozinho fodido!”, Batman.
“...De amor e de esperança à terra desce,...”
“Este moleque deve estar nos sacaneando. Como é que a gente vai saber se ele está cantando certo?!”, Homem Aranha. “Eu sou mais fazer ele dá um tchibum lá do alto da ponte.”
"Podemos submeter vossa proposta em plenário, excelência. Mas eu quero lembrá-los que eu ainda tenho uma carreirinha de pó guardada pra cada um e eu não quero o tchibum do moleque.”, Bataman, “Quem vota pelo tchibum?”
Todos os outros votam contra.
“Cante, proletariozinho escroto.”
“...Se em teu formoso céu risonho e límpido...”
O carro sobe a rampa para a Ponte Rio-Niterói. Dá uma fechada num caminhão. O motorista perde o controle e vai de encontro á mureta. A mureta se rompe. O caminhão cai sobre a avenida Brasil. Um ônibus e um carro são esmagados. Eles riem. Menos o moleque com a arma encostada na sua cabeça. Homem Aranha diminui a velocidade. Uma ambulância vinha atrás, com a sirene ligada.
“...A imagem do Cruzeiro resplandece...”
A ambulância pede passagem.
“Pois, não.”, diz Homem Aranha.
BANG! BANG! BANG! Homem Aranha atira no motorista da ambulância. O veículo vai de encontro à mureta de proteção. Os outros riem.“Ele não devia interromper o Hino Nacional. Cante, funkeiro safado!”
“...Gigante pela própria natureza...”
O carro segue em alta velocidade. Uma radiopatrulha da polícia rodoviária começa a persegui-los. Nacional Kid atira. A polícia revida. Uma bala acerta o vidro traseiro. Começa um pequeno tiroteio. Uma bala perdida acerta o motorista de um carro importado que vinha na pista contrária. O sujeito morre. O carro rodopia na pista e vai bater na mureta. Os carros que vinham atrás, não conseguem parar e há um festival de batidas.
“...És belo, és forte, impávido colosso,...”
Os cinco morrem de rir. Eles estão no vão central. Os policiais ficam para trás.Homem Aranha dá uma fechada num ônibus. O ônibus está lotado e capota.
Robim solta uma gargalhada.
“...Terra adorada...”
Quando se aproximam da praça do pedágio, eles vêem duas viaturas da Polícia Rodoviária atravessadas na pista. Os policiais estão com armas apontadas na direção deles.
“Os meganhas estão querendo nos desafiar.”, grita Nacional Kid.
“Nada pode nos deter. Continue cantando, seu exlcuidozinho do caralho!”
“...Entre outras mil, és tu Brasil, Ó pátria amada!...”
Quinhentos, quatrocentos, trezentos metros. Todos riem. Menos o moleque.
“Nós vamos morrer! Pare este carro, porra!”, grita, choramingando.
“Ninguém te perguntou nada. Continue cantando, trabalhadorzinho filho da puta!”, Batman.
Duzentos metros. Os primeiros tiros são disparados. Um deles acerta um dos faróis. Um outro espatifa o vidro dianteiro. Superman e Robin colocam o braço pra fora e começam a atirar também. BANG! BANG! BANG! Um tiro derruba um dos patrulheiros. Uma bala fere o braço de Robin. Ele solta a sua arma.
“...Dos filhos deste solo és mãe gentil...”
Cem metros. Um policial é derrubado por Superman. Os outros policiais começam a correr. BANG! BANG! Batman ri. Cinqüenta metros. As viaturas ainda estão no caminho.
“...Pátria amada, Brasil!”
Vinte metros. Homem Aranha, finalmente, pisa no freio e tenta dar um cavalo de pau. Todos gritam no carro. O carro rodopia e se choca com violência contra as viaturas. Os carros explodem.
Todos morrem .
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